15 dezembro 2012

Um país absolutamente sinistro


O massacre ontem ocorrido nos EUA serve de manifesto para sublinhar aquilo que os mais empedernidos americanófilos teimam em ocultar. Trata-se de uma sociedade fundada por inteiro sobre a violência, constituída por gente dominada por instintos agressivos, uma cultura que exalta o "darwinismo social" e o direito da força. Assim foi desde o primeiro momento - o extermínio dos nativos, o esclavagismo, a segregação - e foi-se expandindo, primeiro pelas américas, depois pelo mundo em sucessivas guerras em nome dos mais nobres ideais. Não contem, pois, com entusiastas para repetir as pias mentiras do "sonho americano".

Sempre que vejo massacres destes - coqueluches para noitadas televisivas - ocorre-me a foto da americaninha escrevendo ao namorado a carta, enquanto olhava embevecida para a caveira do soldado japonês (decapitado e esfolado) que a cara-metade tivera o bom-gosto de lhe enviar. Nem a cadela de Buchenwald a tanto se atrevia.

15 comentários:

Gonçalo Pereira disse...

Murder rate by country:

Thailand - 5.9 per 100,000 population

USA - 5.22 per 100,000 population

João José Horta Nobre disse...


Bem, se os Estados Unidos são uma sociedade violenta, então o que dizer do Brasil, da Venezuela, da América Central, do México, da maioria dos países africanos, etc...

Morrem 2 ou 3 dezenas de pessoas num tiroteio nos Estados Unidos e os media/merdi@ fazem uma drama.

Mas se amanhã aparecerem 50 pessoas decapitadas pelos cartéis da droga no México (em larga medida alimentados com o dinheiro dos europeus que gostam de enfiar Cocaína pelas narinas acima...) aí os merdi@ dão a notícia em 30 segundos e acaba o assunto.

Factos são factos e o facto é que estes massacres nos Estados Unidos vendem muitos jornais e revistas e são uma desculpa que a esquerda americana utiliza de forma muito astuta para ganhar mais alguns votos...

Em relação a "extermínio de nativos", bem, nós aqui na Europa também temos um extenso de rol de extermínios praticados por europeus como foi o caso de Francisco Pizarro nas Américas, os ingleses contra a população Bóer nas Guerras Bóer's, Hitler durante a Segunda Guerra Mundial contra os judeus e eslavos e mais recentemente o que se passou na ex-Jugoslávia.

Depois de nós europeus fazermos escorrer tanto sangue na Europa e no mundo, é um pouco injusto ser tão duro para com os Estados Unidos, não acha?

http://www.midiasemmascara.org/artigos/desarmamento/13687-chacinas-e-desarmamento-civil-.html

Combustões disse...

Gonçalo
As mortes na Tailândia devem-se às guerrilhas secessionistas muçulmanas no sul do país e não ao uso livre e indiscriminado - inscrito numa emenda constitucional - como nos EUA.

Duarte Meira disse...


Que de generalizações enfáticas, caro Miguel!

Não há nem podia haver nenhuma sociedade humana "fundada por inteiro sobre a violência". Há na norte-América tudo isso que diz e... o contrário. Há o pior e há o melhor.

Só lhe faltou vir com a propaganda anti-venda de armas, contra o direito natural e básico das pessoas se defenderem a si e aos seus. É que haver tantas armas à disposição de tantos milhões (também as temos por cá, mas ilegais!), e, apesar disso, serem tão esporádicos e raros os casos como este, não vai no sentido lógico do seu "país absolutamente sinistro".

Pedro M. Ferreira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pedro M. Ferreira disse...

O que eu acho realmente sinistro, Duarte, é que na América seja possível adquirir-se uma arma de calibre bélico em qualquer supermercado.

Mas talvez eu seja o único que pense que uma pessoa não precisa de uma metralhadora ou de uma pistola semi-automática para se proteger a si e aos seus. A não ser que aceite que milícias populares substituam a polícia e as forças armadas nas suas funções de defesa do país e de preservação da ordem.

Ps: Apaguei o comentário anterior porque tinha algumas gralhas.

Paul disse...

J’aime l’expression : "darwinisme social"…

Obama en pleurs… une image forte qui mérite moult commentaires !

En réalité, je considèrerais cette fusillade que comme un petit fait divers, qui occupe les médias et permet d’occulter la vraie violence, contre la Syrie, en Égypte… et partout plus généralement cette hystérie fondamentaliste laïciste, sioniste, franc-maçonne ou islamique contre les catholiques, uniates et orthodoxes…

João José Horta Nobre disse...

A fotografia da americaninha com a caveira está demais...

Obrigado por ter adicionado o meu blog à coluna direita.

Abraço

MIGUEL disse...

ESTRANHO FALAR DO PASSADO "EXTERMINIO DE NATIVOS" QUANDO SE VIVE O EXTERMINIO DO POVO PORTUGUÊS POR PARTE DA UE E SEUS ACLITOS. PARA QUEM AINDA NAO PERCEBEU A VENDA DE ARMAS NOS EUA TEM DE SABER QUE É O UNICO PAÍS A PODER SE DEFENDER DE QUALQUER INVASAO ARMADA, O PAÍS DISPOE DE 200 MILHOES DE SOLDADOS ARMADOS EM POUCAS HORAS.

João Pedro disse...

Sim, e entretanto alguns desses "soldados armados" cometem regularmente massacres como este. Achar que a disposição de vendas de armas sem o menor controlo não traz problemasde maior é negar a natureza humana particularmente num país que se construiu baseado muitas vezes na ausência de lei e na força do revólver. Pior ainda é considerar-se que a mortandade de crinaças de escola são "os media a fazer um drama" e "uma desculpa da esquerda para ganhar votos". Isso não são diferenças ideológicas, é pura neurose e fanatismo.

Daniel Azevedo disse...

O seu ódio visceral ao seu némesis é cada dia mais evidente!
Para o senhor até o gangster do Putin é preferivel...
São opiniões! E segundo Cícero: existem tantas quantas há pessoas.

Mas só para que saiba: soldados portugueses, no seu natal Mocambique, faziam colecções de dedos que juntavam em frascos, e faziam fotografias de "famila" com as cabeças decepadas, com pano de fundo a aldeia chamuscada. E falo do que posso comprovar com as ditas fotografias,(não sou historiador mas conheço o valor das fontes primárias).

Por último, que eu me lembre, só aqui na Europa nos últimos dois anos foram: Toulouse, Liége, na sua querida monarquia inglesa é à facada e quase todos os dias. Na Alemanha foi numa escola que também matou os colegas.

Mas quando é nos EUA, começa tudo a grunhir que é a barbárie.

Por uma questão de honestidade intelectual acho que, para um historiador como o senhor, um texto destes é no mínimo mesquinho.

Daniel Azevedo

Xico disse...

João José Horta Nobre
Convenhamos que chamar nativos aos Boers é um pouco exagerado. Senão teríamos de chamar também nativos aos portugueses de Luanda que aí se estabeleceram 77 anos antes dos Boers no Cabo.
De qualquer forma compreendo onde queria chegar, mas há que diferenciar o que são matanças perpretadas pelos estados e por indivíduos.

João Amorim disse...

caro Daniel Azevedo

Se tivesse a gentileza de me informar onde posso ver (biblioteca, blogge, site) as ditas fotografias das cebeças decepadas com as aldeias a arder eu agradecia.

João Amorim

Duarte Meira disse...

« ... A não ser que aceite que milícias populares substituam a polícia e as forças armadas nas suas funções de defesa do país e de preservação da ordem.»

Caro Pedro Ferreira:

Não se trata da defesa do país e da ordem pública. Trata-se de que o Estado não pode ter um polícia sempre atrás de cada pessoa; e de que as pessoas não têm de ir tirar cursos de artes marciais para se poderem defender a si e aos seus contra... armas de fogo.

Aliás, no caso de Newtown ouvi dizer que o jovem se suicidou quando ouviu os primeiros tiros da polícia, e poderia ter matado mais pessoas. Ora, se as armas da polícia estivessem mais perto, à mão dos responsáveis da escola ou da segurança da escola...

Carlos Velasco disse...

Caros,

Ninguém é obrigado a gostar dos americanos. É uma questão de gosto. Entretanto, não sejamos assim tão severos com eles. A maioria é a maioria em qualquer lugar.
Agora, passando para o assunto cabeças cortadas, coisa que me faz pensar no destino de Lampião em pleno Brasil do século XX (não podia citar o destino do Tiradentes pois isso pareceria lusofobia da minha parte, o que seria injusto), acabei de ler uma notícia interessante:

http://club-k.net/index.php?option=com_content&view=article&id=13884%3Arelatorio-militar-revela-que-tropas-portuguesas-cortavam-cabecas-em-angola&catid=9%3Apreto-e-branco&Itemid=143

Não sei qual é a validade disso, mas a guerra é assim mesmo e nem todos demonstram nobreza quando debaixo de tanta pressão.

Saudações.