08 outubro 2012

Uma indignada de outro tempo. Mutatis mutandis...

Falei esta noite com um velho amigo espanhol. Surpreendeu-me o tom desabrido como este jurista de formação monárquica e liberal, gente abastada e moderada, se refere ao regime, à corrupção, à insegurança e à desesperança que assentou arraiais na sociedade espanhola.
Disse-me que nos mentideros de Madrid corre com insistência desde a semana passada o rumor de um possível pronunciamento militar visando o derrube do regime. O país parece ameaçado de dissolução, a crise económica aprofunda-se, a bancarrota deixou de ser palavra proibida, temendo-se que o pedido de resgate não possa, de tão tardio, impedir graves convulsões. As movimentações da rua, animadas pela extrema-esquerda e por nacionalistas catalães, estão a provocar medo na classe média, que reabilita a possibilidade de um governo forte que impeça o pior. Disse-me que só a existência da monarquia explica a sobrevivência da classe política e dos partidos nascidos durante a transição de 1976-77. Se algo acontecer em Espanha, temo que Portugal - que em 1926 acompanhou a deriva autoritária espanhola de 1923 - algo de muito parecido possa ocorrer. Medina Carreira disse há dias que a Grécia está prestes a sair da família das democracias liberais e que por Espanha algo de muito parecido pode ocorrer. O telefonema de Juan confirmou os presságios.

7 comentários:

Pedro Marcos disse...

Tom desabrido num monárquico?
Pois quem se sente não é filho de boa gente.

Nestes tempos ser monárquico com discurso de punhos de renda é ser-se colaboracionista. Ponto.
Aliás, ainda estou para perceber porque não houve porrada a sério em 75. Ou antes.
Ou os valores que dizem defender não passam, para os "monárquicos" de meras vaidades morais?


O povo hoje quer declaradamente justiça e ordem. Há que estar pronto a cumprir essa vontade.

Os monárquicos tem que se fazer respeitar. Aparecer, fazer barulho e - vou dizê-lo - estar disposto a jogar forte, sujo e feio.
Quem não está disposto a lutar pelo poder não o merece. Para o ter e para o manter.

Quem o diz é um moderado.
É bom que algumas pessoas acordem para a "ira dos mansos".

Combustões disse...

Pedro Marques
A moderação é uma qualidade, assim como a intransigência uma virtude. Os monárquicos podem deter uma e outra: podem ser radicais sem ser extremistas e saber agir diferentemente em tempos de excepção e em tempos de normalidade. Não contem com os monárquicos para parvoeiras extremistas, mas é necessário que sejam respeitados e lancem mãos ao activismo, coisa que infelizmente o não fazem desde os tempos da Nova Monarquia.

Pedro Marcos disse...

Miguel, "povo" e "subtilezas conceptuais" não jogam. Sabem bem disso.

D. Duarte tem sido sereníssimo e tem demonstrado ser uma referência de civilização, paz e concordia.

A porra é que os tempos não estão para isso. Um tempo é de paz e outra da guerra (Eclesiastes).

Certo é que vislumbro um vazio de poder e não estou a ver os monárquicos a aparecerem como alternativa. Os que já se estão a mexer é o pessoal ligado às esquerdas e às tragédias que a eles estão associadas.

Há muito a fazer para combater a propaganda negativa que fazem dos monárquicos e da Real Pessoa. Muita gente goza com a figura de D. Duarte e de hermanescos "ah eh uh... Isabelinha... eh uh ".
É preciso ganhar o respeito perdido durante MUITO tempo.
E isto não é compatível com subtilezas e meias palavras.
Quem tem o poder joga muito sujo e por muito que nos custe é preciso encarar isso.
E D. Duarte também deve falar mais rijo e não se associar a inicitivas duvidosas como aquele infeliz "coroar" do rei da música pimba. Caramba, quem o aconselhou?!

Tem de deixar aparecer sempre o mesmo pessoal dos touros, tias e "teas" e dar a conhecer gente capaz de ajudar a governar um pais.

Bonaparte disse...

A quem beneficia a fragmentação da Espanha? Não a Portugal, ao contrário daquilo que alguns possam pensar, mas a alguns “parceiros” europeus. É trágico para Portugal uma Espanha fragmentada.
Republicano ou monárquico, o mais importante é o nível moral/espiritual das elites.

Maria disse...

Grande Mulher. Destas precisávamos nós em Portugal. Chamar os bois pelos nomes. Esta senhora diz que os governantes espanhois vivem no luxo da Moncloa, contràriamente ao General Franco. Pois cá passa-se exactíssimamente o mesmo com a diferença de que os palácios têm outra designação: Palácio de Belém, das Necessidades, de Queluz, da Ajuda, estes para fautosas recepções a que acedem sem legitimidade alguma porque criminosos e traidores. Além de que nem sequer têm categoria pessoal por serem do mais boçal que este país já conheceu. Este facto não teria a mínima importância fossem eles íntegros, competentes e acima de tudo Patriotas.

Quem derruba monarquias ou regimes autoritários, só têm um objectivo em mente: primeiro destruir a economia desses países, para logo depois fazer o mesmo à ordem estabelecida e assim poderem prosseguir no desfalque e na corrupção. E logo após, terem rédea solta para ocupar palácios, palacetes, quintas, andares e moradias luxuosas para sua habitação própria, família e amigos e passado pouco tempo partirem para o saque às igrejas, mosteiros, conventos (no presente já não expulsam os frades e as freiras porque tudo isto já havia sido feito com sobras na 1ª república) tendo como prioridade absoluta esvaziar os museus de valiosas obras d'arte (para anos depois aparecerem nos antiquários de Nova Iorque ou de Paris) - como fizeram no Iraque, Afeganistão, Egipto e possìvelmente nos países do Norte d'África para onde foi exportada a 'liberdade' e a 'democracia' e já se preparam para deitar as sujas manápulas às riquezas da Síria e do Irão (solo e subsolo) e às respectivas longamente cobiçadas jóias da corôa - sem esquecer o ouro e divisas dos Estados, como, no nosso caso, o desbaratar de mais de quatro toneladas de ouro e de divisas desaparecidas num ápice, bem como várias peças das mais valiosas da Jóias da Corôa Portuguesa pertença absoluta do povo português.

Eles mal podem esperar para pôr a pata na Síria para, quando depuserem o presidente, darem largas ao saque a todas as riquezas do país retribuíndo lautamente os mercenários que tanto jeito dão nas 'revoluções democráticas' que andam a semear pelo mundo e em simultâneo contribuírem 'altruìsticamente' para a reconstrução desses países nos quais (propositadamente) não foi deixada pedra sobre pedra e cuja tarefa como é de calcular é entregue a empresas de construção próprias ou de amigos. Assim duma cajadada matam vários coelhos.

O que é que move estes malditos donos do universo? Ora..., várias coisas: inveja desmedida de Gente com G maiúsculo; das famílias tradicionais com justos pergaminhos; da nobreza e de tudo quanto ela representa para os povos, designadamente orgulho e o máximo respeito pela pessoa do Chefe de Estado, normalmente o Rei, características inatas advindas de séculos de vivência em comum sem quebra de regime nem as tradições que ele conleva.

Finalmente, a juntar à inveja desmedida que a burguesia republicana nutre pela aristocracia e nobreza e que já vem pelo menos desde 1789 e foi-se agravando com o decorrer dos tempos, há uma ganância mal disfarçada pelos bens daquelas e um ódio de morte pelo prestígio e reverência de que são alvo e os povos justamente lhes tributam. E porquê? Porque lhes falta tudo isso e que aquelas possuem por direito próprio e só por eles alcansável através do derrube desses regimes.

Finalizando. Estamos perante um republicanismo apodrecido e desacreditado há muito, porque além do mal que tem provocado e do sangue que tem derramado desde pelo menos há duzentos anos, dele têm brotado como políticos os mais maquiavélicos espécimes que Deus deitou ao mundo.

Mas que não haja confusões com o escrito acima. Há pessoas sem linhagem aristocrática ou nobre de elevadíssima formação moral e de uma rectidão de carácter a toda a prova. E eu própria conheço uns tantos. E não tão poucos como isso.
Maria

Pedro Botelho disse...

E uns caudilhos de galinha para acalmar?

Pedro Botelho disse...
Este comentário foi removido pelo autor.