17 dezembro 2012

Necrofilias


A capital da Coreia do Norte conta a partir de hoje com mais uma atracção. O corpo do Querido Camarada Kim Jong-il passa doravante a estar patente ao público, juntando-se ao de seu pai Kim il Sung, que repousa numa mastaba-mausoléu. O culto pelas múmias expostas, inaugurado pelo cadáver de Lenine -logo seguido de Mao e agora da dinastia Kim - é uma manifestação da psicótica relação dos comunistas com a eternidade. Porém, no que respeita a chineses e coreanos, acresce tratar-se de um insulto aos mortos, cremados no Coreia e inumados na China. Aqueles regimes, tendo-se firmado sobre a destruição de interditos culturais, declararam guerra às respectivas culturas, demonstrando que o marxismo foi, na Ásia, o mais poderoso agente de auto-colonização. O materialismo tem destas coisas. Tão arrogante, tão explicativo e pretensamente "científico", baqueia perante o mistério da morte. São estes cadáveres expostos a melhor impugnação do absoluto imanente?



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