30 setembro 2012

Seguro e Borges ou o crepúsculo dos conselheiros


Seguro esteve em Bruxelas para participar num desses encontros das internacionais que se substituíram aos partidos políticos nacionais. Alguém o terá aconselhado a fazer uso do castelhano em debate ali travado sobre a crise das dívidas soberanas. Creio que Seguro não teve tempo para, em 50 anos aprender o inglês, o francês ou o alemão básicos, línguas sem as quais se torna difícil tratar dos assuntos do nosso país junto dos protectores. Recorreu a um castelhano gorduroso que tomei inicialmente por mirandês, mas que de tão mau, tão forçado e provinciano, acabou por se transformar em divertidíssimo instantâneo do atrevimento da nossa elite indígena, tão falha de educação como de conselheiros.

António Borges, esse, conselheiríssimo, foi ao Algarve estragar em 5 segundos os primeiros raios de sol após três semanas de tempestade. Aquilo não é um conselheiro; aquilo é um incendiário. A imprensa está atenta ao mais leve desvio. Os senhores jornalistas, quase todos semi-analfabetos, não acodem para informar, mas para desinformar. Borges não disse aquilo que todos ouvimos, mas ficou o que disse, pois que esta gente não anda em busca da correcção do discurso, mas do detalhe escandaloso, usado sem pudor e respeito. As tv's passaram, decididamente, a exercer um poder quase terrorista e o governo deve cuidar dessa trágica mutação.
O grande problema do governo é o da absoluta falta de bons escribas que produzam o discurso da confiança, da partilha e da segurança. Os tecnocratas desprezam as subtilezas, a inteligência e os poderosos recursos da língua. É altura de Passos Coelho se rodear de gente que saiba ler.

5 comentários:

Lionheart disse...

Borges disse o que disse porque está refasteladíssimo na sua condição de conselheiro do Governo. Tivesse ele de dar a cara por tal proposta e depois de se submeter a votos, e outro galo cantaria. Assim é fácil.

Duarte Meira disse...

«É altura de Passos Coelho se rodear de gente que saiba ler»...

... Ou escrever. Só se for de gente escolarizada antes de 74, ou que ainda teve a sorte de estudar com alguns conscienciosos e competentes professores formados antes dessa data. Mas como estes já estão reformados ou mortos...

Às vezes parece-me que o Miguel Castelo Branco não tem ou (compreensivelmente)não quer ter a medida exacta da "crise" em que vamos despenhados vai para 39 anos.
Uma crise que não se trata com manobras de retórica e "imagem".
O Miguel não quereria dizer que, se Passos tivesse um "conselheiro" da casta do sr. José de Almeida Ribeiro - que tão bem serviu até ao fim o Burlador que andou por cá a fazer de "primeiro ministro" até meados de 2011 -, que a realidade das coisas se alteraria minimamente que fosse, pois não

Filipe Silva disse...

Concordo com o comentador em cima, mas não posso deixar de reparar na sua magreza, certamente deverá estar doente.
Se a doença for grave, geralmente as pessoas nestas alturas deixam a candura de lado e começam a dizer de facto o que pensam.

A missa ainda vai no adro, nos próximos 12meses a realidade vai mostrar a sua verdadeira face e nada será como dantes

Mário disse...

Um país inteiro vive numa segunda realidade feita de discurso, por isso não são os actos que contam mas as palavras. O mundo pode ter sido criado pela palavra, assim como a civilização precisa dela para se erguer, mas apenas no mundo contemporâneo existe a ilusão mágica de que a palavra humana se pode substituir a tudo o resto.

Gaivota Maria disse...

E o PPC deveria para o Básico aprender a ler escrever e sobretudo a contar