21 abril 2012

"Falar línguas"



Se há coisa que me aflige tremendamente, é a incapacidade das pessoas em dominar duas ou três línguas de comunicação universal, entre as quais o português certamente terá de adquirir lugar cativo. Dei-me conta há muito pouco tempo desta enorme fragilidade dos nossos compatriotas, limitação que nos coloca - na diplomacia, na ciência, na cultura e na política - em menoridade. 
Já conheci portugueses que, vivendo na Ásia, não só não balbuciam meia dúzia de palavras na língua do país de acolhimento, como não sabem construir a mais elementar frase em inglês. Também já assisti a prestações de  carácter académico, que sendo relevantes e sérias no acerto dos argumentos, se desfazem pela infantilidade chocante do mais básico inglês. Ouvindo esta já antiga prestação de Soares, que tem o topete de se dizer "francófono", fica-nos o instantâneo da imagem que os nossos deixam no estrangeiro. Uma falha a corrigir quanto antes !

20 abril 2012

O princípio do fim dos "bobos" ?


Domingo há eleições em França. Estou certo que serão as últimas da vetusta V República dos bobos (bourgeois) soixante-huitards, do laissez-détruire e das ilusões da generosidade paga pelos exauridos cofres de um país que se foi desagregando internamente no festim das mentiras. Hollande não me convence e convém lembrar que a insignificante, inerme e desvitalizada figura é uma segunda escolha após a defenestração do priapista Khan, que ao menos possuiu todos os condimentos da escola de Sade. Quanto ao outro - que se parece cada vez mais com um pequeno profiteur das docas de Marselha, un vrai con - está a correr para se livrar da barra dos tribunais.
Sobram dois candidatos estruturados: o Mélenchon, que tem garra de tribuno e que pelo estilo agastado e virulento, tanto poderia ser um líder fascista como comunista à anos 30; e a Marine Le Pen, que desdiabolizou a FN e quase surge como avatar de uma Jeanne la Pucelle libertadora. 
Convinha a todos - e sobretudo aos franceses - que a oligarquia os bobos terminasse e que após 30 anos de descalabro, a França se refizesse de tanto mal que lhe fizeram os meninos burgueses da Sorbonne de 68. A "limpeza ética" que tanta falta faz às estrebarias da República poderia ser o mote para a substituição da tirania dos banqueiros, dos tecnocratas e dos ómegas.

Autoridade moral de republicanos

"Que gente descarada é esta que se atreve a sequer comentar casos destes, quando vive num país onde o Chefe de Estado teve ou tem ligações no mínimo indecentes, é um autêntico foco infeccioso na unidade nacional, foi e é um péssimo político para os interesses do país e um nulo embaixador daquilo que deveria ser Portugal? Que "lata" é esta, batida por uma qualquer papagaia que se atreve a ler um teleponto absurdo, quando tivemos vigaristas semi-presidiários sentados no Conselho de Estado, presidentes que viajavam para o Japão et ailleurs a bordo de aviões da TAP abarrotando de amigos, amigas e outros coriféus do estilo, com despesas de uísque a 2.000 contos/viagem, tudo isto à conta do contribuinte? Dúzias e dúzias de viagens com centenas de comensais - até bobos iam -, escapadelas em Falcon a 1.000 contos à hora, (...)"

19 abril 2012

Ministro Paulo Portas, inicie preparativos para uma expedição ao Sião


Mesmo concluídas as celebrações dos 500 anos de relações luso-tailandesas, Portugal continua a concitar entusiasmo pelas bandas de Bangkok. A prová-lo, aqui está o espectáculo dramático "Até ao Fim do Mundo".
Ministro Paulo Portas: não desperdicemos tempo. Há que fazê-lo agora !

Não tem estofo de império


Uma vez mais, aterradoras evidências da absoluta incapacidade do americanito em refrear a genética. Não é novo, pelo que as palavras se esgotam na contemplação de imagens que se vão vulgarizando. Aquilo já não é um exército; transformou-se numa horda de gentuça indigna de vestir um uniforme. A guerra está há muito perdida e passou a ser negócio para companhias de alistamento milionário, escoamento da escória e lumpen suburbano, assim como mina para os fornecedores de logística. A intervenção manu militari dos EUA no Médio Oriente foi um desastre em várias fases e não há analista sóbrio que consiga justificar tão prodigiosa safra de maus exemplos. Há até quem pense, como é o caso de George Friedman, que aquelas guerras tolas não servem para afirmar uma ordem, mas para destruir qualquer possibilidade de reposição de ordem. Para o insuspeito analista, os EUA estão na região para aprofundar o caos e semear o vazio. Estou certo que ao Afeganistão e ao Iraque - hoje gloriosas democracias - se seguirá a Síria e logo depois o Paquistão e o Irão. O "modelo" americano morre a cada segundo.

18 abril 2012

Exemplo de humildade


As hienas histéricas já pediam a cabeça do Rei. Mas, afinal, o Rei cometeu algum crime? Não, porque infelizmente a caça não é considerada um crime. Há leis que enformam a prática da caça, por mais ilegítima que surja aos olhos das louváveis preocupações ambientalistas. Mutatis mutandis, era como se alguém pusesse em causa o múnus da função de um titular de cargo público por este ser adepto das touradas. As touradas são ilegais? Não.
Ao contrário de certos presidentes, cúmulos de ininmputabilidade civil e verdadeiros agentes de corrupção - daí o facto de alguns se candidatarem a novos mandatos para se furtarem a julgamento e condenação (vide Chirac, vide Sarkozy) - o Rei cometeu, quando muito, uma falta reprovável às crenças e sensibilidade de alguns.
O mais importante na pequena "estória" é que o Rei pediu desculpas, quando não as devia, pois não cometeu falta alguma que pusesse em risco a segurança do Estado. É comovedor e digno de registo este pedido de desculpas. O Rei não se humilhou, mas falou a cada um dos moralões indignados - desses que de dedo em riste estão sempre prontos a exigir, sem nunca darem o exemplo - e sanou a fúria de milhões que sempre votaram em bandidos, ladrões e pulhas e, sabendo-o, os voltaram a eleger para os proteger da mão da justiça.
As monarquias, até nas falhas, são infinitamente superiores às ditas repúblicas.

17 abril 2012

O fim da Universidade: comentário que vale um post

"Na universidade praticamente ninguém lê ou analisa as obras de referência. Aos alunos são fornecidos diapositivos com esquemas, tabelas e enumerações de dados. De onde veio aquela informação? Estará correcta? Quem memoriza os dados dos diapositivos e das sebentas tem boa nota garantida. Recordo-me como estudei a História da minha área de formação. Memorizei nos diapositivos das aulas da cadeira nomes de autores, datas, nomes de obras, e informação dispersa sobre a descoberta deste ou daquele nome da ciência. Mais tarde, quando li Hipócrates ou Paracelso, quando li as suas obras, constatei que tudo o que me fora ensinado estava errado. Com cursos de Bolonha de três anos ou mestrados integrados de cinco ou seis não há tempo para ensinar. Mais. Os alunos são sobrecarregados com apresentações de diapositivos. Os que se aplicam, ficam a saber mil e uma coisas sobre o tema da apresentação. Mas depois nas aulas não sobra tempo para o que interessa, o estudo das obras de referência. A nossa Universidade já era, no geral, muito má no tempo dos meus pais e dos meus avós. Com Bolonha ainda ficou pior. Portanto, não se pode esperar muito dos líderes deste país. Somos treinados para ser tapetes pois é mister agradar: as ditas avaliações contínuas, da participação e do comportamento, são uma tirania, que não raras vezes prejudicam os melhores, ou seja, aqueles que têm conhecimento e que o provam em exame e testes finais. Quem é diferente e está acima da mediocridade, é destruído pelo mobing. Este contexto social ainda agrava mais a desgraça que é o nosso sistema de ensino. É neste cenário que se formam os líderes do país."
                                                                                                                                                     Zephyrus

16 abril 2012

O rigor dos nossos comentadeiros

Anteontem, o deputado Diogo Feio afirmava com grande convicção que o candidato às presidenciais francesas "Mechénlon" (sic) (Mélenchon) representava a franja extrema do radicalismo de esquerda. Ontem, com um sorrisinho adolescente - o Nuno ainda deve gostar de brincar com tanques e soldadinhos da Airfix - Rogeiro referia-se ao regime de Slobodan Milošević como "regime nacional-socialista". Cada um fala do que sabe. Compreendo agora a que ponto nos provincializamos. É tudo pela rama, tudo a fingir, cheques-carecas de erudição. Falta tudo, até um pouco de vergonha. O país precisa de uma boa barrela de modéstia e estudo. A tv está cada vez melhor !


15 abril 2012

Hitler no Ganges


O filme Gandhi To Hitler, realizado no ano passado, e já considerado um fenómeno de bilheteira no sub-continente indiano, conta a relação de atracção e repulsa entre os dois mais destacados líderes independentistas indianos - Mahatma Gandhi e Subhas Sandra Bose - e Hitler, interpretado por  Raghuvir Yadav. Hitler e Ganhi flirtearam ao longo de anos, correspondendo-se em tom quase amigável. Quanto a Sandra Bose, ascendeu a Netaji (Führer), sendo o seu movimento de libertação indiano reconhecido como representante legítimo do povo indiano, simultaneamente pelo Eixo e pela URSS. A história dos "movimentos de libertação" está, decididamente por fazer.