11 novembro 2012

A Aurora Dourada portuguesa


O grupo estalinista-trotsquista que não responde pelo nome conta já com treze anos a espalhar dissimuladamente ódio pela sociedade portuguesa. Não se trata de um partido, na acepção convencional, mas de uma seita, assentando a sua existência na exaltação do grupo de ruptura - num "nós" e os "outros", os inimigos; ou seja, todos quantos não fazem parte do grupo - e a verdade que proclama prescinde de explicitação externa ao grupo. Como em todas as seitas, o importante é pertencer ao grupo purificado, superior aos "outros" e que se julga vítima de permanente complot contra os justos (aqueles que detêm a verdade). Trata-se de um estado de hipnose e irracionalidade lúcida que se se identifica com o Bem, perante o qual todos quantos não sejam tocados pela pistis (a fé do grupo) representam o mal. Ouvi-os falar ao longo de dois dias e não percebi que modelo do sociedade advogam, que sistema económico subscrevem, qual o seu conceito de Estado e o que fariam se o poder lhes viesse parar às mãos. Para as seitas, o tempo não existe; ou antes, existe apenas um futuro radioso e difuso, ao qual não se sabe exactamente como se chegará. Não têm programa e as proclamações que deles se ouvem são meras colagens de tropismos, aquilo a que vulgarmente chamamos de bom-senso: que o homem deve ser feliz, que a justiça deve ser cega, que cada um deve ter um posto de trabalho, uma casa, assistência médica e educação. Contudo, por detrás da mais estreita vulgaridade burguesa - porque se trata de gente burguesa, que nunca trabalhou com as mãos - há um New Age religioso, tácita aceitação de violência construtiva, do espezinhamento das normas, das leis e das convenções nascidas e crescidas à sombra do mal. É a Aurora Dourada, versão portuguesa.

3 comentários:

Leonardo Costa disse...

Eu aconselhava-o a pegar nos seus desafogos e escrever um livro. Enfie-lhe uma trama amorosa no meio e vira um best seller nacional.

Combustões disse...

Obrigado Leonardo, uma óptima ideia. Dava uma história e pêras !

Jesus Carlos disse...

Não poderia concordar mais. E já temos uma nova seita com pretensões a Partido, o PAN.