26 maio 2012

Fotos e momentos: só me convidam para ir à TV de 10 em 10 anos


Esta gente não gosta do contraditório. Vivem numa rodoma e sentem-se incomodados e paralisados pelo estupor e pela indignação sempre que lhes sai alguém que não genuflecte perante os bezerros de ouro que as convenções trataram de erigir em sacrossantas verdades oficiais. A ditadura das alforrecas trancou o discurso e a liberdade numa caixa de 50x75. Ali, não há oxigénio, não há inconformismo, não há oposição. A unanimidade, a langue de bois, os rodriguinhos e o Papagei Wissenschaft são cânone.
Lembro-me de um debate com três destes moluscos em que só faltava colarem-me um esparadrapo na boca, como lembro um debate sobre a identidade nacional, organizado pelo Albarran, em que dois destes donos do correctamente político ameaçaram sair do estúdio se eu voltasse a intervir. Esta gente não gosta da liberdade, abomina a cultura e a atitude democrática, é hostil à diferença. Somos, ainda, um país subdesenvolvido.

25 maio 2012

Pelas sagradas ossadas de São Francisco Xavier

António José Seguro afirma que os "portugueses não podem suportar mais austeridade". Curioso. O licenciado Seguro não deve ter problemas - não os tem, nunca os teve, não os terá jamais - e acredito piamente, pelas sagradas ossadas de São Francisco Xavier, que sente vocação para salvar corpos e almas apanhados na tempestade e fogo lento que foi destruindo, ano após ano, o país e os portugueses. Andam nas vidas há décadas e só agora acordaram para o desastre que andaram a semear. Nada disto é para levar a sério. A denguice eleitoraleira, a mentira e o engodo fazem a farpela do político, mas Seguro devia pensar duas vezes; primeiro, que o governo só está em exercício há dez meses; segundo, que o hollandismo, a vencer nos seus propósitos, dará ao actual governo uma estrondosa vitória eleitoral nas próximas legislativas.

A ditadura dos comensais de Trimalcião



Entretive-me ontem a arrumar cartas antigas. Entre elas, um poema que me dedicou o António Manuel Couto Viana, cuja obra, vasta e poliédrica, se espraiou pelo teatro - enquanto dramaturgo, encenador e empresário -  pela poesia, pela crítica literária, a história da literatura, a tradução e organização de antologias. A todas estas, juntava-se a de conferencista e orador de talento. Raro encontrar num espírito tantas prendas. Conheci-o em 1983 e com ele mantive sempre até à sua morte uma relação próxima de amizade e admiração. Ao contrário dos cães de fila da fama da medíocre literatice aclamada, o homem não se separava da obra. A sua vastíssima cultura, o amor e entusiasmo transbordantes que tinha pelas artes plásticas, pelo teatro e pelo canto lírico,  o talento para o desenho, o conhecimento profundo que tinha dos autores mais relevantes da literatura e prosa doutrinária portuguesa, a imbatível capacidade para o dito irónico e para a piada inteligente faziam do AMCV um homem admirado, invejado, temido, respeitado.
Com o seu grupo de amigos - o arquitecto Reis Camelo, o muralista e vitralista António Lino, o ensaísta Mário Saraiva, o ´maestro Manuel Ivo Cruz, aos quais se juntava sempre uma inesperada visita vinda do estrangeiro para o reencontrar - passei inesquecíveis tardes de boa conversa.
O António Manuel era um homem de fortes convicções patrióticas. Sentiu, como tantos outros, o desmoronar de uma ideia de Portugal, a ascensão e nobilitação de medíocres, a maldita pecha dos sapateiros feitos escritores, a rendição da literatura ao estreito ideologismo, a comercialização dos prémios literários. Num país de criados e maldizentes, de panelinhas e pequenos lóbis, Couto Viana debatia-se amiúde com a muralha de silêncio e censura dos sapateiros plumitivos. Como não era das bandas do neo-realejo, não fazia tandem com os "trabalhadores intelectuais" e demais excrescências do comunismo, foi dado como morto em duas ou três daquelas histórias da literatura que dedicam três páginas a Camões e a António Vieira e meia centena ao Alves Redol.
Movido pela curiosidade em saber se o youtube possuía alguma memória do poeta, encontrei, datado de 2010, o trecho que abaixo reproduzo. Siderado pelo atrevimento de três ignorantes impantes, que desconhecem a sua obra - o Daniel, sem o patilhame à Zé do Burro, que nunca leu nada do AMCV, a Clara piriquita tisnada qualquer-coisa, idem, o mole do Mexia a dar o flanco cobarde - dei comigo a pensar no desplante destes anões invertebrados cujas postas-de-pescada fariam as delícias de um qualquer banquete de Trimalcião. Assim vai a "cultura" na última flor do Lácio ! Gente a falar daquilo que não sabe, gente sem obra - que não os queria nem como criados de mesa -  a opinar em tom comezinho sobre um dos mais originais artistas da língua portuguesa da segunda metade do século XX. O país precisa, fatalmente, de uma revolução do bom-gosto. Esta tirania de figurinhas insignificantes dura há demasiado tempo.


24 maio 2012

A nova luta de classes: a propósito de uma lamechice de Zorrinho e da ingenuidade de Cavaco

Bazar-Henry Lévy, o grande porta-voz do parasitismo bem-pensante


Carlos Zorrinho, que parece bem-educado e marca a diferença num parlamento do Arco-da-Velha, escreveu há tempos numa dessas revistas da estupidez inteligente - a Frontline, lifestyle and business, uma coisa pirosa nova-rica toda em papel couché, como manda o mau gosto plutocrático - que "os portugueses são cidadãos do mundo, mas não são carne para canhão" e ainda "é um Portugal forte que dá força à visão aberta e cosmopolita da nossa presença no mundo". Por seu turno, o Presidente Cavaco Silva apelou na Indonésia ao investimento português naquele país, pedindo reciprocidade aos empresários indonésios. Perdoe-me o Senhor Presidente, mas parece esquecer que já não existem "empresários portugueses" e "empresários indonésios" capazes de contrariar a globalização e a nova luta de classes.

A direita do business e a esquerda burguesa gostam de iludir a existência da luta de classes, considerando-a um perigoso artifício. Porém, goste-se ou não, o fenómeno existe desde a génese do liberalismo e ganhou particular relevância a partir do momento em que, destruída a sociedade trifuncional de soberania orgânica e a ética subsidiária do Antigo Regime, o poder passou a ser, por antonomásia, o poder dos detentores do dinheiro. Porém, o poder do dinheiro - o poder da burguesia - assumiu responsabilidades morais e até patrióticas. A burguesia não era, apenas, capitalista: era empresária, corria riscos, fixava e investia, dava trabalho. A história social portuguesa dos séculos XIX e XX demonstra o enraizamento da burguesia e a nacionalização da atitude e cultura burguesas. Olhando para a velha alta sociedade burguesa portuguesa, da segunda metade do século XIX à revolução de 74, verificamos quão patrióticos eram os capitalistas portugueses. Os Champalimauds, os Mellos, os Espírito Santo, os Feteira eram, não apenas capitalistas, mas industriais. Defendiam o interesse da comunidade, estimulavam a riqueza nacional, estabeleciam a fronteira económica portuguesa. A sua riqueza era, sem tirar, a riqueza de Portugal.

O mesmo aconteceu na Europa até à década de 1990. O bom capitalismo e a boa empresa a todos enriqueceu, a todos permitiu a cidadania plena e a todos garantiu voz. Porém, foi precisamente nos momentos finais das tiranias do socialismo real que nasceu a globalização, abrindo um novo capítulo, quiçá o mais sinistro, da longa história da desigualdade. O que temos actualmente pelo mundo fora é uma nova versão da luta de classes, opondo produtores sedentários a nómadas predadores. Para que exista produção e trabalho, importa que as comunidades se enraízem . O nómada não produz nem trabalha: intermedeia, dinamiza, agita e parasita. A tal "comunidade internacional" de nómadas cosmopolitas sem fronteiras, sem raízes e sem responsabilidades éticas - a banca internacional, os acicatadores das deslocalizações, os federadores e unionistas técnicos, os exploradores do trabalho alheio - matou o velho capitalista e destruiu a cultura de trabalho dos velhos capitalistas e industriais. 

Estranhamente, os maiores defensores do parasitismo nómada são os novos-esquerdistas. Servem-se, como disfarce, do sentimentalismo das justas causas. Para eles, a destruição das fronteiras, a diluição das identidades, a livre circulação de pessoas e produtos constituem um aprofundamento sem precedentes na aproximação entre os homens. Sabemos hoje como funciona e para que servem essas fábulas. 

O cafajeste Carlos Marques


Afinal, está vivo o comensal de Engels e trabalhador intelectual que nunca entrou numa oficina - Paul Johnson dissecou- o até às vísceras - o tal que casou com uma mulher rica e recomendou às filhas que seguissem as suas pisadas; o tal que teve ao seu serviço uma pobre criada durante 45 anos sem nunca lhe ter pago um penny; o tal que teve um filho da dita criada, mas impôs como regra que o rebento jamais entrasse pela porta da frente e não ousasse passar da cozinha; o tal que tinha um ódio profundo aos da sua própria raça e escreveu a "Questão Judaica" uma geração antes de Hitler. Vive em Minas Gerais e lá poderão ir de raqueta em punho os nossos nostálgicos dos amanhãs cantantes fazer o lanço de quem dá mais para o ter como cabeça de cartaz.

23 maio 2012

Uma batalha numa gota de água


O ministro Miguel Relvas cometeu um imperdoável erro: sobrevalorizou uma jornalista e um jornal. Esqueceu-se que jornalistas e jornais são coisa de outro tempo. Quem os lê ? Quem os compra ? Estudos há que dão conta do lugar marginal que as velhas gárgulas de papel ocupam na moderna sociedade de informação. Os jornais publicam noticiário da véspera, entrevistas que cansam os olhos e já foram dadas e redadas nas televisões, velhas novidades que são do domínio público através das redes sociais e da blogosfera de qualidade, micro-intrigas e inconfidências absolutamente irrelevantes que circulam como rumores há semanas.
Os tigres de papel não servem, não influenciam, não formam nem informam. A maioria dos tigres de papel vive de publicidade e de assinaturas. Tanto papel e tanta tinta deitados ao lixo, tanta matéria prima para reciclagem para nada.
Neste incidentezinho da jornalista e do seu tigre de papel, a generalidade das pessoas encolheu os ombros. Estas batalhas em gotas de água só interessam ao público do tigre de papel: os senhores deputados, os senhores directores-gerais, os senhores jornalistas, os senhores funcionários públicos que o folheiam às 10-30 horas, entre uma trinca na tosta e o bebericar do café. Se o problema envolvesse um dos pivots do Preço Certo, dos futebóis ou dos Morangos com Açúcar, a coisa era grave. Agora, com o Público ? Who cares? Não tem interesse. Infelizmente, o Ministro Miguel Relvas "máy sáab".

22 maio 2012

Costela estatista


Por três vezes trabalhei para as tão gabadas empresas privadas e por três vezes esbarrei com as maiores torpezas. Sendo por princípio, mas sem dogma, entusiasta da iniciativa privada, não posso deixar de reconhecer que a generalidade do patronato português - adepto do estilo Fagin, do Oliver Twist - não pode ser deixada à solta. Privatizar a RTP, para a "balsemizar" e emporcalhar ainda mais os portugueses? Privatizar a TAP, para a vender a pataco? Vender as águas, para deixar os nossos banhos entregues ao primeiro envenenador?
Julguei que depois da banca,  deixada à solta, das empresas de segurança entregues a gente de duvidosa reputação, e de muito do que por aí dá pelo nome de "ensino superior cooperativo" (sem esquecer a vergonha dos negócios da doença e os negócios das farmacopeias), os mais atentos tivessem algum receio em passar procurações aos doentes do dinheiro e do lucro fácil.
Queixamo-nos, com toda a justeza, dos abusos perpetrados em nome do Estado, mas trata-se, amiúde, de confusão entre o Estado e as pessoas que tomaram de assalto o Estado e dele se fizeram empresários perdulários. O problema do Estado não é o Estado, mas os parasitas e as clientelas que subverteram o princípio do serviço público. O Estado pode ser lucrativo e auto-sustentável e as empresas públicas - e até o sector produtivo do Estado - podem ser garante de excelência e qualidade, para não dizer que, pelo menos, são mais sérios defensores da soberania económica do país.

Modas


Há décadas atrás, dedicavam-se centenas de estudos à história do socialismo, sobretudo ao marxismo, num tempo em que o marxismo era o futuro radioso que à humanidade esperava. Hoje, os estudos sobre o socialismo são menores e irrelevantes. Estão confinados a crentes e activistas sectários, demonstrando que as ideias passam, os modelos interpretativos esgotam-se na sua historicidade e não há fim da História. Dentro de vinte, trinta ou quarenta anos, as pessoas rir-se-ão dos apaixonados debates que hoje travamos.

21 maio 2012

"May sáab" ou não há assessoria para a política externa asiática?


Ao abordar problemas financeiros caseiros no decurso da visita a Timor, o Chefe de Estado terá inadvertidamente cometido uma das maiores infracções às regras básicas da boa-educação. Para os asiáticos em geral, tocar em assuntos de família, saúde e dinheiro é um interdito no espaço público. O Professor Cavaco tê-lo-á feito julgando estar a prestar um serviço ao país, não sabendo que tal iniciativa mancharia a imagem de Portugal. Para os portugueses, trata-se do triste episódio do pobre a mendigar ao miserável; para os timorenses, é o pai a pedir ao filho.

Este incidente vem demonstrar à saciedade um problema aqui por várias vezes abordado. À presidência da república e aos orgãos do governo responsáveis pela política externa parece faltar assessoria especializada em matérias relacionadas com a Ásia. Não basta ter uns meninos e umas meninas com um diploma de RI para fazer diplomacia com os asiáticos. Há que garantir formação e a criação de carreiras com vinculação exclusiva aos diferentes espaços civilizacionais. Se para o MNE impõe-se o fim das carreiras generalistas - um diplomata não pode partir para a Ásia sem um mínimo de leituras e, até, sem o conhecimento da língua do país onde desempenhará funções - à presidência pede-se que se informe. Infelizmente, Portugal é um país de improvisadores, amadores e amigos. Não basta ler os do's and don'ts e a entrada da wikipédia para fazer a casaca de diplomata. Não basta vestir o casaco pistacho, usar umas gravatas technicolor e dar ares de senhor - com golfe e sundowns à mistura da croquetaria - para cumprir o papel. Assim não se faz política externa na Ásia. Como dizem os tailandeses, que nos pediram de empréstimo a expressão, "may sáab" (ไม่ทราบ = não sabe), falta formação a esta boa gente.

Espada da liberdade protegendo Elizabeth Regina



O rugir do velho leão britânico em afirmação de poder, num tempo em que no mundo pesam nuvens negras sobre a liberdade. Ontem, uma grande demonstração de força da Royal Air Force, voando sobre a massa compacta do povo britânico rendendo homenagem a sessenta anos de entrega de SM à segurança, liberdade e prosperidade da velha Albion. O único país europeu que venceu a tentação da revolução, e onde não entraram nem o marxismo nem o nazismo, uma vez mais dando lições de fortaleza e confiança no futuro.
Ali não há centenários de república. A monarquia faz-se todos os dias e está bem fundo instalada no coração de um povo orgulhoso. 

20 maio 2012

Os Danieis Oliveiras e Claras Ferreira Alves da desocupação espevitada


O Daniel Oliveira, naquela pândega dominical que é o Eixo do Mal, escorchou violentamente Passos Coelho, fazendo eco de um dito que se convencionou ter sido cunhado pela vox publica, segundo o qual Passos nunca trabalhou. Não conheço o percurso do Primeiro-Ministro - se trabalhou ou não trabalhou, se estudou, se não estudou, se foi alavancado por amigos, se recebeu o patrocínio de uma daquelas redes que são, à esquerda e à direita, o cancro deste país - mas espanta-me que o Daniel fale com tamanha arrogância. Olho para a sua biografeta e ali está, sem tirar, aquilo que faz de Portugal e do regime um caso espantoso de habilidades trepadoristas. Afinal, o Daniel é igual. Dir-se-ia que o regime foi feito por todos os desocupados para todos os desocupados. O Daniel não é estúpido nem ignorante, mas não deixa de ser igual a essa imensa legião de gente - o tal 1% da oligarquia - que quer, manda e pode. O mesmo diria da Clara Ferreira Alves, que andou pelos jornais, foi parar ao Prémio Pessoa e pouco mais.
O Daniel e a Clara não começaram a trabalhar aos 15 anos, como eu, não tiveram que passar por cinco ou seis empregos para pagar os seus estudos e a sua liberdade. Olhem, Daniel e Clara, eu trabalhei em livrarias, dei aulas a ciganos, fui militar durante seis anos, trabalhei numa tipografia na Alemanha, dei aulas no secundário e na universidade, percorri o país a inventariar património bibliográfico e arquivístico a recibos verdes, fui a concursos públicos sem cunhas, abri uma pequena empresa, tirei um mestrado e um doutoramento sem favores, escrevi meia dúzia de livrinhos.
"Eles" não tiveram tempo. Andaram, sempre, em movimentos e partidos de onde pingavam situações de oportunidade. Que obras escreveram ? O que ficará deles? Enerva-me ouvir de instalados sem exemplo aulas de moral. Pronto, fica o desabafo.

Paulo Portas que não caia na armadilha

Institutos Camões e Cervantes deviam trabalhar juntos - Artes - DN
Ao ler isto, só posso confiar no bom senso do nosso MNE. Trata-se de supino atrevimento, ingerência quase desavergonhada, que deve ser liminarmente rejeitada; mais, o MNE deve responder, fundamentando, não apenas o disparate conceptual de tal proposta, mas a infeliz anuência do governo espanhol ao permitir a um dos seus responsáveis tamanha demonstração de desonestidade. 
É evidente - e aqui, por várias vezes exprimi tal posição - que o Instituto Camões, no formato que leva desde a sua constituição, não cumpre e não pode cumprir qualquer função relevante no quadro da política cultural externa de Portugal. O Instituto Camões é um disparate que tende para o ridículo. Devia e podia ser mais que uma escola primária destinada a ensinar o português elementar a futuros telefonistas, secretárias, guias-turísticos e empregados das embaixadas e consulados portugueses. Podia e devia ser mais que um lóbi para garantir emprego a professores de português.
O Instituto Camões podia e devia ser um pólo do investigação e formação de vocações lusófilas. Certamente que o ensino da língua podia ser um dos alicerces de tal instituição, mas nos termos em que tem funcionado, transforma-se, na penúria aliada ao sem-sentido, um imenso elefante branco. Tenho pensado maduramente no assunto e posso fundamentar com detalhe uma estratégia para o ICA.