27 outubro 2012

Jornadas parlamentares da maioria


Foi boa a ideia, esta das jornadas parlamentares do PSD/PP, pois lembra que há uma maioria eleita há pouco mais de um ano - escrutinada, constitucional, legal e legítima - e que não há lóbi, não há comandita, "rede social", catilinária e difamação periodiqueira que a possam desalojar. Tenho seguido as intervenções, escrutinado a linguagem física e gestual dos deputados e tudo indica ter sido retomado o controlo emocional , após meses consecutivos em que a rua, os enragés (agora crismados indignados) e a irracionalidade dos opinadores fundibulários e demais jihadistas do quanto-pior melhor fez do país uma nave de loucos em busca do naufrágio nos baixios da mais chã estupidez.
Destas jornadas começa a contra-ofensiva. Que se faça em todas as frentes, pois a governação não é um futebol. À porta, como sarcófilos, os pobres dos senhores jornalistas fazendo perguntas sobre o caso relvas e a lixófila, demonstrando que este é um país de cismas e teimas, inacessível ao bom-senso e que requer paciência infinita. Lembro ter um dia passado uma tarde inteira a dar ordem unida a um pelotão de recrutas que não sabia distinguir o pé direito do pé esquerdo. Depois de horas a explicar a direita e a esquerda, recorri ao velho método da pedrinha na mão esquerda e lá aprenderam a distinguir os dois hemisférios. Assim é o país. O governo que faça pedagogia e muita propaganda, colocando na consciência de cada cidadão-rei a pedrinha negra na mão esquerda e, com o tempo, lá aprenderão.


Nótula: pela noite, no Eixo do Mal, os pândegos comensais de Balsemão sem graça e sem inteligência, inesperado comedimento nas palavras e no reles. Parece, decididamente, que as jornadas tiveram o efeito pretendido. A ressequida e pergaminhada Clara Ferreira Alves - que o meu querido pai dizia estar cada vez mais parecida com Ramsés II - entreteve-se em reparar piramidal flatus vocis (referira-se a Zenão como "Zénon"), os seus convivas repetindo à náusea piadas que já tiveram o seu tempo e até o Daniel Oliveira, o único com circunvoluções naquela estafada trupe de ouomine di paglia (ou seja, momos, palhaços), subitamente privado da loquacidade habitual.



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