07 janeiro 2012

O "Catalinário" do calinário parlamentar

Rui Paulo Figueiredo, deputado em cuja biografia se inscreve o  trívio-básico da licenciatura em Direito - beca necessária aos Calisto Elói da logorreia parlamentar - afirmou hoje na pantalha não querer fazer "catalinárias" contra Alexandre Soares da Costa.

Estes senhores parlamentares, com a humildade que os caracteriza, bem podiam pedir a uma daquelas velhas e boas professoras de português, infelizmente reformadas, que os ajudassem a manipular o prontuário e, se possível, os auxiliassem misericordiosamente no manejo do velho dicionário da Lello. Esta nota necrológica é, também, a expressão vaga do derrotismo e desencanto que por aí vai pela política, pelos políticos e pelas instituições que cavaram a nossa sorte colectiva. Como podem homens que não lêem, não sabem nem jamais fizeram o menor esforço em saber, ter a jactância (o topete) de nos exigirem o kao-taw ?

06 janeiro 2012

"Marcenarias"


Seria bem melhor que toda esta rapaziada da política - cheia de sangue na guelra mas também de responsabilidades públicas (porque foram eleitos) - não estivesse 'inscrita' ou pertencesse a coisa nenhuma: a reputação é sempre difícil de limpar, principalmente quando não é possível dizer olhos-nos-olhos a verdade e toda a verdade; pelo menos sem rir. Montenegro não tem maneira de provar "que não pertence" e os outros - desobrigados de "provar que pertence" - exploram o filão das suas incomodidades. Estes clubes "dos Cinco" e "dos sete" na sua casa da árvore não fazem sentido e deviam ser banidos. Se continuarem servirão sempre de possível fachada, protegida por lei, a toda a sorte de artimanhas. A classificação de "Loja Maçónica" é um escudo, é o bode que se traz prudentemente à trela quando se sai a vigiar as feras do Parque, é o pára-raios das desconfianças, é "A BARBA" (the beard) como diria Woody Allen - uma coisa para desviar as atenções. Ou então - pobres rapazes - eles gostam mesmo daquelas merdas das vendas, das 'mortes', dos 'dédalos', das luvas, dos aventais, dos esquadros, dos sabres-da-guarda-municipal, do xadrez no pavimento, das barretinas e tricornes e dos "trabalhos" - assim como das passeatas em número ímpar. Pelo Amor de Deus!

Quem assim se expressa é uma misteriosa personagem que assina Besta Imunda, talento camiliano a quem peço por amor de todos os santos e potestades que abra loja bloguística (salvo seja) e nos presenteie com fulminantes raios, como aquele que retiro de um comentário que deixou no nosso amigo e confrade Palavrossaurus Rex. Há tempos, no Metro, ouvi uma fulana - mulher do povo, sem arrebites e afectações micro-burguesas - dizer a uma amiga: "ó Joaquina, isto agora são tudo marcenarias".É-me indiferente que as pessoas se metam em grupos, seitas e curibecas, durmam no chão gélido e sintam arrepios de prazer quando estranguladas pelo cilício. É-me indiferente que andem de gatas, se espolinhem pelo chão, apertem as mãos umas às outras de mil e uma maneiras possíveis, façam retiros espirituais para contarem a todos os consectários os pormenores mais escatológicos da sua intimidade ou se submetam ao controleiro que lhes controla o ordenado. Contudo, não posso aceitar que gente que abdicou da sua liberdade me possa prejudicar pelo facto de não pertencer ao grupo. 
O ser humano será o único animal que procura voluntariamente a servidão para se furtar ao dom que o distingue da restante criação: a inteligência.

04 janeiro 2012

Coisas bem escritas


A verdade é esta: organizações secretas só o são, em democracia, porque nelas se trafica o que não se pode traficar à luz do dia. Raramente são ideias, porque essas, em sociedades livres, não precisam da obscuridade. Quase sempre são negócios, influências, empregos e poder."

(Daniel Oliveira)

03 janeiro 2012

À beira de uma Guerra Mundial ?



Lyndon LaRouche pede o imediato afastamento de Obama por insanidade, ao abrigo da 25ª emenda constitucional, como condição para impedir uma suposta iminente guerra termonuclear. LeRouche é uma figura controversa, amante das teorias da conspiração, mas é igualmente um pensador de incontestados méritos, um dos mais bem informados actores da vida política norte-americana e também um interessante agitador de ideias. Há quem diga que tratar-se de um lunático e chefe-de-fila de um culto. Para outros, um extravagante que, com propriedade, navega nas águas do profetismo, anunciando as verdades de amanhã. O homem parece ter-se transformado no mais importante intérprete das visões chinesa, árabe e russa do mundo e tem sido o mais radical inimigo da ordem mundial centrada na oligarquia de especuladores que desencadeou a crise financeira que ameaça lançar na bancarrota o mundo euro-atlântico.
Uma perspectiva absolutamente escaldante do momento presente e terrífico olhar prospectivo sobre o futuro imediato que nos aguarda. Esperemos não não tenha razão e que a insanidade que proclama seja a sua.

02 janeiro 2012

A nova Peste Negra: o cíclico retorno das idades das trevas



A crise do sistema financeiro internacional só superficialmente parece repetir o desastre de 1929. Para os mais avisados - aqueles que lêem história e não só jornais - lembra uma convulsão mais profunda, capaz de alterar globalmente não só os actores internacionais, como a cultura política, as ideias e aspirações por que se movem os homens. Quando comparada com a presente crise, a de 1929 parece ser uma inocente constipação. Os bancos estão mortos, o dinheiro desapareceu, o comércio declinou.
O capitalismo parece estar a passar pelo pior momento da sua longa e acidentada história. Já não se trata mais do capitalismo que fez a burguesia e a empresa moderna, capitalismo alicerçado no trabalho, no risco medido, na concorrência e na criatividade. O regime económico parece ter sido confiscado pelos mais improdutivos e impreparados - os políticos profissionais, gente desocupada - e transformou-se lentamente em capitalismo de subsidiação, alegremente crismado de "modelo social europeu", um passo à frente do keynesianismo para o abismo. O capitalismo das últimas décadas - as famigeradas décadas de ouro - ofereceu tudo o que o socialismo havia prometido e não conseguira realizar, mas acabou, tal como o socialismo, na miséria.
Tal como acontecera no fim da Idade Média, a economia passou para as mãos de banqueiros, financeiros especuladores e prestamistas. Os banqueiros, os especuladores e os prestamistas vivem fora da economia. Vivem para alimentar sonhos.Vejam o documentário e pensem duas vezes antes de ouvirem os feiticeiros do resgate. Parece que vamos ter mais Estado mais cedo do que pensávamos.
Conhece-se a origem do problema. Não se trata de uma questão de opinião ou de gostos, mas de um problema científico. Responder cientificamente a um problema é conhecer a sua origem e resolvê-lo por via racional. Ora, a maioria das pessoas aceitaram o vírus que agora nos mata, viciaram-se na euforia que o vírus provocava. Mesmo assim, persistem em acreditar que é possível viver com o vírus. São como crianças. Precisam ser educadas, com a máxima urgência e reaprenderem o trabalho, a poupança, para que deixem de ser crianças. Não estou a brincar. A nova Peste Negra já chegou.

PS. Há já dois anos, tendo acompanhado a crise política na Tailândia, me dei conta da aliança entre o capitalismo improdutivo inimigo da propriedade e do trabalho e do que resta do comunismo. Gente perigosa, sem dúvida.