11 fevereiro 2012

Um exército serve para isto, não para fazer reivindicações salariais



O muito que devíamos aprender com as Forças Armadas Tailandesas; claro, com o SMO restaurado.Lá, o exército é pilar da liberdade, do Trono e da religião. Diferenças... Já agora, o bom ballet marcial, o passo de ganso à thai, para dar um toque mais ordenado à lamentável ordem unida das nossas FA's; sem dúvida, um óptimo exercício para abater barrigas murcelosas e queijos da Serra amanteigados.

10 fevereiro 2012

An open letter to Europe


When Mrs. Merkel was elected German Chancellor, she saw her predecessor Gerard Schroeder leaving for a profitable position provided by the questionable Russian democracy. Gas was the motive of that influence peddling and Europe is now at the mercy of Mr. Putin. Chancellor Merkel travels to China and Portuguese-speaking African countries. For clearly commercial purposes, Mrs. Merkel goes to Brazil and other South American countries, some of which are democracies that strangely resemble the Bonapartist model. Never mind the ethical arguments, because the business world does not stop at trifles, especially if Mercedes Benz or any other large German company can charge attractive dividends by exchanging technology for cash.

The CDU-SPD duo in the persons of Merkel and Schultz does not have a centennial historical memory that could allow them to look with some caution at the relations that a country like Portugal, nine centuries old, has established for over half a millennium with other continents. When the Portuguese arrived in China, the geographical expression of Germany lived fratricidal religious wars and its hundreds of micro-states were fighting for tiny portions of land, a piece of river that could offer a slight advantage over the others. All this in a framework of an illusory I Reich destroyed two hundred years ago by another European project, undoubtedly as imperial as the one some now seem to desire. France, that now follows Berlin’s purposes, had its brief moment of glory for a decade – actually undermined in Portuguese territory, where together with its traditional British ally Portugal fought and won for true freedom in the Europe of nations. Germany itself, the recent creation of just over a century, benefited from this Luso-British sacrifice, hearing the birth of its national consciousness in the bells tolled in Lisbon, Rio de Janeiro and London’s victory celebrations.

Portugal has its own foreign policy, not depleted in mere accounting exercises or transfers of funds. Unlike twenty-five other states of the European Union, our language, just like English, is spoken in four continents, the very ones that today's German businessmen and politicians ambition having as business partners. Portugal can, should and must participate in this effort to modernize and diversify its economy, which unlike Germany, will further complement the existing deep cultural relations with Africa, Asia and America. Never have the Portuguese allowed the imposition of Continental Blockades, free trade prohibitions or outrageous limitations of its sovereignty. The communitarian Europe that Portugal joined was the one that existed in 1995, very different in purposes and fundamentals from the Europe that some want to impose nowadays, countering the national sovereignties and identities and forgetting that only these allow for the international expression of the different peoples’ wills, formulated through the democratic institutions where they feel truly represented. It is through the plurality of belongings and the diversification of external relations that European states can best contribute to fulfil the Universalist vocation of the European Union in face of the challenges posed by globalization.

Germans must be warned of the dangers arising from the ignorance and adventurous spirit of its unconscious leaders. This is certainly a task for one of the three oldest countries in the Old Continent, precisely the one that has made Europe known to the world.

Miguel Castelo-Branco

09 fevereiro 2012

Xipamanines europeus


Um tal Schulz - quando um alemão não é Schulz, é Müller (moleiro), Becker (padeiro), Koch (cozinheiro) ou Bauer (lavrador) - teve a ousadia de se meter com o atlantismo português. É evidente que para os alemães e restantes tribos europeias jamais tocadas pelo génio de Roma, a dimensão do mundo é diminuta: uns bantustões na Boémia, uns kimbos na Polónia, umas senzalas na Morávia, uns Xipamanines na Hungria, mais meia dúzia de kraal na Eslovénia e uns hotentotes nas faldas dos Cárpatos. É um mundo pequeno, com guerras tribais intermináveis, povoado por gente gorda e feia como os sete pecados mortais que nunca foi domesticada pela espada de um Germanicus ou pelo estro de um Virgílio; uns bons selvagens comedores de bagas que calcaram o Mundo Antigo, lançaram a Europa na Idade das Trevas e, finalmente, assestaram pela voz de um monge meio-doido irreparável golpe na unidade europeia da Res publica christiana.
O tal cabo Schulz - os alemães, quando não são Von, são todos cabos - parece querer convidar Portugal a sair da tal união de tribos que se diz Europa. Ora bem, saiamos, já, sem sobressaltos, dessa comunidade de adoradores do novo Endovélico do dinheirinho e regressemos, sem demora, ao nosso mundo. 

Aqui mora a inteligência


Pairando sobre a grossa crosta de provincianismo e da politiquice para desocupados mentais, um blogue onde a inteligência caminha com a cultura, no mais estrito patriotismo científico.

08 fevereiro 2012

Fandango da tropa


De quando em vez surge a velha querela dos militares mal pagos, um brado de caserna tão velho como a intervenção do exército na vida política portuguesa. Os militares não devem ser funcionários públicos, muito menos pretorianos de regimes e governos. Ora, quando os ouço discretear atabalhoadamente sobre sacrifícios de messe e rancho, lembro-me que foram os militares que por duas os três vezes, do Vintismo à Regeneração, da República à Ditadura Militar, do 25 ao PREC, se armaram em paladinos de mudanças que não souberam controlar.
O grave problema das forças armadas é mais um problema sociológico que uma questão de natureza técnica. A qualidade das chefias decresceu na relação directa da entrada e tomada do poder pela turbamulta. Já mal vejo generais com aparência de generais, almirantes lembrando almirantes; vejo, por todo o lado, tal como nas culminâncias do Estado, uomini qualunque sem talante, forma e conteúdo que os distinga do homem da paragem do autocarro, do manga de alpaca das mais ignota secretariazinha, do caixeiro-balconista do Pingo Doce. É uma fatalidade que se abateu sobre as Forças Armadas, a Universidade, a Igreja, a Banca, a comunicação social, o parlamento, os partidos; tudo. É natural que aos uomini qualunque não interesse nada mais que o pãozinho que vem dos celeiros do Estado. É por isso que estamos onde estamos.
As forças armadas perderam prestígio quando os militares passaram a ter vergonha da farda. Há razões para a vergonha. O nosso exército já mal sabe marchar - aquela ordem unida é uma vergonha - e quando abre a boca é para emular a Intersindical. Assim não dá !
As Forças Armadas são o garante da nação, cabendo-lhes defender por todos os meios as fronteiras, a honra, a unidade e o futuro do país. São a última reserva de tudo, não devem servir políticos, regimes, partidos, pois estão acima do acidental e representam o permanente. É isso que se lhes pede.

06 fevereiro 2012

Mudaremos em paz


Sinto que qualquer coisa nos empurra para uma mudança. Não pedimos sangue nem violência, não queremos ajustes de contas nem pretendemos que os homens de bem sejam molestados ou impedidos de servir a pátria, o Estado e a sociedade com o que de melhor possuem. Ainda ontem pela noite, recém-chegado a casa após longa conversa com um oficial do exército que me desabafara o extremo cansaço por tanta vulgaridade, incompetência e abandono, recebi um telefonema de um velho amigo que não vejo há mais de dez anos. Vive em Braga e ali é professor na universidade. Um bom jurista, absolutamente independente, já não vota e situou-se durante décadas no centro-esquerda, isto é, na grande área do rotativismo. Agora, exausto, aceitou finalmente a possibilidade da monarquia.
Sosseguem os republicanos e todos os amantes da liberdade, pois nós não somos como os homens do 5 de Outubro: nós não recorreremos a pistoleiros e bombistas, não assassinaremos Chefes-de-Estado, não armaremos paisanos, não faremos tábua-rasa de resultados eleitorais, não faremos medições frenológicas nem desterraremos opositores, não teremos prisões privativas nem juízes nomeados pelo governo, não faremos assaltos à imprensa livre, não viciaremos resultados eleitorais, não proibiremos partidos políticos, não empurraremos ninguém para o exílio, não lançaremos a polícia sobre os sindicatos, não teremos Olímpios nem Camionetas Fantasma.
Se a Restauração vier, virá para aprofundar a liberdade e a união de todos os portugueses. Foram cem anos perdidos, de bagunça seguida de ditadura e ditadura seguida de bagunça. As pessoas sabem que a coisa está por um fio e antes nós - essa maioria silenciosa que esperou e começa a despertar - que a violência do povo à solta, entregue às paixões irracionais do saque e da vingança. Mudaremos em paz, com todos, com as leis, os tribunais e a ordem, com as liberdades civis e políticas respeitadas. 
Que venha, pois, o tal REFERENDO. Aqui estaremos para dar voz ao povo e a Portugal, que de tanto esperar, chegou a isto.

05 fevereiro 2012

A necessidade de Aurelianos


Quando as civilizações se desmoronam, as fronteiras são trespassadas por invasores, as antigas instituições soçobram de cansaço, os braços deixam de produzir, o conformismo e o derrotismo tudo invadem, há necessidade que alguns, arrostando todos os perigos, contrariando a fatalidade da morte anunciada, se levantem e dêem exemplo de fortaleza, serenidade e comando. A Europa de hoje, 1800 anos depois de Aurealiano, parece reproduzir o negro quadro de presságios que se abateram sobre Roma. Das casernas saiu então o grande estratega que venceu os bárbaros nos Alpes, pacificou as províncias rebeldes e a Roma trouxe em triunfo aprisionados Zenóbia e Tetricus, segurou os Balcãs, reconstruiu as finanças, esmagou a plebe amotinada.
Restaurador do Mundo, como ficou conhecido, a sua biografia merece ser estudada, assim como as medidas que então adoptou como programa de salvação. A Europa precisa de novos Aurelianos. Que venham depressa !