21 setembro 2012

Os senhores das moscas


Glosando Golding, excelente ocasião para lembrar o mal como predisposição intrínseca aos homens - outros chamar-lhe-ão genética, outros ainda etologia - verifico que cândidos trombeteiros da liberdade, da democracia e dos sacrossantos altares do individualismo não resistem à comoção do tumulto e das multidões. De sorridentes burgueses, transformam-se em feras, calcando em dias tudo quanto delas havíamos reunido em abono de inteireza de carácter, inteligência e disponibilidade para conhecer o mundo na sua variedade de aspectos. 
Sempre adepto da distância higiénica, da cautela e da reserva, comprovo - experiência dos anos - que os homens não se podem conhecer pelos adornos teóricos que proclamam, sejam estes políticos ou religiosos, mas pelo carácter. A vida dá-nos eloquentes testemunhos e ensinamentos. A maldita pulsão assassina, o demónio em forma de rouxinol invadindo a cela do ermita. 
No fundo, não passam de pirralhos. Aprendam, estudem, trabalhem e cresçam. 

2 comentários:

Lionheart disse...

A comunicação social continua a dar amplo destaque às manifestações, só faltando pôr no ar a opinião de cada um dos manifestantes. Só lamento que a comunicação social tenha estado completamente desatenta, quando não tenha sido mesmo conivente, com uma agenda de poder que adormeceu o país enquanto este empobrecia, apesar do crédito externo ainda taparva decadência. Enquanto os media iam a reboque da agenda social socialista, cujo propósito era ocupar o espaço mediático e cultural para desviar as atenções, as multinacionais já levantavam a "tenda" e zarpavam daqui para fora, enquanto o governo socialista ainda pensava como impôr a regionalização para arranjar mais empregos para os seus. Repare-se no desfasamento entre o que ocupava o país político e mediático, com o que já estava a acontecer na economia real, sem que se preocupassem com a perda súbita e brutal do investimento estrangeiro, que tanto tinha custado a captar.

Repare-se hoje como parte da classe política continua agarrada aos paradigmas do passado, sem compreender a balança de poder na Europa e como a natureza da UE mudou. Portugal entrou para uma união económica e monetária sem ter condições económicas para isso. Por razões políticas, que convinham tanto às grandes potências da Europa Central como aos países mais pobres, a zona euro tomou a forma geográfica mais abrangente possível. Mas a crise financeira de 2008 tornou claras as profundas assimetrias económicas da mesma, que ainda por cima se agravaram desde 2002. Hoje os mais países mais pobres estão obrigados a fazer aquilo devia ter sido feito antes de se entrarem para a UEM. Hoje não há mais "esteróides" na economia e a capacidade que os países tiverem de reajustar a sua economia e reorientá-lá para um crescimento sustentåvel e real, vai determinar a sua permanência no Euro. Quem não aguentar a "pedalada" tem de sair, porque já não se pode mais brincar com a economia.

As pessoas têm razões de queixa, porque estãomá viver pior, mas lamentações não são argumentos. No fundo, os portugueses deviam ter-se recordado antes deste velho ditado popular nas suas relações com a UE: "Quando a esmola é grande, o pobre desconfia."

Gigi disse...

Pois bem. E agora? Empobrecemos o país à força p/ satisfazer 'europeus' e tornamo-nos num 'Nevada' europeu, é isso que queremos, manter €uro, U.E. e demais adornos senão o Caos?
Aceitaremos fiscalidade germanica ou será tempo para soluções fora da U.E.?
N sei, mas axo k é este o debate. A austeridade desta forma não tem um fim, um propósito, nenhum 'povo' quis o €uro. Este não nos serve, x Referendem-no.
Para ser escravo do dinheiro quero o Senhor Escudo.
Quem teve medo do referendo grego?