25 dezembro 2012

Renovação do mundo: o Sol Negro

Pelo Natal, festa da esperança e da renovação do mundo, o belíssimo Soleil Noir, biografia de um Rei que se entregou às paixões humanas, transigiu com os miasmas invisíveis que preparam o sangue e o terror que assaltariam a França e a Europa após a sua morte, deixou-se por cercar por amigos-inimigos mas que, in extremis, último assomo de fibra, quis reformar o Estado, dominar o egoísmo estreito dos privilegiados, estabelecer a igualdade na justiça. Luís XV, esse belo exemplar do século XVIII, é uma personagem actualíssima. Quando as sociedades adormecidas e petrificadas, dominadas pela rotina e pelo consenso que evita olhar a realidade, se mostram indisponíveis e inacessíveis ao bom-senso, há que lançar mão às reformas, contra todos se necessário, para evitar o descalabro. Luís XV percebeu-o tarde, é certo, mas os privilegiados quiseram manter o status quo. Como a vida do Rei se assemelha à dos actuais reformadores, odiados por querem mudar o estado de coisas que levará ao caos que nos espera.

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