30 outubro 2012

O naufrágio da Bounty e a parte boa da América


O terrível furacão que se abateu sobre Nova Iorque deixou um rasto de morte e destruição avaliado em biliões de dólares. Mau grado todos os defeitos de carácter inscritos na sua matriz cultural, os americanos são gente tenaz e forte. Decerto tirarão partido da calamidade e farão negócio, impulsionarão a economia, darão trabalho a dezenas de milhares, salvarão milhares de companhias em risco de insolvência e darão uma lição ao pieguismo de meio-mundo. A parte boa da América vai certamente revelar a que ponto  aquela gente sabe arregaçar as mangas e fazer uma vitória de um desastre. Ao tomar o pequeno almoço, sentou-se ao meu lado um casal dando largas à mais sórdida exultação pelos feitos de Sandy na Big Apple. Naturalmente, viram naquela tragédia uma vingança dos elementos contra os EUA. Só me apeteceu despejar-lhes em cima a chávena de chá.

No meio, o afundamento da réplica da Bounty, palco para um dos mais impressivos momentos da cinematografia de inícios da década de 1960, protagonizada por Marlon Brando e Trevor Howard, fita que vi e revi dezenas de vezes e comprova a inultrapassável qualidade da filmografia made in USA.

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