27 abril 2012

É para isto que servem os cônsules de Portugal ? Para ultrajar Portugal ?



O Cônsul de Portugal em Goa no seu melhor. As imagens não são de ontem; têm um ano, mas expressam a que ponto chegou a nossa diplomacia, entregue a gente absolutamente incapaz de exercer a função, de respeitar e fazer respeitar Portugal. No caso vertente, para além do inglês vão-de-escadas, o conteúdo peçonhento, a miséria da argumentação, a evidente incapacidade mental que justifique um ordenado e um posto. Ouça o leitor com a máxima atenção. A meio da vergonhosa capitulação moral do homenzinho, um telefone que toca. Ouve-se uma conhecida música portuguesa. Pois, o Consulete a espolinhar-se vergonhosamente perante uma plateia que só lá foi, não pelo Aquino de Braganza, que era insignificante na obra e na pessoa, mas por Portugal. O Consulete, esse, não percebeu nada. Até chego a pensar que não o fez por mal. Falta a esta gente preparação básica, cursos intensivos de formação sobre o significado, dimensão e profundidade da presença portuguesa no Oriente. Não é um cursilho de leis que habilita um fulano a representar Portugal. Exige-se, com a máxima urgência, formação de quadros consulares e diplomáticos que evitem situações destas.
Se eu fosse o Ministro, mandava-o para Lisboa - não de avião - mas no primeiro cargueiro que passasse por Goa. São coisas destas que explicam, afinal, o insucesso da nossa diplomacia. Há que fazer uma grande reforma nas Necessidades.

Para lá dos futebóis


Passou quase despercebida a grande proeza de Telma Monteiro, pela quarta vez campeã europeia de judo Pois, como o judo não alimenta os sonhos de Suburra e a "filosofia do esférico", não interessa. Que eu saiba, Telma não vive como um desses milionários das "catedrais" e não faz parte do bas-fond paredes-meias com a política que são os futebóis. Vive a heroicidade sem descapotáveis, só como deve ser a heroicidade, servindo Portugal. Para escândalo do hórrido, dos cabelos pente 4 e da linha hotentote - paradigmas estéticos de um certo feminismo - é bonita. É demais, uma verdadeira ruptura anti-democrática.

O mistério dos pobres gordos

Só há muito pouco tempo me dei conta que os pobres são todos gordos, gordíssimos ou obesos mórbidos. O fenómeno não é português. Na Alemanha, Inglaterra, EUA e França, os ricos são magros e atléticos; as pipas humanas são, quase sempre, pobres. Na Ásia, onde subsiste a ideia da gordura como emblema de fartura, os ricos são gordos, os pobres magros.
É claro que há excepções: o Vasco Melena e Pá é gordíssimo, assim bem como os grandes ventres de uma certa dita-elite. Mas trata-se, neste particular, de outro tipo de pobreza: a de espírito.

26 abril 2012

Inflação de Le Pen's



Uma nova Le Pen em acção; outra dor de cabeça para Hollandes e Sarkozys. A recente coqueluche, Mariom de sua graça, demonstra que a dinastia parece ter-se instalado na paisagem política francesa. Para mais, tem atributos que saltam à vista e com vinte anos manobra com surpreendente à-vontade em frente das câmaras, podendo certamente aspirar à ordem equestre ou mesmo à casta senatorial. Tenho para mim que algo de muito  importante está prestes a sacudir a França. Só não vê quem não quer. A análise política deve deixar de fora preconceitos e assumir clara neutralidade.

25 abril 2012

Não acreditar naquilo que se diz


Passei o dia a consultar processos respeitantes às relações entre Portugal e estados não-comunistas da África e Ásia ao longo da década de 60. Ao contrário do que por aí se diz, por estupidez e ignorância, mas sobretudo por má-fé, os grandes líderes do chamado Terceiro Mundo - Hailé Selassie, Senghor e Sukarno - quase pediam desculpas a Portugal pelas posições que tinham de assumir. Hailé Selassie quase chorou em frente do Embaixador de Portugal em Adis Abeba, Faria e Maya, quando em 1963, pressionado, foi obrigado a cortar relações com Lisboa. Quanto a Sukarno, repreendeu duramente Nehru pelo ataque à Índia Portuguesa e, logo depois, afirmou que Timor era e ficaria português, pois reconhecia-lhe uma identidade tão distinta daquela da Indonésia que, integrar Timor Português na Indonésia seria uma agressão" (sic). Quanto a Senghor, aqui veio em 1974 para preferir uma conferência na Academia das Ciências. Esperava-se que fizesse, como as circunstâncias o impunham, um violento discurso anti-colonial. Para espanto e fúria da turba que o ouvia, Senghor lembrou que tudo devia a Portugal, até o seu nome, pois Senhgor quer dizer Senhor. Chega de mentiras. Desandem !

24 abril 2012

A política como cárcere do espírito



Sócrates, de Rossellini (1970), dos mais bem sucedidos convites à reflexão sobre a tensão entre liberdade e política. A tendência intrinsecamente intolerante existente em qualquer regime, mais importante nos dados da psicologia e da sociologia política que nas justificações ideológicas, é expressa aqui sem evasivas, demonstrando que até os regimes que se proclamam da liberdade transportam o demónio do totalitarismo.

23 abril 2012

Vasco de Melena e Pá, dégage


Os patuscos da Associação 25 da Silva - que têm estaminé onde se come bem e barato - não comemoram o 25. A Visão, que neste particular devia mudar o nome para Invisão, pergunta nas parangonas se é necessário um novo 25 da Silva. Ora, se os patuscos se querem verdadeiramente solidarizar com as vítimas da fome, do desemprego e do abandono - não contando com os 30% de jovens que já emigraram - podiam, por exemplo, sugerir ao Ministério da Defesa conveniente e patriótica redução do número de senhores generais do Kriegspiel e da Heinecker (cerca de 130) e dê baixa  compulsiva às dezenas de senhores almirantes no activo. As flores do mal da oligarquia portuguesa parecem-se cada vez mais com as metíficas welwitschias mirabilis do deserto das Terras do Fim do Mundo, as tais que exalam inebriante perfume de essência de carne podre.

Paris, a preguiçosa, votou como sempre no ócio

Uma nota adicional sobre os resultados da primeira volta das presidenciais francesas. Paris, a que não trabalha, vive de subsídios e simula ser a consciência da França, votou contra a tendência geral do hexágono. A capital do jacobinismo e da religião oficial do Estado - a maçonaria - votou maioritariamente no imobilismo. As regiões onde se trabalha, onde se produz e se exporta, aquelas que se levantam cedo e deitam cedo, que não lêem a boa imprensa, não seguem os catálogos da moda, essas, votaram na mudança. VER TUDO AQUI.

22 abril 2012

O povo francês fez-se convidar à mesa das elites



Uma profunda comoção terá sacudido esta noite os imponentes traseiros da classe política instalada há mais de trinta anos nos cadeirões da situação, na banca como nas multinacionais, na opinião que se publica, nas empresas fazedoras de sondagens por encomenda, nos meios do dito liberalismo obcecado pela globalização plutocrática. A maioria silenciosa dos pequenos, dos sempre preteridos, dos que não vivem dos favores nem dos concursos públicos manipulados, aqueles postos à margem pelos profiteurs das riquíssimas ONG's da filantropia paga; em suma, aqueles que vivem fora do aquário, vingaram-se e forçaram a porta do banquete sempre posto à mesa da oligarquia sem cérebro e sem mérito.

A França é um país culto e demonstrou hoje que não quer ser como os EUA - a Meca dos negócios -   como recusa as chamadas democracias do consenso, confiscadas ad usum bobos (bourgeois). A mise-en-scène estava feita, mas desfez-se perante a imponência dos resultados. Havia três candidatos (Hollande, Sarkozy, Marine) e três auxiliares destinados a cargos ministeriais. Bayrou queria ser primeiro-ministro de Sarkozy, Melénchon estava indicado como ministro dos Assuntos Sociais de Hollande e a estranha Eva Joly - que fez campanha apelando a Hollande - saiu da noite com o apodo de Senhora 2% colado nos verdes óculos ecologistas.

O maior derrotado da noite dá pelo nome de Mélanchon. Trata-se de um homem duro e agressivo, senhor de carisma indiscutível, mas de arrogância imensa. Deixou-se intoxicar pelo papel de coqueluche mediática, reuniu os seus partidários em Stalingrad - insistindo nos mitos falidos - e não obteve o voto daqueles que queria (a classe operária, que votou Marine), mas o voto do chique-gauchiste bobo. Aqui como lá, uma burguesia a puxar ao avançado a votar por causas que lhe cortariam cerce o pescoço. 

As eleições presidenciais, para além dos resultados objectivos, transportam matéria para oportuna reflexão. Em primeiro lugar, o fim dos mitos mobilizadores da cultura esquerdista. Os mantras e as fórmulas já não funcionam, a diabolização dos adversários já não surte efeito, a autoridade dos intelectuais caiu a extremos de caricatura e o medo instilado - muitas vezes com insultos aos que não votam conforme - desapareceu. Perdeu-se, também, a reverência pelas crenças e liturgias do liberalismo. O liberalismo, tal como tem sido aplicado, mostrou a que ponto a exaltação do individualismo e o livre-freio concedido ao "mercado" se esgotou. Os homens não podem ser deixados à solta. Não há dúvida que a necessidade de um Estado forte, presente e atento, surge como corolário após vinte anos em que o Estado quase desapareceu e se especializou em roubar pelo tributo para manter um modelo fundado na injustiça, no apoio aos madraços e na destruição sistemática de todos os pilares que justificam a existência de uma sociedade politicamente organizada.


Os resultados não devem infundir medo, nem apreensão, mas alívio; alívio por que as democracias continuam a funcionar  e os cidadãos se sabem sobrepor à manipulação e ao condicionamento. O resultado obtido por Sarkozy, o Americano, constitui punição exemplar. Contudo, o seu concorrente Hollande parece não ter conseguido o que se esperava. Figura frágil, um pequeno homem quase insignificante, mantém-se agarrado às estafadas promessas de um Estado dito social que se confunde  com pão e circo, em vez de ser  agente de promoção dos valores do trabalho, do mérito e da equidade.

Escândalo





Se há coisa que me entusiasma, é assistir ao auto-de-fé dos mitos crepitando dolorosamente sobre as chamas. De uma amiga francesa, absolutamente neutral e apolítica, a surpreendente notícia, segundo a qual, em estudo recentemente realizado por uma das faculdades de Sociologia de Paris, a maioria dos franceses negros oriundos da África ocidental, assim como os congoleses, votam por Marine Le Pen ! A preferência estende-se a outras comunidades imigrantes. Dos portugueses com direito a voto, 40% votam por Sarkozy, 35% por Le Pen e os restantes dividem-se entre Hollande (15%) e 10% Melénchon. Estranho que os nossos jornalistas não queiram ver e revelar notícias destas. Isto não é tomar partido, nem expressar preferência; é mostrar aquilo que os oficialeiros da manipulação escondem.