22 setembro 2012

O meu último livro: Portugal na Campanha da Rússia


No bicentenário da invasão da Rússia pela Grande Armée, campanha que precipitou a queda de Bonaparte e o fim da hegemonia política francesa, evoca-se o embate entre um projecto autoritário de unificação da Europa - construção artificial mantida pela força das armas - e o único Estado europeu com meios para de se lhe opor. O conflito foi moderno nos meios tecnológicos aplicados, total pela indiferenciação entre combatentes e não combatentes e anunciador das grandes guerras do século XX, pelo peso que nela tiveram a propaganda, a contra-informação e os movimentos da opinião pública. A Campanha de 1812 foi algo mais que uma guerra de proporções até aí jamais vivida; acontecimento marcante da consciência identitária da nação russa, revelou à Europa o poderio russo, consagrando-o como um dos pólos do equilíbrio europeu. Na Campanha participaram milhares de soldados da Legião Portuguesa, empurrados para a aventura russa que foi, para a quase totalidade, viagem sem regresso. Em consequência da derrota de Napoleão na Rússia e das sublevações nacionais anti-francesas que se lhe seguiram, germinaria no Congresso de Viena a primeira tentativa para um acordo para a preservação da paz no continente envolvendo em concerto todos os estados europeus. 

1 comentário:

João Vaz disse...

Caro Miguel,
Parabéns pelo trabalho histórico.
Permita-me apenas uma observação: a primeira "Paz Europeia" - não apenas política, mas sobretudo religiosa - decorreu da Paz de Westfália em 1648, na qual Portugal também esteve envolvido.

Cumprimentos e continuação de boas investigações,
João