14 janeiro 2012

Os monstrozinhos plutocráticos


45.000 Euros por mês, nem mais. Sei há muito que a dita classe política sem classe alguma vive num outro mundo e que o aquário de águas milionárias em que se barricou é um insulto; mais, um escarro na cara de quantos, trabalhando uma vida inteira, cumprindo sempre, estudando sempre, aprimorando-se sempre, ganharão em 300 meses o que o Sr. Catroga - que nunca abriu uma empresa, nunca correu um risco empresarial - ganha num ano. Menezes, cuja inteligência se ficou sempre pelos lados de Gaia, afirmou que "tinha inveja da sinecura de Catroga". Não, não devemos sentir inveja; devíamos sentir nojo. Eu sempre disse que era necessário que o PPD vigiasse o PSD e que o PP ajudasse o PPD a dominar as tentações cleptocráticas dos Mr.'s Hyde.
O mistério de tudo isto é o facto de ninguém com autoridade se atreva a lavrar protesto público sobre o descaminho que as coisas levam. Estranho, também, que aos obcecados do dinheiro, a estes devoristas sem freio - alguns com setenta e oitenta anos - não se lhes consiga fazer entender que há uma dimensão que está para além do sonante e que mais tarde ou mais cedo estoirará por aí uma Janeirinha.

13 janeiro 2012

É esta a civilização ocidental ?

As imagens de militares americanos filmados a profanarem corpos de inimigos estão a dar a volta ao mundo. Não é a primeira vez que tal acontece; aliás, que me lembre, desde miúdo habituei-me a estes instantâneos que colidem com ideia hollywoodiana do sorridente soldado americano, rural, temente a Deus, mascador de chicletes e distribuidor de chocolatinhos pelas crianças dos povos que vai martelando de bombas e napalm em nome da democracia, da liberdade e do mercado. Guerra é guerra, dizem aqueles que desconhecem que na guerra também há ética, também há princípios, também há leis e convenções, mesmo que o inimigo as não cumpra.
Depois de século e meio de guerras injustas - guerras de agressão, bombardeamento indiscriminado de populações civis - em nome de uma justiça de que o império se diz instrumento, com bombas atómicas no Japão, desfolhantes e "guerras secretas" no Laos e no Camboja, invasões sem justificação (vide Panamá, vide Iraque), chegamos a isto. A América não tem, decididamente, compleição para reinar sobre o orbe. É, não temamos as palavras, uma cultura insignificante, uma sociedade problemática, desestruturada e perigosa fundada na violência, no culto da força e da potência. Estas imagens aterradoras - que eu saiba, nem os SS ou os NKVD se deixaram precipitar em tão profundo abismo de rebaixamento - espelham sem artifício o carácter canalha dos cevados que andam aos tiros a proclamar a salvação dos povos e anunciar a boa-nova da nova ordem mundial. Depois de Dresden, Mai Lai, Abu Ghraib e do prémio Nobel para o chefe de tais libertadores, já pouco há a dizer.

Para acabar com a tirania plutocrática

11 janeiro 2012

Ao contrário dessa gente importante


Perguntava-me há dias um amigo a razão do à-vontade que eu e o meu irmão Nuno temos com o Chefe da Casa Real, o Senhor Dom Duarte, sempre que o encontramos em actos públicos. Para além da antiguidade da relação - eu e o Nuno somos militantes da causa da Restauração há mais de trinta anos; logo conhecemos SAR desde os nossos 17 anos - o facto é muito simples: o Senhor Dom Duarte põe as pessoas à-vontade, não as constrange, não as repele, é um homem de trato chão, ouve, gosta de trocar impressões e aceita o contraditório. É, em tudo, diferente desses grandes senhores - desses peralvilhos inchados, desdenhosos e nulos, senhores de coisa-alguma e de muitas afectações - que transformaram a sociedade portuguesa numa barrica de manias, invejas, remoques e desvairadas ambições. É um prazer estar com o Senhor Dom Duarte, pois, ao contrário das malévolas, baixas e injustas insinuações, é homem que gosta de ler, tem biblioteca, visita museus e exposições, viaja e tem uma sede permanente de conhecimento e informação sobre o país e o mundo.

Compare-se o nosso Chefe da Casa Real com a longa galeria de senhores presidentes e de todos os senhores candidatos a presidentes. Há um abismo de dignidade, de educação e maneiras, de patriotismo e de serviço e dever a separá-los. O Chefe da Casa Real não faz negócios, não mexe em dinheiro, não arranja empregos nem os pede, não faz lóbi, não anda em partidos e curibecas; em suma, não vive "disto". A simpatia que o rodeia em todas as ocasiões - nas festas populares, nos eventos culturais, nas feiras que visita, nos congressos que se honram com a sua presença - é o que parece: SAR transformou-se, paulatinamente, num amigo natural e sem artifício de tudo o que é português, de tudo o que tem a ver com o interesse português, de tudo o que eleva a nossa consciência colectiva.
Não, eu não sou "amigo" do Senhor Dom Duarte. Ninguém é "amigo" do Chefe da Casa Real, como os Reis não têm "amigos". Os monárquicos não são "amigos" daquele que representa o país, o seu passado e o seu futuro. Devem servi-lo, como quem serve a pátria. Os senhores presidentes, esses sim, têm amigos e inimigos, protegidos e adversários. Quando é que os traumatizados sociais e os ambiciosozinhos metem isso naquelas cabeças tontas ?

10 janeiro 2012

Estranha púrpura cardinalícia

Sua Eminência o Cardeal Patriarca afirma ser a maçonaria canónica, pois "nasceu dentro da igreja, porque foi uma espécie de fraternidade dos construtores de catedrais". Muito bem, é o que se chama o anúncio da constituição iminente de uma pastoral para a maçonaria. Os maçons dispensam, o bom-senso também. 

Desdiabolizar Gadaffi ou o fim do mito do ogre