24 setembro 2012

Compreender Marco Aurélio


O opiniarismo político transformou-se em pequena sofística e terapia ocupacional para a generalidade dos nossos concidadãos. Cada qual sentencia e detém a fórmula mágica para a crise em que Portugal mergulhou. Contudo, não foi um acordar sobressaltado, pois a generalidade dos catastrofistas de hoje são figuras cativas da indústria da análise. Confesso que os acidentes e minudências da vida política não me interessam e há muito que cultivo o meu jardim secreto, afastado da agenda política, das caras e carantonhas dos noticiários. Tudo é fugaz - os modos, as estridências, as polémicas, as cruzadas - e dentro de três ou quatro anos, questões que empolgaram, fracturaram relações, ensanguentaram tribunas, reduzir-se-ão a pouco mais que nada.
A actividade política - ressalvadas excepções - é uma arte paupérrima. Aqueles que a ela se dedicam são, amiúde, enganados pela exaltação do momento, pelo que me espanta que pessoas lidas, educadas e inteligentes consumam o brevíssimo tempo da existência em vãos torneios. A arte maior consistirá em criar distância perspectiva, evitar o tumulto, deixar barafustar os que não têm vida interior e fazer algo por nós, algo que justifique os 70 ou 80 anos que passamos nesta vida.

4 comentários:

Pedro Leite Ribeiro disse...

De acordo.

Duarte Meira disse...

« A arte maior consistirá em criar distância, perspectiva... »

Sem dúvida nenhuma, caro Miguel Castelo Branco.

E espero que do seu "jardim secreto" continue a colher para nós as provas da utilidade pública desse pedagógico distanciamento (que, entre outras, a História nos dá), em obras como a que fez na Ásia ou agora esta exposição e catálogo que organizou.

Bonaparte disse...


Na época clássica, esse Daimon levá-lo-ia a tomar a cicuta.
Penso que a (arte?) política não é uma actividade menor, sobretudo, quando estão em causa os princípios e os valores da Nação.

Bonaparte disse...


É esse Daimon que me impede também de participar na política. Embora, por vezes tenha vontade de fazer o que Cristo fez aos vendilhões do templo.