13 dezembro 2012

O fim do grande mito



"Há-de haver leis que presidem aos homens, que isto é dar a presidência a Deus; não hão-de presidir os homens com o seu arbítrio à lei e à razão, que isto é dar a presidência às feras, à cobiça, à ira e às paixões, como disse Aristóteles".
                                                    Manuel Rodrigues Leitão, Tratado analítico e apologético, 1715

A Europa no fim do ciclo do povo-rei. As tiranias do futuro, alimentando-se do caos, reúnem argumentos liberticidas e preparam-se para entrar em cena. A soberania sem cabeça - a soberania dos braços e das pernas - deu nisto. Ontem foi no parlamento ucraniano; amanhã será por todo o lado. Acabou o tempo dos senhores burgueses bem-postos afectando a gravitas dos comícios da Roma clássica. Agora, como previra Tocqueville, é este formigueiro de gente igual, violenta e incontrolável, presa dos instintos, falando com os punhos.
Ainda há tempo de mudar, lembrando a velhíssima sentença de São Francisco de Sales a propósito do suicídio de Judas: "entre o momento em que a corda estica e aquele em que a corda estrangula, ainda há lugar para que a [salvação] intervenha". O sistema representativo tem, pois, perante si a possibilidade de se redimir ou de se perder. Se o não fizer agora, o futuro pertencerá àqueles que o negam.


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