27 janeiro 2012

Antes dos "estudos pós-coloniais", das desconstruções, do ver o mundo através do "Outro" e quejandas patetices



Rever Wind Cannot Read, com Dirk Bogarde e Yoko Tant enchendo o ecrã, porque as histórias de amor e guerra são as mesmas desde o princípio da literatura.

26 janeiro 2012

Circunvoluçõeszinhas atormentadas

A inteligência parece ter cortado radicalmente relações com os portugueses. No furor anti-Cavaco, alimentado pelo fogo da inveja (horriplitante pecha de carácter que aflige cronicamente tanta gente), também há uma molécula de indignação. Todos têm esse direito. O chefe de estado não é cereja para bolo algum, antipático, irritado e irritante, provinciano, bacoco, desinteressante como pessoa e ausente como figura, ríspido, sem sentido de humor, sem livros e letras, sem fogo, carisma ou graça. Já tudo tentei para reparar a minha reserva, mas não consegui. 
Porém, nesta tempestade do escândalo em torno das desmioladas declarações, há algo que surpreende. Temos sido governados, desde há décadas, por gente nula, mesquinha, ávida, açambarcadora, incapaz, mal-intencionada, corrupta e dada a todas as aventuras. Ainda não pararam os portugueses por um minuto; ainda não se deram conta que os três últimos chefes de governo vivem no estrangeiro; ainda não estudaram o perfil e o percurso de seis sucessivos presidentes ? Com excepção de Eanes - fraco, mas patriota - esse friso é quase lombrosiano, cada qual tentando superar o precedente em estultícia, arranjos, habilidades e demissão.

Não sejam tolos ! O que está em curso é uma tentativa dos de sempre para colocar um buda em Belém; um buda assassino, que possua a faca constitucional que permita um novo golpe, como aquele que foi assestado em Santana Lopes. "Eles" não sabem estar na oposição. "Isto" é deles. Com Cavaco fora, querem, uma vez mais, um golpe de Estado constitucional. Só agora começo a compreender que a campanha anti-Cavaco não tem nada de moral; é imoral, ou antes, é a moral daqueles que não têm autoridade moral para nada.

O pobre pastor que foi imperador e logo 13º Apóstolo



A fascinante e terrível vida do pobre pastor da savana que foi sargento e herói do exército colonial francês, logo presidente vitalício e imperador auto-proclamado do Império Centro-Africano - depois condenado à morte por canibalismo, com pena comutada para prisão perpétua - e que terminou a vida anunciando-se o 13º apóstolo. De lado, sem o exótico, os diamantes que alimentaram a camarilha Giscard, a hipocrisia dos comensais europeus aspirando por uma esmola reluzente e a interesseira cegueira de quem alimentou, estimulou e benzeu uma loucura digna do melhor Conrad.

24 janeiro 2012

A Madre Teresa de Portugal é viva e é Princesa de sangue e espírito


O chefe de Estado assinou hoje o despacho que confere a Ordem de Mérito a Maria Adelaide Manuela Amélia Micaela Rafaela de Bragança, neta do nosso Rei Dom Miguel I e Infanta de Portugal. Resistente ao nazismo, que a condenou à morte por haver acolhido em sua casa muitas pessoas perseguidas pela Gestapo, foi salva in extremis graças à intervenção do Professor Salazar. Depois, dedicou décadas à promoção da ciência e da investigação médica, antes de se consagrar, até limites inumanos de entrega, aos pobres e excluídos. Foi uma mãe para milhares de crianças: recolheu-as das ruas, vestiu-as, alimentou-as, educou-as; em suma, foi assistente social, foi enfermeira, foi cozinheira, foi lavadeira e o apoio moral e espiritual para quantos, condenados pela insensibilidade à rua e à vagabundagem, se tornaram homens e mulheres decentes. São estas as pessoas, de actos e não só de palavras, que salvam a humanidade. São estas pessoas que merecem subir aos altares dos que crêem e aos pedestais daqueles que não crêem. A Infanta Dona Adelaide, cujo aniversário centenário se celebra no próximo dia 31 é merecedora da nossa humilde e insignificante gratidão. Será, talvez, a mais importante portuguesa viva. Ao pé dela, milhões de misseiros e água-benteiros não passam de caricaturas. A Infanta é, exactamente, a Imitação de Cristo.
Uma homenagem que há muito se impunha.

23 janeiro 2012

Pedro Arroja, monárquico finalmente


Grande Pedro, seja bem-vindo !

Histórias de dinheiros



O momento serve às mil maravilhas para explicar ao povo português os benefícios da tal república e seus comensais aboletados. No fundo, tudo se resume à reles logística de alimentar, agasalhar e transportar. Aos monárquicos cumpre esperar, esperar pacientemente, pois a república faz o favor de se desnudar e exibir as libidinosas carnações horripilantes. 

22 janeiro 2012

A morte que se dane


Cumprem-se estes dias 70 anos sobre o fim da batalha de Estalinegrado, que alguns insistem ver como o choque de duas ideologias extremas, materialismos irmãos inimigos que se sangraram até à exaustão. Os milhões de homens envolvidos pela roda do destino não partiram, porém, para o campo de batalha com entusiasmo militante nem por devoção a Hitler ou Estaline. Fizeram-no pelas suas pátrias, pelas suas famílias e tudo quanto dá sentido à vida. Os russos oraram a Nossa Senhora de Kazan, pediam força ao Arcanjo, ajoelharam-se perante os ícones e tomaram o alimento da eucaristia que os seus padres ortodoxos lhes deram antes de saltarem e correrem para a morte. Quanto aos alemães, esses fizeram da Madona de Estalinegrado o símbolo da fortaleza de Estalinegrado que foi a tumba de um exército inteiro.
Aqueles que governam o mundo ainda não compreenderam que os homens não se sacrificam pela bolsa, pelo dinheiro e pelos negócios. Os mendigos mentais e espirituais que enxameiam as catedrais do dinheiro não compreendem, decididamente, os homens. As pessoas, felizmente, aspiram a mais e até suportam a exigência do sacrifício supremo (devotio) quando confrontadas com a imponência do sagrado.