10 setembro 2012

Charcos de lama

A crise do Ocidente é a crise da democracia, a derrocada de uma forma de governo sequestrada pelos mais desastrados, pelos mais incapazes, pelos menos preparados e experientes; é, também, a expressão da dura evidência da fragilidade dos mais nobres princípios, quase sempre manipulados por vulgares mentirosos e cliques predatórias. A velha Razão de Estado - escudada na hierarquia de prioridades e na subordinação das partes ao interesse colectivo, aquela que até justificava as lettres de cachet, a Bastilha e a revogação do Édito de Nantes - transformou-se numa ditadura que não responde pelo nome, que viola as leis que criou, que se constituiu em oligarquia inimputável. Seguindo o trajecto dos últimos presidentes da V República Francesa - Mitterrand, homem sinistro; Chirac, um vulgar burlão, Sarkozy, que não se distinguia de um  profiteur; Hollande, um não-existente - medimos a extensão e profundidade da crise  que se vai agravando década-a-década. No fundo, o triunfo da burguesia - com a sua ausência de cultura de dever, o seu egoísmo estomacal, as suas afetações e snobismos -vácuo entre a velha Monarquia do serviço e o trabalho do povo. Estaremos, com a nossa cobardia e apoliticismo, a abrir caminho para a chegada de absolutismos de salvação ?

4 comentários:

Duarte Meira disse...


Caro Miguel Castelo Branco:

A crise do "Ocidente" é e será cada vez mais mundial - e não é crise da "democracia" na medida em que já não é fundamentalmente uma questão de "política". Trata-se de uma crise do homem, tal como o temos conhecido com o nome de "sapiens", cada vez mais desajustado a um mundo cada vez menos "natural".

A propósito, e pode muito bem ser que directamente relacinado com o que quero significar: importa-se de esclarecer o que imagina serem "absolutismos de salvação"?...

Bonaparte disse...

triunfo da burguesia - com a sua ausência de cultura de dever, o seu egoísmo estomacal, as suas afetações e snobismos

Esta burguesia triunfante, sim. No entanto, não me parece que seja a essência da burguesia na sua origem, antes pelo contrário.

Isabel Metello disse...

Concordo em absoluto- gente que sacraliza o concreto, que tem um V na testa avesso a qualquer tipo de Ética e Princípios, que ainda tem a lata de se dar como parte de uma elite só pode aproveitar-se do analfabetismo funcional colectivo reinante para o conduzir ao abismo, em prol dos próprios interesses tão putrefactos! Daí a aversão à lucidez, a que apelidam de loucura, enquanto como ovelhas bem treinadas caminham agrilhoadas, encantadas pelo som da flauta do(s) pastor(es) que não passam de grandes estupores, prontos a decepá-las mal a gula lhes estimule os piores instintos!

Bic Laranja disse...

Prezado Miguel,
É complicado lê-lo tropeçando em «trajetos» e «afetações". Talvez baste uma reversão ao processador de texto, pois tenho a impressão que não redige assim. Aquilo não é português.
Cumpts.