17 setembro 2012

Ó "dótores" , vão aprender a ler

É preciso ter uma paciência infinita para compreender as pessoas. Caiu-me meio mundo em cima pelos tais 10.000 - antes fossem os de Xenofonte, esses, sim, que passaram fome e frio na retirada - que estavam na José Fontana às 17 horas de sábado. Não perceberam os excitados que o texto foi escrito em três momentos, como tantos bloggers o fazem quando acompanham um acontecimento e que o mais importante lhes passou de lado. Não querem ver e, pior, falham numa competência exigida pela 4.ª classe: não sabem ler. 

Até o Daniel Oliveira - que evita este blogue, nunca o citou, nunca o criticou, pois aqui não há coisinhas de capitalismo xibante nem as politiquices do baixo campanário nativo - teve a infelicidade de me citar através do confrade Insurgente. O Daniel, não sendo iletrado - mas exaltado, assomadiço e por vozes espantosamente adolescente - logo concitou um coro de burguesinhas tricoteuses e diletantes revolucionários que me premiaram com as indignações costumeiras das guilhotinas moraleiras, todas elas - perdão pelo plebeísmo - bem foleiras.

Há muitos anos, o Professor Adriano Moreira disse-me que não prestasse atenção ao que a generalidade das pessoas dizem: não pensam, reagem: a quente, a frio, a morno e, sobretudo, reduzem tudo ao esquemático pela aposição de um rótulo. No fundo, um mecanismo que trata de evitar a discussão.. Há na maioria das pessoas um fundo pina-maniqueiro, de rato de Inquisição, de bufo e denunciante que detesto. Os dedos acusadores, amiúde com unhas em sangue roídas até ao sabugo, provêem habitualmente da mais bronca e limitada gente. Algum desses monumentos à inteligência sabe oferecer discussão limpa, clara, fundamentada ? Algum dos Sanson da guilhotina moraleira me pode explicar - peço-o de rastos, em kautaw - que alternativa têm para a denúncia do acordo de resgate? Não, e porque não a têm, tratam de reduzir o contraditório a tiras. Pior, querem continuar como viveram ao longo de décadas de mesa farta, consumo a crédito e indignações que desconheciam, porque, indignações e causas, só la para o Darfour.

Senhores dótores, vão aprender a ler ou, como aqui se diz, VÃO-SE DESPIR !

Sair da crise, como?

6 comentários:

Bonaparte disse...

. Fim do regime dos quadros superiores dirigentes do Estado oriundos das máquinas partidárias, substituindo-o por funcionalismo público de carreira;
2. Denúncia de todos os contratos de assessores exercendo funções nos ministérios, secretarias de Estado, parlamento, câmaras municipais, institutos e fundações e sua substituição por funcionários de carreira;
3. Redução do parque automóvel do Estado, circunscrevendo-o a titulares ministeriais e secretários de Estado;
4. Passagem à reserva dos oficiais superiores do Exército, Marinha e Força Aérea e limitação do quadro a seis generais ou brigadeiros;
5. Anúncio da abolição de todas as regalias e ajudas de custo auferidas por titulares de cargos públicos;
6. Redução dos vencimentos de deputados e presidentes de câmara;
7. Anulação, com efeitos imediatos, de reformas concedidas a ex-deputados e ex-governantes, com contagem de tempo de serviço e respectiva conversão ao regime geral de pensões e reformas;
8. Fim do regime de acumulação de pensões;
9. Nacionalização de todas as PPP em obras já realizadas;


Se o Primeiro-Ministro o fizesse, estou certo que teria nas ruas multidões a perder de vista a aplaudi-lo. Os grandes homens revelam-se nos momentos difíceis.

Miguel contra Miguel!

m.martins disse...

Como não é preciso ser dótor para saber ler, deixo-lhe aqui um link para que veja que alguns dótores que sabem ler também sabem pensar.

http://destrezadasduvidas.blogspot.pt/2012/09/o-impacto-no-emprego-das-alteracoes-nas.html
As suas alternativas? olhe vá-se despir o senhor!

ADF disse...

Só tenho pena de não ter acesso directo ao facebook para os camaradas de meia tijela e outros oportunistas apanharem mais amiúde com o combustões aqui a sul.
Saúde e sorte.
A Defesa de Faro.

Pedro Marcos disse...

Adriano Moreira, o está-bem-com todos?
O maior representante da "direita" bem comportada, a "direita" com autorização para aparecer?
O pai da Isabel Moreira?
Adriano Moreira, o advogado?

Um dos motivos por que se pode criticar Salazar é ter escolhido esta gente. Fala bem, é "diplomata"...
Como estadista e chefe vale zero.

O pessoal ainda vê os excelentes esgrimistas do verbo e da gramática como as super-luminárias da razão e do saber humanos?
Imperdoável.
Juvenil. Adiantou muito tanta leitura. Excesso de literatura e pouca História.

Se apesar disso apreciam o estilo, então isso explica o porquê de estarmos como estamos.
O que é preciso é homens de guerra
com um palmo de testa, não gente de salão bem falante, cheios de coisa nenhuma.

Pedro Marcos disse...

Já agora, Miguel, reveja o seu texto. Leia-o a sério.

O Miguel parece estar a reagir como o rei do "S. Vicente" que serve de fundo.

Mude isso para um "Justo".

Volte a ler o seu Xenofonte também.

Combustões disse...

Bonaparte
Perdõe-me, mas não tem razão. O regime não se safa desta se não abrir mãos das escandalosas regalias e se não passar a viver como vive o país. Eu tenho aqui dito vezes sem conta (DESDE 2005) que isto iria acabar assim.