02 outubro 2012

Após sucessivos ataques de nervos


A vaga de gritos, insultos, esperas, ameaças, convocatórias pelas "redes sociais" e indignações comicieiras acabou como começara, num ápice, mostrando que, afinal, no sabat haveria generosa distribuição de lugares entre alucinados e bruxas. O crescendo, atiçado pelas televisões, ofereceu por dias o terrífico quadro que tudo justificava, até um golpe de Estado em pleno Conselho de estado, com defenestração de Passos Coelho e esquartejamento pela burguesia que ali se foi postar para fazer o quadro da "revolta popular". Senti o medo, um medo vergonhoso, nos homens de setenta e oitenta anos que vivem disto há quarenta. Generais com medo, ex-presidentes com medo, conselheiros de Estado aterrados, ministros de governos passados reunindo patéticos argumentos para apiedarem os carrefours da morte no dia em que explodisse a jacquerie.
Afinal, depois de tanto arrancar de cabelos e tanto tonto útil "liberal" e "conservador" fazendo o jeito aos novos 25's de Abril, tudo terminou com o não de Seguro - que se revela, afinal, um homem - e com o montículo da monção de censura que pariu um Louçã.
Sim, os indignados - quem não anda indignado com tudo isto? - perceberam finalmente que estavam a engrossar o estafado milenarismo dos estalinistas-trotsquistas do Bloco e a participar nessas missas negras que o PêCê canta desde 74. Afinal, o governo fica até 2015.
Os nossos estudiosos de ciência política têm, decididamente, muito que compreender. Eu já não me engano. Os galões da distância e o desapego de todas pequenas e grandes tentações do entrismo na política permitiram-me conhecer os mais discretos interstícios da alma portuguesa; afinal tão fácil e tão previsível na mascarada de sebastianismo e judaísmo que a adornam.
Queriam uma revolução ? Quem a iria pagar? A Troika?
O país só precisa de duas ou três coisas muito simples: trabalhar, aguentar e não frequentar sabats.

2 comentários:

Conservador disse...

~Percebo a referência ao sebastianismo, mas ao judaísmo??!!

zazie disse...

Pode crer.

Eu também disse logo que aquilo era falsamente apartidário pois até a Fundação Saramago patrocinava.