19 dezembro 2012

China: a grande ilusão ou nas vésperas do IV Império?



Wang Gungwu é uma das incontornáveis referências da sinologia contemporânea. Chinês da diáspora, autor de reconhecida argúcia e complexidade, tem sido um dos mais proeminentes críticos dos mitos que envolvem a China actual. Para quantos, aterrorizados pelo "perigo chinês", julgam inelutável a expansão chinesa sobre o mundo, Wang Gungwu constituiu um bálsamo, apontando as deficiências, as fracturas e a instabilidade interna inerentes a um modelo de desenvolvimento incontrolável que gerou grandes desigualdades e ressentimento, dependência extrema do país face à economia mundo mas, sobretudo, novas elites que tarde ou cedo concorrerão com a elite dominante do PCC. Confrontados com o dilema de destruírem a China, alçando-a a potência global alicerçada num mundo há muito ocidentalizado, ou manterem a mais antiga civilização - única sobrevivente da Antiguidade - recusando o Ocidente, conseguirão os chineses superar a actual fase de abertura ao mundo exterior que sempre olharam com reserva e medo?
A invenção da etnia, a construção de uma língua unificadora - parte mística da identidade chinesa - o serviço do Estado, tudo isso corre riscos de alcance ainda não previsíveis. Estará o capitalismo a destruir as condições que fizeram a China? Será a democracia uma via para China? Ouvi-lo, proporcionará aos leitores desta tribuna uma compreensão menos simplista do Império do Meio.

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