17 outubro 2012

O segundo mais pobre da Europa: o que fez o regime por Portugal ao longo de 40 anos ?


Hoje comemora-se o dia internacional da pobreza. A geografia da fome invadiu a Europa e Portugal oferece um quadro assustador. Os números agora revelados, insusceptíveis de maquilhagem, são vergonhosos. No conjunto dos países da eurozona, Portugal é o segundo mais deprimido, aquele que tem mais pobres e oferece os números mais negros de desemprego de longa duração, percentagem de pobres, falta de condições de habitação, maior índice de insucesso escolar, maior número de falências e de insolvências. As embaixadas dos EUA, da Austrália, de Angola e Brasil em Portugal deixaram de poder acudir a tantos requerimentos para portugueses que pretendem emigrar. Entre 1958 e 1968, um milhão de portugueses, ou seja, 10% da população emigrou. Hoje, 30% dos jovens até aos 30 anos já o fizeram, 50% da população com menos de 25 anos está desempregada. Entre 1962 e 1973, Portugal cresceu em média 8% ao ano; era um país com futuro e o regime autoritário tendia a desaparecer. Hoje, a democracia liberal parece ter os dias contados numa sociedade que volta a pedir pão.
O que fez o regime por Portugal ao longo de 40 anos, para além das autoestradas, de pão e circo? Quem nos trouxe a este desastre, quem enganou os portugueses, que políticas e visões ideológicas atalharam o nosso futuro, nos reduziram à insignificância do século XIV? Só não vê quem não quer. Há quem peça o fim do governo - certamente o último do regime - e sonhe com a renovação; pura fantasia. O diagnóstico de Hans-Hermann Hoppe é implacável. Portugal foi morto pela social-democracia (do PS e do PSD) e está destinado a exibir características de um país do terceiro mundo.

10 comentários:

Isabel Metello disse...

Miguel, qualquer dia, a responsabilidade da hecatombe colectiva será dos aliens que nos foram visitando- são tão malvados e dão um óptimo bode expiatório! De facto, foram eles que se encheram com os fundos da então CEE; foram eles que se deslumbraram com o luxo; foram eles que delapidaram o Erário Público por interesses particulares autocentrados e auto-sentados; que destruíram a nossa agricultura, a nossa frota pesqueira, foram eles que apostaram em frotas de bólides renovados em cada legislatura, em vez de apoiarem a restauração dos barcos dos pescadores (não dos yates:), da compra de avionetas, helicópteros e outros meios indispensáveis aos Bombeiros, ao INEM (Autênticos Heróis que Dão A Sua Vida nos incêndios e nos acidentes), nos hospitais, na assistência social aos mais frágeis (ex: os reformados, os doentes crónicos, os doentes terminais...); foram eles que não puseram a tropa a limpar aa matas nos invernos, os funcionários camarários a limpar as fossas no Verão; foram eles que andaram a construir e, tantas vezes, a remodelar "quantidades industriais" de rotundas municipais; foram eles que foram favorecendo empreitadas ambiciosas e, tantas vezes, fora dos PDM; foram eles que deixaram cair prédios centenários lindíssim construírem horríveis mamarrachos; foram eles que destruíram o comércio tradicional, que não apostaram na sua revitalização pela actualização das novas tendências estéticas e comerciais globais, assim como na das fábricas; foram eles que entronizaram a mediocridade: atente-se que a corrupção foi sempre actualizada das bases ao topo- do poder local ao central, dos concursos internos, disfarçados de externos (com um desperdício de produtividade e de expectativas legítimas de milhares de pessoas em centenas de dias, para já não falar no de papel e outro material), destinados a alguns(as) amigos(as) (ainda os que tinham/têm mérito, ainda vá lá, mas quando são autênticos incompetentes multiplicados por 10.000, ui!, não Há Milagre de Fátima que pudesse Safar-nos, fenómeno da reticularidade das influências que se constata em todo o lado- só um cego ou um participante activo ou passivo não o perscruta...) lá ficarem; foram eles que nos afundaram criando fundações como cogumelos venenosos (com Raras e Digníssimas Excepções: a Gulbenkian, a Fundação Berardo (que permitiu a tanta gente ter contacto grátis com obras de Arte...) et alii, fenómeno tão idiossincrático que a reportagem, creio que da TVI, bem mostrou como são geridas e quem lá trabalha e porquê, alguns até desrespeitando A Memória Dos Que Partiram de Quem se dizem "Amigos" (nem sabem os ignorantes o que tal acarreta em termos kármicos, mas sabê-lo-ão um dia...); foram e são eles que cultivam um egoísmo social atroz catalisado pela sacralização da sociedade de consumo que, não raro, tb catalisou a tal OVM (Orientação Valorativa Materialista) que alguns eminentes psicólogos norte-americanos analisam, que levou/leva tanta gente a objectivar os outros, sejam estes pessoas ou animais- não raro, são todos descartáveis, até os Pais, os Irmãos, os Amigos, enfim, Aquilo que deveria ser Uma Família! Olhe, pode ser do meu pessimismo apocalíptico, mas creio que é nos momentos de crise que se fazem os testes do algodão quanto À Autenticidade Dos Afectos e Dos Caracteres e garanto-lhe que, por mais que tenha feito um esforço para ver o lado branco do algodão, a sujidade latente e patente sobrepôs-se- só um cego não a veria e garanto-lhe tb que são muitas dessas pessoas (com Raras, Honrosas e Digníssimas Excepções) que vão para as manifs, mas são capazes de destruir Vidas por divertimento, por apatia, por mera maldade, assobiando para o lado, demonstrando uma total falta de humanidade. Que se vão lixar, só participaria em manifestações de Pessoas na sua maioria Éticas, que soubessem manifestar-se não por si, mas pelos outros! Esse tb É Um dos Testes do Algodão!

Blondewithaphd disse...

Sempre fomos pobres, só que, de vez em quando, temos uns períodos de deslumbramento e pensamos que somos ricos. Depois caímos no real da afirmação da nossa pobreza endémica.

mujahedin مجاهدين disse...

«O que fez o regime por Portugal ao longo de 40 anos, para além das autoestradas, de pão e circo?»

O pão está a mais...

AMCD disse...

Teremos de ser sempre os cafres da Europa? Acreditamos mesmo nisso?

Pois os portugueses, tal como qualquer outro povo descontente com o rumo que o seu país está a levar, vota com os pés. Qual a admiração?

Agora a questão é: como alterar este estado de coisas?

Voltamos ao Estado Novo, como defendem os reaccionários? Também nesse tempo o povo votava com os pés. Lembram-se? Mirem as taxas de emigração nos anos 60 e início de 70.

Duarte Meira disse...


«O que fez este (não)regime» ?

Até 1985 destruiu a vida económica. Depois de 1985, o sr. Honório Novo, lembrar-lhe-ia que o pseudo-regime fez isto:

«Portugal permanece como um dos países mais desiguais da União Europeia, qualquer que seja o indicador de desigualdade utilizado para medir a desigualdade»

« Entre 1985 e 2009 verificou-se um forte agravamento da desigualdade salarial com o índice de Gini a registar um agravamento superior a 6 pontos percentuais, passando de 28,4% para 34,4%. Todos os índices de desigualdade considerados neste estudo registam taxas de crescimento superiores a 20% ao longo de período »

Outras conclusões podem ser lidas ler aqui:

https://aquila.iseg.utl.pt/aquila/getFile.do?method=getFile&fileId=304073

Isto, é claro, para falarmos apenas da vida (da obsessão) económica

MIGUEL disse...

POBREZA ENDEMICA?
A SUA HISTORIA DE PORTUGAL COMEÇA EM 25 DO MÊS DE ABRIL DE 1974 DO SECULO XX

Bonaparte disse...

Estou convencido que a morte de Sá Carneiro deu um rumo ao país muito diferente daquele que seria se estivesse vivo. Sá Carneiro era um nacionalista e, se fosse vivo, nunca o Dr Soares negociaria a adesão à CEE como negociou. Portanto, a morte de Sá Carneiro foi muito útil aos burocratas da CEE internos e externos - o que me leva a pensar que a sua morte não foi um mero acaso. A quem objectivamente interessou a sua morte? Sá Carneiro era, sem dúvida, um obstáculo à adesão europeia, pelo menos na forma servil como foi projectada.
A situação portuguesa actual lembra-me um certo período de Portugal que vai das invasões francesas às guerras liberais. Sobretudo certos acontecimentos, como por exemplo, em que os navios franceses saíram do Tejo, carregados de ouro e de prata produto do saque das nossas igrejas, das propriedades públicas e das casas particulares mais abastadas, sob a protecção dos navios de guerra ingleses, fruto de um acordo entre as duas potências, em que a potência ocupante, Portugal, não foi ouvida nem achada. Outro acontecimento foi, por exemplo, a convenção de Évoramonte e a forma como as potências europeias violaram, pouco tempo depois, esse acordo, deixando quase em absoluta miséria o rei deposto, D. Miguel. A campanha do Rossilhão, etc. a nossa história está cheia de traições dos nossos amigos europeus. Os nossos políticos se soubessem história saberiam que nós, portugueses, deveríamos contar apenas connosco próprios e que da “europa nem bom vento nem bom casamento”. Sempre pensei que seria preferível estar orgulhosamente sós do que mal acompanhados.

Lionheart disse...

Portugal tem uma oligarquia económica em vários sectores, e que por isso barra a concorrência, com péssimas consequências para os consumidores; tem um sistema de ensino pùlico que contribui para aumentar o analfabetismo funcional e que é - junto com o proteccionismo a alguns interesses económicos - o maior óbice à ascensão social. Perante as desigualdades sociais que esta distorção provoca, o actual regime criou, hipocritamente (porque permite esta desigualdade e as suas elites dela beneficiam), um estado social à portuguesa, útil para comprar eleições, mantendo na sua dependência muitos eleitores, os quais nunca conseguiram adquirir autonomia económica, porque não adquiriram competências para isso, e que hoje são um peso enorme para a economia do país. Estado social que devido ao fracasso do regime, e ao facto de nenhum poder estrangeiro o querer financiar, se tornou incomportável para uma economia portuguesa que não tem "endowments" que lhe permitam crescer em ritmo assinalável de modo a poder financiar o modo de vida que teve até aqui. É esta a encruzilhada de Portugal.

O pior cenário possível não é difícil imaginar, até porque não falta gente esbaforida e desnorteada a ameaçar tudo e todos com levantamentos. Não há forças organizadas, estruturadas e com pensamento próprio, para além da cartilha imposta pelos credores e por isso temo que o país venha a cair de novo na mão de patos-bravos. Sem ideias, nem vontade, com um governo que só sabe falar para fora, arriscamo-mo-nos a que venha a mandar quem for para a rua falar mais alto (e quem sabe o que mais...) com o resto do país sem saber o que fazer...

Maria disse...

Os monstruosos estragos que a esquerda, toda ela, fez a Portugal não têm perdão.
Basta só referir um, ou melhor, dois, que são indissociáveis (dos muitos milhares cometidos), a velhaquice premeditada de nos meterem à força na CEE e um tempo depois na moeda única, sem consultar os portugueses nem efectuar referendos de espécie alguma, dando lugar, passadas quase quatro décadas, ao estado miserável (em todos os aspectos) em que o país se encontra. Só estes dois actos gravíssimos de traição à Pátria que levaram à perda da nossa soberania e independência, seriam mais do que suficientes para julgar e punir severamente os culpados.

O que estes traidores, que têm estado a comer a carne a este pobre povo desde há quase quarenta anos e a prepararem-se para lhe roer os ossos, quiseram efectivamente quando se apoderaram do poder em Portugal, foi vender o país a retalho ao capitalismo mundial, não sem primeiro o destituir de todas as riquezas materiais e imateriais (sim, escrevi imateriais) em todas as suas vertentes. Estas foram indubitàvelmente as suas 'tarefas' prioritárias.

A história da "nossa adesão à CEE o mais depressa possível", era assim que os nossos 'salvadores' pressionavam diàriamente os portugueses em discursos sucessivos e continuando pouco depois a fazer o mesmo relativamente às "vantagens incomensuráveis de adoptarmos a moeda única" que iria "tirar o país duma pobreza franciscana e torná-lo desenvolvido e progressista", mais não foi do que a oportunidade de ouro (e o único objectivo destes ladrões, aliás praticado pelos governantes de todos os outros países aderentes e igualmente beneficiários do 'altruísmo' da União Europeia, para no fim esta obter o retorno dos biliões em juros obscenos esmifrados ao crente povo português - e aos outros, claro está) para empocharem centenas de milhões desviados dos biliões que eram enviados quase diàriamente 'para o desenvolvimento do país e bem-estar do povo', enviados à socapa para as respectivas contas off-shore.

Os antecessores destes hipócritas onde os há, que nos deram cabo do país e empobreceram criminosamente o povo e que tudo quanto tinham em mente era entregar a nossa soberania ao mundialismo locupletando-se cada um deles simultânea e cavilosamente com uma bruta maquia, tiveram a supina lata de, pelos idos de 75, 'aconselhar' os portugueses com fome (tal como estão agora) a "comerem atum em lata"..., isto enquanto eles se empaturravam dia sim, dia sim, no Gambrinus e no Tavares Rico com ostras e lagosta acompanhadas a Veuve Clicquot. Já faltou mais para os descendentes dos obreiros da nossa falência que, tal como os seus pais ideológicos, fingem governar mas governam-se e de que maneira, aconselharem-nos a fazer o mesmo.

Eles que fiquem seguros de que, contràriamente aos restos mortais do infeliz Rei inglês Carlos I, que mandou gravar no seu túmulo as seguintes palavras: "Do not laugh at what you see Remember in time you will be looking like me", eles irão ser alvo de chacota, palavrões e desprezo por quem passar junto às suas campas. Não o serão pelas pessoas que respeitam e honram os mortos, mas sê-lo-ão pelas muitíssimas não religiosas que os odiaram em vida e continuarão a fazê-lo seguramente depois de mortos.

Eles, os traidores, que tenham a noção do mal que fizeram a Portugal e aos portugueses e façam mea culpa. Já não irão a tempo de obter o perdão do povo, mas talvez as almas negras de que são possuídos fiquem ligeiramente mais purificadas, alijando um pouco a tremenda carga que lhes pesa na consciência.
Isto, se ainda lhes restar um átomo dela.
Maria

Filipe Silva disse...

Concordo em grande parte com o que o Lionheart escreveu.

A realidade é que desde o PREC que se vive um capitalismo crony, em que a oligarquia económica comprou o sistema político de forma a não ter de trabalhar para manter o seu estatuto.
Assim são criadas leis, regulamentações, dificuldades de financiamento, etc.. a outros empreendedores que possam meter em cheque o status quo desta oligarquia.

Como diz Medina Carreira bastava ir ver como chegaram à politica alguns dos nossos politicos e como é que estão hoje.

O caso BCP demonstra bem este regime crony, em que o Estado com ajuda de privados (Berardo foi peça fundamental) conseguem expulsar uma direcção do banco, para colocar lá ex deputados do PS, e algo que não chocou ninguém, saíram directamente da direcção da CGD para o BCP, levando com eles o know how da caixa, a informação priveligiada, etc...

A democracia é outra forma de colectivismo, e não tem nada a ver com a liberdade individual, o seguinte artigo expõem muito bem a falácia que a esquerda gosta de afirmar, que democracia=liberdade

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1345


A entrada na CEE foi mal conduzida, devíamos ter feito como fez Salazar e entrar apenas no mercado único, mas recusando o planeamento central.

O problema da UE é a aposta no planeamento central, é uma aposta no socialismo (Utilizando a definição que Heyek usava), no excesso de regulamentação, na uniformização de tudo e mais alguma coisa, da criação de quotas (que apenas beneficiam uns em detrimento de outros, prejudicando sempre o consumidor) para a produção na agricultura e pescas.

O princípio da CEE era muito bom, livre comércio entre nações, como uma forma de minorar as tensões entre países.

Mas os politicos viram aqui uma oportunidade de aumentar o seu feudo, e agora já se fala no mega estado europeu.

A UE hoje é fonte de criação de desemprego, as suas regulamentações, as suas quotas, etc.. criam um desemprego massivo, principalmente nos países do Sul, que não são tão desenvolvidos tecnologicamente como os do norte.

A UE devia regressar ao que já foi, um espaço de comercio livre e nada mais,

PS-já repararam que o Durão Barroso que aqui não serviu como PM é presidente da Comissão, o Constâncio que foi uma nulidade (cometeu o pecado capital de vender ouro ao preço da chuva) é vice presidente do BCE, incompetentes nos seus países vão o ser na UE?
Só estes dois exemplo dá vontade de fugir