24 fevereiro 2012

Infanta de Portugal, Dona Maria Adelaide de Bragança van Uden (1912-2012)

Faleceu a Infanta de Portugal, Dona Maria Adelaide de Bragança van Uden, mulher maior que o século que viveu intensamente, exemplo de entrega e serviço. À Família Real Portuguesa apresento, sentido, os mais profundos pêsames. Requiescat in pace.

23 fevereiro 2012

Somos apenas soldados


Os amigos escrevem exageros. Os amigos são hiperbólicos, mas se falham na decoração, nem sempre lhes escapa a razão. Ora, o que o João aqui escreve - passe a imodéstia - é o que sempre fizemos, eu e o Nuno: sem vedetismos, sem empurrar, sem viver das geringonças e dos dinheiros, sem partido e grupos. Infelizmente, para a maioria das pessoas, o mundo limita-se a meia dúzia de estrondos de socialite, conversas entre o chocalhar de pedras de gelo num copo de Whisky, projectos sobre projectos, pernas cruzadas em cadeirões. Fizemos e fazemos o que nos permite a modéstia dos meios, mas vamos, a custo, rompendo a carapaça de subdesenvolvimento e provincianismo sufocantes.

Passámos décadas a dar testemunho daquilo que para muitos não passava de antiqualhas. O que ficou ? Pouco. Fizemos a Nova Monarquia, que foi escola para centenas de bons portugueses. Por dizer tanta verdade, atiram-nos escada-abaixo e fizeram mil e uma canalhices para calar tão incómoda voz que falava com vinte anos de antecedência. Escrevemos uns livros, pintámos uns quadros, meia centena de actos culturais patrióticos, animámos jornais e revistas, estudámos sempre com o nome de Portugal a aflorar em cada modesta molécula do trabalho produzido. No que me toca, passei uma vida de trabalho, estudo e militância por Portugal. Aos outros, aqueles que pedem lugares, dinheiro, postos, que continuem como sempre. A outros, os eternos maledicentes, os frustrados furiosos e os rancorosos, os inúteis maldosos e iletrados, os traumatizados sociais e os afogueados dos lugares, esses que se curem da doença do despeitinho que os come por dentro.

Não calcula o João o friso imenso de malfeitorias, enganos, mentiras, traições e abusos. Não calcula o João o número infinito de arranjistas, trepadores e apropriadores do trabalho alheio que foi necessário conhecer para realizar tão pouco: os enfatuados, os pedantes, os secos de espírito, os mandriões oportunistas, os "grandes" senhores e "grandes senhoras" que mal sabem assinar o nome. A modéstia e falta de atrevimento deram lugares no parlamento, nas câmaras, nos institutos, nas embaixadas ? Não e ainda bem, pois tudo isso se paga lentamente com o recurvar da espinha, as ânsias das mudanças de governo e o fim das legislaturas.

Não nos devemos queixar, nem condenar, nem pedir. Aliás, na vida conhecemos dois tipos de pessoas: aquelas que dão e aquelas que tiram. Para o peditório dos apropriadores do alheio, já dei o que tinha a dar e acabou. O importante é, como sempre, Portugal. O resto é pó.

Obrigado, caro João Amorim.

Olá Sião






No Museu Sião, em Bangkok, está patente desde 16 de Janeiro uma exposição intitulada "Olá Sião", dedicada às relações entre Portugal e a Tailândia. O Museu didáctico, que pretende ser veículo de formação destinado ao grande público, recebe diariamente visitas de escolas e universidades. Aos visitantes é proporcionado um percurso com quadros animados por actores evocando momentos relevantes da nossa presença no Sião. O percurso oferece um discurso de Albuquerque (vide video), a passagem de Fernão Mendes Pinto por Ayutthaya, Dona Maria Guiomar de Pina, introdutora das receitas conventuais, os soldados portugueses que lutaram nas fileiras dos exércitos reais, os missionários do Padroado, o fotógrafo Francisco Chit e... Cristiano Ronaldo. Uma vez mais, a prova visual do imenso potencial de respeito existente naquelas paragens pelo nome de Portugal. Exige-se ao Estado português que tome medidas urgentes para o estabelecimento de um programa que explore o sucesso das celebrações em curso.

Olivença portuguesa


A questão de Olivença é uma delicada pendência dormente nas relações luso-espanholas. É, não – era! Um alcalde “voluntarioso” do lado espanhol resolveu chutar o tema para as primeiras páginas dos jornais. E inevitavelmente para a primeira linha da política. Agora, procura dobrar a língua, mas o mal está feito e o seu gesto tem tudo menos de inocente.
Nos últimos anos, o ambiente melhorava: com apoio das autoridades regionais extremenhas, a autarquia de Olivença abrira-se à revelação das raízes portuguesas, recuperando e reafirmando traços identitários na toponímia histórica das ruas e em festivais anuais de matriz portuguesa. Simultaneamente, com algum pragmatismo, dos dois lados da fronteira, descobriam-se formas imaginosas de tornear dificuldades políticas, a fim de responder às necessidades das populações - por exemplo, no dossier de reabilitação de uma ponte de acesso à vila. Este desanuviamento revelava grande sentido prático e era um processo inteligente, que procurava andar para diante sem ferir o alto melindre político da questão. As autoridades locais e regionais espanholas pareciam interessadas em avivar a especial identidade de Olivença, até para a singularizar na região como pólo específico de procura turística, e circunscrevendo o processo a traços de identidade cultural, sem entrar obviamente pelo delicadíssimo - e potencialmente explosivo - plano político.

José Ribeiro e Castro

22 fevereiro 2012

Hoje, Lisboa foi tailandesa. สมเด็จพระเทพรัตนราชสุดา ณ กรุงลิสบอน ประเทศโปรตุเกส



No quadro das celebrações dos 500 anos de relações luso-tailandesas, foi esta tarde finalmente inaugurada a Sala Thai, oferta do governo tailandês ao povo português. Em cerimónia que contou com a presença da Princesa Maha Chakri Sirindhorn, de SAR do Senhor Dom Duarte de Bragança, do Ministro dos Negócios Estrangeiros Paulo Portas, do Ministro dos Negócios Estrangeiros da Tailândia, Surapong Tovichakchaikul, do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa e da mulher do Chefe de Estado, Maria Cavaco Silva, o pavilhão em teca dourada, agora brilhando no Jardim Vasco da Gama, foi objecto de grande interesse por parte de muitos milhares de lisboetas que se juntaram às festividades.

สมเด็จพระเทพรัตนราชสุดา ทรงเป็นประธานในพิธีการเปิดศาลาไทย ณ กรุงลิสบอน ประเทศโปรตุเกส


SAR o Senhor Dom Duarte, descendente dos Reis que construíram e animaram as relações entre a Coroa portuguesa e o velho reino do Sião, foi recebido pelo Chefe do Protocolo de Estado, Embaixador Bouza Serrano e pelo Embaixador Carlos Pais, responsável no MNE pela "Comissão Celebrações Ásia". Em conversa com SAR, agora regressado de Macau e Timor, falou-se na possibilidade de, em ocasião a agendar, a família real portuguesa visitar a Tailândia e ali testemunhar a perdurabilidade e profundidade da estima de que goza o nome de Portugal, a "potência histórica" por excelência, segundo o conceito do Professor Vasconcelos de Saldanha. SAR trocou impressões com a Princesa Sirindhorn e exprimiu votos de boas-vindas e cumprimentos a SM o Rei da Tailândia.

ดองดูอารติ ดีอ บารการซาร์ ว่าที่กษัตริย์ประเทศโปรตุเกส มีความสนใจในความสัมพันธ์ระหว่างไทย และ โปรตุเกส

Na intervenção que proferiu, a Princesa Sirindhorn pôs em evidência a antiguidade da aliança entre a monarquia thai e o povo português, destacando nessas relações a importância que nela tiveram os portugueses que lutaram nas fileiras dos exércitos siameses, afirmando que tal aliança modelar não deve ser encarada como mero testemunho memorial,mas como incentivo para o aprofundamento para novas parcerias. A cerimónia foi singela mas digna e revelou a naturalidade quase familiar, sem apertos protocolares excessivos, desta velha e nunca derrogada aliança entre dois antigos Estados que nos respectivos quadros geopolíticos deram mostras de notável capacidade de resistência e sobrevivência aos maiores desafios.
Uma pequena nota critica marginal. O cerimonial de Estado perdeu o savoir-faire de outros tempos. Faltou a Guarda Municipal, faltou a GNR e uma banda que executasse os hinos dos dois países, faltou disciplina aos convidados, como se notou claro descontrolo dos organizadores para domar os impulsos da gente da tenda.
Uma pequena nota elogiosa marginal. O povo de Lisboa comportou-se com grande serenidade e civismo, respeitou a cerimónia e respeitou a ilustre visitante.

สมเด็จพระเทพรัตนราชสุดา ทรงกล่าวคำชื่นชมและการจัดงานครบรอบ 500ปี ความสัมพันธ์ไทย และโปรตุเกส


Tive oportunidade de reencontrar velhos amigos tailandeses, bem como de rever os nossos antigos embaixadores Maria da Piedade e António de Faria e Maia, o nosso actual embaixador, Jorge Torres Pereira e o Embaixador Mello Gouveia, que ao longo dos últimos meses tem sido incansável conselheiro  e amigo em tudo o que se relacione com a exposição "Das Partes do Sião", patente na Biblioteca Nacional de Portugal. Infelizmente, a exposição não foi integrada no plano da visita, facto que mereceu algum desapontamento por parte das autoridades portuguesas, pois tratando-se da maior mostra documental jamais reunida sobre as relações, teria certamente cativado a atenção da Princesa Sirindhorn. Um catálogo da exposição foi entregue à Princesa Sirindhorn, que se mostrou vivamente interessada.


Entre a multidão destacava-se larga representação da comunidade tailandesa residente em Portugal, talvez umas duzentas pessoas, ostentando bandeiras reais e fotografias de SM o Rei. Flores e mostras de carinho e lealdade foram de tal maneira expressivas que de imediato a imprensa presente se alheou dos convidados para fixar as objectivas em tão comoventes manifestações de patriotismo.




Um dia em tudo diferente da modorra da crise maníaco-depressiva em que vive Portugal neste início de milénio; um incentivo para quantos, amarrados à fatalidade de um Estado exíguo, devem voltar a olhar o papel de Portugal no mundo.

No que às celebrações concerne, a próxima manifestação realiza-se em Bangkok no início de Março: o simpósio internacional sobre a história das relações entre Portugal e a Tailândia, organização conjunta do Instituto do Oriente do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa e a Universidade Chulalongkorn. Participarão dez académicos portugueses e número igual de investigadores tailandeses, esperando-se que as actas sejam oportunamente publicadas.

คนไทยที่อาศัยอยู่ที่ประเทศโปรตุเกสได้ไปเข้าเฝ้าสมเด็จพระเทพรัตนราชสุดาด้วยความดีใจ

Mello Gouveia ou a história viva das relações luso-tailandesas

20 fevereiro 2012

Convite: inauguração Sala Thai


É já amanhã, pelas 15.00 horas, que se realiza no jardim fronteiro ao palácio de Belém o acto de inauguração do pavilhão em teca dourada - Sala Thai - oferecido pelo Estado tailandês ao povo de Lisboa, na evocação de meio milénio de relações entre os dois países. A cerimónia, aberta ao povo de Lisboa, será presidida pela Princesa Maha Chakri Sirindhorn, em representação de SM o Rei Rama IX. Peço a todos os amigos deste blogue, assim como a todos quantos compreendem o significado deste acto, que não deixem de participar.

19 fevereiro 2012

Festung Europa


 
A Chanceler Angela Merkel afirmou hoje que a Europa está unida e que assim continuará, aconteça o que acontecer. Podemos dormir descansados. 
No próximo verão ainda iremos à praia. Será ? Tudo isto nos faz lembrar "as grandes vitórias" do passado.