26 outubro 2012

A América que os liberais não querem ver


A Grécia está a viver involuntariamente o sistema de saúde norte-americano. Com o esgotamento dos recursos e o encurtamento dos meios para assistir aos doentes que acorrem aos serviços públicos, já só sobrevive a um cancro quem tiver meios para se deslocar a clínicas privadas nos países circunvizinhos ou quem se tiver a ventura de ser socorrido pela Igreja Ortodoxa Grega. Nos EUA, quem não tem seguro de saúde, não sobrevive. Morrem, todos os anos, 50 000 pessoas sem assistência médica - ou seja, 115 pessoas por dia - facto que coloca os EUA no quadro negro de infâmia da OMS. Li há tempos que 30% da população norte-americana padece de cáries jamais tratadas e que os 39 milhões de pobres dependem da instituições de caridade. A cultura da pobreza e da exclusão explica os 50% de ausências nos escrutínios eleitorais, os 27% de analfabetos no Tennessee (25% no Arkansas, 24% no Alabama), o primeiro lugar dos EUA nas estatísticas mundiais do crime, a maior população prisional do planeta. Há quem ainda persista na doce falácia do "sonho americano", sem atentar que o país das oportunidades se aproxima perigosamente dos Estados do terceiro mundo. Os nossos entusiastas da América lembram cada vez mais os incondicionais da antiga União Soviética: obnubilaram.
Há, decididamente, qualquer coisa de sórdido nos EUA; o centro do império apodrece.

3 comentários:

swedenborg disse...

Assino embaixo os impropérios contra o Império, mas corrija aí a liderança no crime, pelo menos quanto a assassinatos meu querido e carnavalesco Brasil é lider inconteste- 50.000/ano (denunciados, acrescente aí mais uns 25% que somem em rios e "microondas" nas favelas).Não camufle nossas glórias lulescas!

Filipe Silva disse...

Os USA não são exemplo para ninguém, e há muito que deixaram de ser o país das oportunidades, bem como o da Liberdade, apenas é retórica.

O sistema de saúde português ainda não estoirou porque o Estado foi capaz de se endividar para pagar o que gastou, a Saúde teve um deficit de 10%ao ano durante 10anos, nenhuma empresa privada conseguia tal façanha.

O próprio ministério afirma que a fraude no serviço será de 10% do orçamento, que a mim me diz que se confirmam 10 deve ser muito superior.

Em Portugal existe racionamento, as listas de espera não são nada mais que uma forma de racionamento.

OS USA são um conjunto de Estados, é normal que uns sejam mais desenvolvidos do que outros, os do Sul como o Luisiana por exemplo são mais atrasados do que Portugal.

O facto de ter a maior população prisional tem muito a ver com a estupida guerra contra as drogas, muitos dos negros presos é por tráfico e consumo de marijuana e outras drogas. Se fosse legalizado grande parte destes não seriam presos.

Thomas Sowell demonstra que antes do Estado Social americano se tornar forte, principalmente para os negros estes tinham uma taxa de escolaridade de emprego maior que a de hoje.

Por exemplo o salario mínimo, existiam negros a trabalhar por salários mais baixos (Thomas Sowell trabalhou nesses empregos), quando em Washington se achou que era errado e se instaurou o salario minimo o desemprego subir em flecha entre os negros, uma medida que era suposto melhorar as condições destes apenas as agravou, o inferno está cheio de pessoas com boas intenções.

O sistema misto americano, é privado e público, contribui para a melhoria da saúde nos países com sistemas apenas públicos,Somos beneficiados pelo sistema americano.
Como? é que nos USA como existe mais mercado livre na saude o incentivo a inovar, a descobrir é muito maior que nos sistema públicos europeus, inúmeras descobertas a nível de medicamentos, tecnologia etc... são realizados nos USA que depois vertem para o resto do mundo.

Uma investigação para ser credível tem de ser publicada num jornal da especialidade de referencia, ao fazer isso os outros profissionais tem acesso a informação que foi descoberta, apenas um exemplo.

Apesar de tudo a saúde nos estados unidos (se tiver dinheiro ou seguro de saúde) é a mais avançada e a melhor do mundo

Celso R. disse...

A fonte que usou para numerar a ileteracia no Tennessee (query.nytimes.com/gst/abstract.html?res=F30F11FD3E5411738DDDA90B94D9415B8284F0D3 - na altura estava disponível o link) é de uma notícia de 1882 (!). Não altera o sentido geral do texto, mas segundo alguns rankings não sei se no caso da iliteracia Portugal não está em pior estado que os EUA...