18 setembro 2012

Seguro estabilizado sem risco e as anfetaminas golpistas da turma da Fátima


Para quem esperasse um António José Seguro de camisola garibaldina, mascando tabaco e pistolões à Zé do Telhado sobre a mesa, a entrevista concedida à RTP foi um desapontamento. Seguro fez o papel de forte-mole -talvez demasiado sério para coisas tão pouco sérias como aquelas que por aí tanto excitam os senhores jornalistas da SIC e da TVI, os dois últimos partidos em acção no sistema - e afirmou para quem quisesse perceber que não frequenta arruaças. Acabou o sonho do golpe de Estado.
Quanto ao voto de censura, é de uma tal desproporção que acaba por ter o efeito de uma consabidíssima ameaça sem efeito que se faz a uma criança tentada pelo bolo antes da festa: "se comes o bolo, mato-te". Não tem efeito algum. Paz na terra aos homens !

António José Seguro não quer ser primeiro-ministro - pelo menos até a gravidade da situação passar - nem quer atropelar o calendário da legislatura. Parece esperar, com calma e sabedoria, sem esganiçamentos e, sobretudo, sem ter a empurrá-lo aquela magnífica geração de Alegre, Almeida Santos e Soares-macro que se aproxima do século de existência. Sempre disse que Seguro tem por si a vantagem de não ser uma luminária e funcionar, no quadro da nomenclatura, como um discreto advogado da mediania bem-intencionada. Não fossem os loci de um partido marcado com tanta antiqualha da pior tradição nacional - com equivalente no PSD que milita contra Passos Coelho - e o PS de Seguro, sem Anas Gomes, sem Silvas Pereiras, Santos Silvas, Pinhos e Linos, talvez desse como parceiro num Governo de Salvação do Regime; repito, Governo de Salvação do Regime.

Seguro sabe como todos que o regime pode morrer a qualquer instante. Uma trapalhice seria o fim. Por isso, calmo, faz o papel que lhe compete. Subiu um ponto na minha consideração. De onze, passa a 12. No próximo ano poderá chegar ao suf+ e, se tudo correr bem, terá o bom - em 2014.
Um único senão. Seguro tem de deixar aquele pequeno toque sacerdotal, porque para padre já basta o cenho do filho do Almirante Louçã. Sorria, descontraia-se porque tem a sorte de ter boa índole e ser visto pela população como o Passos Coelho da oposição.

Saiu Seguro e entrou a inefável Fátima Campos qualquer-coisa. Assistência sonâmbula, com convidados artilhados para exprimir o "que vai no coração do país", particularmente um homem-tronco (apresentado como homem de "muitos cursos") que exalta "essas grandes figuras da democracia que são Sampaio e Soares-macro" para pedir o golpe de Estado do Conselho de Estado. "Eles andem aí", não param, prontos a todas as entorses e à casuística mais roncante para defenestrar o governo. Vigilância é necessária.

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