08 outubro 2012

Compreende-se a fúria: o homem vai conseguir


Ao contrário do insistente vozerio, o governo está coeso e voltou a estabilizar-se, no preciso momento em que os países do Euro aprovaram a nova tranche e os credores reafirmam sem margem para dúvidas que Portugal está no caminho certo, assinalando que a economia portuguesa se está a transformar a um ritmo mais rápido que o previsto. O apoio expresso do BCE ao governo parece corresponder à confiança dos mercados. Os juros da dívida não têm parado de cair em todos os prazos desde Janeiro e Portugal está a aproximar-se do desempenho da Irlanda. A somar a tudo isto, o aumento de 6% que se prevê nas exportações até finais do ano e os mais de 50 projectos de vulto de investimento estrangeiro na economia. Com a legislatura praticamente iniciada - as eleições só terão lugar daqui a três anos - tudo indica que Portugal saírá da zona de emergência em meados de 2014.

Sei que nada disto é compreendido, pois à generalidade das pessoas falta sensibilidade para separar o tempo mental do tempo económico, o tempo do desabafo do tempo da execução política. 
A reacção ao governo começou com o escândalo Relvas. Primeiro, o assunto das secretas, depressa dilucidado; depois o caso Lusófona, um escândalo, sim, mas que terminou quando se compreendeu que naquela universidade privada há sobejos deputados do BE, do PC e do PS que não saíram a terreiro e calaram-se em omertá. É evidente que nem a maçonaria nem a indigna lei que permite cursos ad-hoc constituía matéria de indignação num regime devorado por gente predadora. Tudo escondia, ora aí está, o caso da RTP. Depois de Relvas, a fronda das autarquias trouxe a Lisboa milhares transportados em autocarros para defender uma divisão concelhia que data dos tempos do comboio a vapor e dos recoveiros de mula e cajado. Quando, finalmente, se anunciou o início do processo de revisão dos subsídios destinados às fundações - a FCCB, Inatel, Magalhães, Guimarães e Soares - mais a denúncia de PPP que permitirá ao Estado poupar mil milhões em 2013, tentou-se o falhado golpe de Estado de 15 de Setembro. A tal classe média - que pela primeira vez em 30 anos era abocanhada pela crise - serviu às maravilhas para compor a moldura, mas perdeu a energia. Seguro não se juntou à fronda, a UGT já disse que acabaram as greves e que o governo tem de ficar e até bispos da hierarquia católica disseram que Januário e as suas pieguices não fazem a voz da Igreja.

Agora, tudo se torna claro. Na ampla frente estiveram a CGTP - a mais anquilosada expressão do sindicalisto oitocentista - o BE e o PCP (advogados do agitprop que levem ao descalabro), mais barões dos negócios do PSD anti-Passos - os Mendes, os Marcelos, os Capuchos e até Correia - e outras pulgas liberais que esperaram até desesperarem que lhes dessem um lugarzinho nunca chegado. Afinal, as gorduras eram eles, os de sempre, aqueles que vivem cativamente da agitação, da manipulação dos trabalhadores, dos negócios à sombra do regime, da impunidade dos desaforos proporcionados aos apparatchik. O tom do reles foi-se agigantando ao longo dos meses, do reles datado do líder da CGTP - Carvalho da Silva é um arquiduque quando comparado com este Arménio-qualquer-coisa - ao tom homicida de Soares-macro, pedindo a "destruição desta gente [do governo]", mais a insignificante pandilha dos Eixos do Mal, dos Louçãs e dos aventesmas 

Não sei se os caros leitores se terão já apercebido da súbita mudança de humores. Agora, a SIC e a TVI, já não me mostram tão fundibulárias, as notícias dos "casos de vida" são quase alegres, contando histórias de sucesso e até o velho futebol, arredado das pantalhas durante o micro-PREC de Setembro, voltou em força.

NB: Quem assim fala não é, não pretende nem faz parte de qualquer partido.

8 comentários:

José disse...

Não percebo o Miguel: ora tanto diz que estamos à beira de um magnicídio, de um pronunciamento militar e até do fim do regime; ora exalta o governo de Passos Coelho a um extremo que um “spin doctor”, pago para o efeito por algumn saco azul, hesitaria em fazer. Há aqui qualquer coisa de Dr. Jekyll e Mr. Hyde que não se compreende: o Miguel parece pretender ter ao mesmo tempo um pé dentro do sistema e outro fora dele...

DaJuba disse...

O senhor devia ler uma pouco mais sobre as PPP.
A suposta denúncia de mil milhões refere-se a todo o período de exploração, não a 2013, e trata de renegociações dos trabalhos de manutenção. as rendas continuam lá...

Pedro Botelho disse...

«... e até o velho futebol, arredado das pantalhas durante o micro-PREC de Setembro, voltou em força.»

Então e Sua Alteza? Não vai pastorear a nova Arcádia desportiva?

Combustões disse...

José:
Tal como Maquiavel meditou sobre tempos de normalidade (Discursos sobre a Primeira Década da Tito Lívio)e sobre momentos de urgência (Príncipe), o fenómeno político permite leituras distintas e nada disso significa contradição. O tal magnicídio a que me referi decorre da clara percepção da instabilidade induzida, que tanto se pode aplicar a Portugal como ao Reino Unido. Como sou absolutamente apartidário, limito-me a acompanhar e perceber a intriga e as razões que assistem àqueles que querem derrubar a todo o custo o governo.

TMC disse...

E os cortes na despesa pública?

Nas Fundações? Nas PPPs? Nos Municípios?

Esta esquizofrenia mete-me nojo. Foi a última vez que o li.

Combustões disse...

Caro TMC
Que raio de tom, o seu. Parece só lê aquilo que não lhe cria furores. Se não quiser ler, não leia. Vá ler o Daniel Oliveira ou outros jihadistas dos paraísos mártires. É tempo das pessoas crescerem um pouco !

Isabel Metello disse...

Miguel, creio que a falta de competências de perscrutação da estrutura profunda leva muitas mentes a não perceber ao que o Miguel se refere, ou por má-fé explícita ou por incompreensão até ingénua, face à modelação acérrima a que têm sido sujeitos pelo bombardeamento mediático diário como nunca se viu! Ora, como creio que, neste país, se deve ir sempre na direcção contrária à da que a marabunta alienada (vão-me desculpar, mas não há outro termo, face ao que tem vindo a suceder desde o 25/74...) escolhe, dou-lhe toda a razão- esta campanha movida pelas forças obscuras, que não deixaria Governo algum governar, desestabilizando diariamente o país por várias frentes, provocando ainda mais danos à produtividade nacional (com greves de transportes imorais et caetera), não afectando em algo que seja os grandes das forças obscuras, que continuam a passear-se nos seus bólides, a viver no luxo e a contarem, alguns deles, com a defesa de 14 polícias e ainda a terem a lata de dizerem que "quem tem medo compra um cão" (pela lógica, estará em pânico! Por que será?!), sem que os Danieis Oliveiras contra aqueles se insurjam, até na questão das Fundações (resta a questão: porquê?! O que os leva a ter 100 pesos e 100 medidas?! Não é difícil de se lá chegar, se se for Justo e alheio a rebanhos de pensamento!!). Quais as causas estruturais da obsessão por Miguel Relvas, aparte o óbvio?! Por que não implicam com casos muito mais imorais e até, de facto et de juris, criminosos, ao nível de Crimes contra a Humanidade e tendo como vítimas seres humanos realmente indefesos?!
Mais do que informação, chego à conclusão de que todos os dias somos bombardeados com campanhas de desinformação, para que se evite ir ao cerne da questão, que é imoral, cobarde, sujo, crudelíssimo, alheio a qualquer tipo de Ética!
O Miguel tem uma visão lúcida da realidade e aplaudo-o por isso e não sou a única- muitos mais o fazem!Continue, este regime sujo e sem qualquer tipo de Ética morrerá per se, aliás, já está moribundo, pois já deu vários tiros no pé, é só esperar (o que é reles na lama caitrá!), mas é imoral eleger como bode expiatório este Governo de todo um status quo cuidadosamente urdido, até a nível legal, como base de protecção de quem deu, realmente, cabo deste país, impondo pulsões individuais imorais e nojentas, interesses pessoais e de rebanhos negros,sobre o bem-estar colectivo! É contra esses seres das trevas que se deve apontar as objectivas e não só!

Agnelo Figueiredo disse...

Gostei de ler.
Parabéns.