25 outubro 2012

Já só falta conversar, falazar, falazar


O 31 é o fado, 
eterno e cantado ai, 
como nenhum. 
Desde a Abissínia ao Japão, 
aquilo hoje é pão, 
só há 31.

Chegou à Rússia e à China, 
em Espanha domina, 
e chega a Irún. 
Ai meus filhos em Baiona, 
ai que tapona, 
que 31. 

[refrão]
Vai-se a Pequim, 31, há chinfrim. 
Vai-se a Ceilão, 31, revolução. 
Vai-se a Nanquim, 31, há motim. 
Vai-se a Aragão, 31, cachação.
O 31 hoje em dia é comum, 
é tudo a dar, a cascar, a arrear;
Em Portugal  é que é só,
conversar, falazar, falazar.

Em Portugal, este fado,
ergueu no passado
um hino ao zum-zum.
À porta da Brasileira,
a trova guerreira era o 31.
Depois, veio o 28,
e foi-se o biscoito, a bomba e o pum.
Ficou tudo sossegado,
morreu o fado do 31.

Beatriz Costa, O polícia 17, de Arre Burro, 1936

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