05 novembro 2012

Da Síria e de Romney

Da mesma forma que a queda de Assad na Síria eram favas contadas para os entusiastas das revoluções vindas de fora - na Síria, disse-o desde o primeiro instante, a guerra não era entre Assad e a democracia, mas entre um Estado de plena tolerância religiosa e o fanatismo homicida dos salafistas - , no que respeita às eleições nos EUA, tenho o vago pressentimento que Obama (uma espécie de Gorbachov americano, muito popular no exterior, quase detestado no seu país) só escapará à derrota por uma unha negra.
As pessoas têm de se habituar a separar as suas fantasias da análise distante, crítica e imparcial dos factos e dos acontecimentos. Infelizmente, a maioria age impelida pelos sentimentos ou, pior, deixa-se condicionar e contaminar pela propaganda. Na análise política, não interessa se gostamos ou não gostamos daquilo que nos é dado ver. Há, desconhecido da maioria das pessoas, um "metatexto" acima dos acontecimentos e seus figurantes. Na Síria, saltava à vista que uma sociedade secularizada, culta e habituada a viver a multiconfessionalidade, não aceitaria a destruição de um exemplar património de paz social. No que respeita aos EUA, Obama não fez a esperada revolução pacífica que prometera, mas provocou a polarização do país em dois campos irreconciliáveis. A ver vamos se temos ou não razão neste vaticínio.

3 comentários:

atrida disse...

O que o Miguel aqui diz fez-me lembrar algumas conversas que tive em Tel Aviv com árabes cristãos que vivem em Israel e me diziam que era um óptimo lugar para se viver. Independentemente do que se pense sobre o Estado de Israel, imagina-se como poderá ser difícil a vida de cristão na Faixa de Gaza (e eventualmente na Cisjordânia).

Lionheart disse...

Obama está a ser levado ao colo pelos media. Só o facto de aparecer nas áreas sinistradas pelo furacão "Sandy" foi retratado como tendo lidado bem com o desastre natural. Mas em QUÊ? Nas áreas fora do centro, como Staten Island ou Queens ao fim de quatro dias ainda as pessoas ainda não tinham sido socorridas, enquanto o "Mayor" Bloomberg (que virou o bico ao prego e agora apoia Obama) estava preocupado com a realização da maratona em Manhattan. Um ESCÂNDALO! Imagine-se se isto tem acontecido com Bush. Uma vergonha.

Lionheart disse...

Mas já viram como estas eleições deixaram de ser nacionais, concentrando-se praticamente em meia dúzia de Estados? O Obama está em campanha para a reeleição há QUATRO anos, só ao Ohio já foi mais de 50 vezes! Já não se pode ouvir falar na treta do Ohio!! O homem passou mais tempo em campanha que a governar...

E depois a polarização do eleitorado é de tal maneira que se sabe a priori que Romney ganha no Sul e Obama nas costas, e depois no meio há alguns Estados que podem pender para um lado ou para o outro e é aí que os candidatos gastam "rios" de dinheiro. Ous seja, gastam uma barbaridade para ganhar no Ohio, no Nevada e pouco mais, não a nível nacional, onde na maioria dos sítios nem precisam de fazer campanha. O que torna tudo este acontecimento ainda mais SURREAL. E o resto do mundo em suspenso por causa de uma "eleição" cada vez mais paroquial. É absurdo.