15 setembro 2012

Actividades recreativas para ricos indignados

TVI, o Jornal da Uma inteiramente consagrado à mobilização da Umma dos crentes anti-Troika. Uma Marta qualquer-coisa, um Caçador apatetado, mais um Camargo de discurso australopitéquico afirmando ter recebido adesões dos "sítios mais insuspeitos do país, como Nisa e Moncorvo" - os três com marcas de fome e privações que fariam bons bonecos para Gogol - mais uns meninos e umas meninoscas de 17 ou 18 anos debitando o mantra da crise, das privações, dos cortes e da tributação sobre os rendimentos de "quem trabalha". O dia está quente - um calor de ananazes - e a maioria alienada foi-se estender, de tanga, na Caparica, pelo que há que garantir quorum para a manif. É tudo gente do facebook.
Segue-se reportagem no Centro Cultural de Belém. "Sociólogos", "culturólogos", "politólogos" e até uma prestação do mullah Tolentino, desfardado mas com costumeiras bem-aventuranças da cidade celestial que está quase a aterrar em plena Praça José Fontana. Miudagem bexigosa na Fontana, debate ocioso e muito intelectual dos barriguinhas - os Caiates, os Pachecos de sempre, dez mil ou mais Euros por mês - a expressar "revoltas" e indignações. Portugal é isto. Hoje, terminada a comezaina intelectual que se prevê para o CCB e a passeata em direcção à Praça de Espanha, regresso a casa para o duche, mudança de roupa e jantar nas Docas.
Zapping para a SIC. O delegado sindical da polícia pedindo aos "senhores manifestantes" que não batam nas forças da ordem. Depois, o Marcelinho, a verrina de sempre, seguido pela Beleza, pelo Soares macróbio e o herói do trabalho Alegre - exemplos acabados de figuras do Redol - pedindo o golpe de Estado. Tudo à portuguesa. A mesma cobardia, a incapacidade de manter um rumo, a ânsia de sobreviver a todo o custo, manter privilégios e as redes informais que fizeram desta sociedade um case study de Estado falhado.

TANTO INDIGNADO, eu não.

4 comentários:

Isabel Metello disse...

Miguel, magnífico post, nem se precisa de acrescentar algo que seja! Só esta :) quanto ao Cayatte a revista do Casino Estoril por este desenhada fala por si :) "Egoísta" :) A intelectualidade queirosiana adora-a, vá-se lá saber porquê! :)

Lionheart disse...

LOL Essa é que é essa. Eu lamento pelos que são mesmo pobres, porque Portugal não é um país de oportunidades. Lamento também por aqueles que não viveram à custa da dívida, nem do compadrio, que faziam a sua vida sem subsídios, nem ajudas do Estado. Porque no fundo não foram esses que puseram isto na merda, nem beneficiaram da "festa", e se calhar nem votaram nos políticos que levaram o país para o lixo. E, no entanto, estão a pagar tanto ou mais do que os outros, e não mereciam.

Agora esta burguesia de facebook, esses indignados de pacotilha, esses sim que se lixem! Essa gentinha não se enxerga, não encaixa que a economia portuguesa é uma economia em desenvolvimento, mas que está em divergência com o mundo desenvolvido há mais de uma década e desde que os mercados lhe cortaram o financiamento deixou de ter utilidade para a Europa, que era a de um país consumidor. Há muito que Portugal deixou ser atractivo para investir. Um povo que preferiu enfeitar a cabeça em vez de a cultivar, queriam que desse em quê?

Portugal não tem a importância da Grécia, não podendo por isso sobrestimar a sua "mão". A exposição do centro europeu à sua dívida é muito mais reduzida que à da dívida da Grécia e por isso os portugueses não levam MESMO nem mais um cêntimo da Europa, porque os outros não precisam. E mais. Se Portugal estica a corda, mais depressa sai do euro que a Grécia, para servir de "vacina" para os outros, porque a Europa sabe que é mais fácil conter os efeitos económicos, políticos e psicológicos de uma saída de Portugal, devido ao menor interesse internacional pela nossa situação. Se é isso que os portugueses querem estão no seu direito, mas é bom que tenham consciência disso. A nossa margem negocial por causa disso é um m****.

O que Passos Coelho sabe, ainda não teve coragem de dizer aos portugueses. O que Passos Coelho sabe é que a Europa da "coesão" não volta mais. A Europa rica não está mais disponível para subsidiar o nível de vida do Sul, agora que já ganhou o que tinha a ganhar connosco. A nossa bolha rebentou, de vez. Pode o "senhor" Soares espernear à vontade contra esta Europa, que podem os outros bem, como se as lideranças políticas e as circunstâncias fossem imutáveis. E tendo em conta os tempos actuais e futuros, o "senhor" Soares podia dar o exemplo, como ex-Chefe de Estado, e abdicar das regalias de que usufrui, porque o país tem mais onde gastar o dinheiro do que a pagar-lhe segurança pessoal nas suas casas, assim como a financiar-lhe o colégio e a fundação. E quem diz Soares, diz o Sampaio e todos os outros encostados.

O país tem de viver com os seus meios, voltar a valorizar o trabalho para poder voltar a enriquecer (o que não acontece verdadeiramente há quase 20 anos) e procurar outras fontes de financiamento. Só assim se pode vir a "lixar" para a Troika, o que aliás é uma frase idiota, porque pressupõe que eles precisam mais de nós de que nós deles. Só de gente que não se enxerga. Lixemo-nos para a Troika pois, que a Europa agradece. A sério.

Combustões disse...

As pessoas divertem-se imenso com estas passeatas ao som da Grândola Vila Morene e do Povo Unidos, Jamais Será Vencido. Mais do mesmo, mas sem o toque "volkish" de 74. Agora estão todos aperaltadinhos, óculos escuros e toca a regressar a casa de táxi, pois há o duche e a noite de copas que espera.

Filipe Silva disse...

O que Portugal demonstra e muito bem é que o planeamento central não funciona, nem no tempo da ditadura existia um planeamento central com a dimensão que tem ocorrido desde que Cavaco chegou a Primeiro ministro.

A Europa mandou e continua a mandar para cá muito dinheiro, que deveria ter sido utilizado para melhorar a nossa capacidade produtiva, mas foi utilizado para consumir, desde o empresário ao sindicalista todos aproveitaram para fazer falcatruas de forma a consumir o dinheiro e não investir.

A situação nacional é muito pior que a Grega, por lá quem deve muito é o Estado grego, mas um grego normal deve pouco (60% do PIB), nós por outro lado devemos muito, a sociedade como um todo deve bastante mais que a grega, segundo dados do Zerohedge em 2011 devíamos 369% do PIB(familias, empresas e Estado) ou 669mil milhões, éramos o 3 país com mais divida do mundo, atrás da Irlanda e Japão.

O problema é que o Estado previdencia não permite que a economia privada prospere, os últimos 10anos são prova disso, as famosas politicas de crescimento, que só levaram há estagnação e ao aumento da divida.

O problema só se resolve com o desmantelamento do Estado Social (algo interessante sobre o Estado social e a esquerda, sendo que este foi criado por Marcelo Caetano é engraçado ver a esquerda defender e fazer como sua causa algo que não criou, os jovens hoje não sabem quem foi Marcelo Caetano e julgam que o Estado social é uma criação da democracia)
Mais cedo ou mais tarde o sistema vai romper, deveriamos ser como os suecos e anteciparmo nos à sua ruptura, e fazer as modificações necessária À sociedade de forma a que a transição seja operada da forma mais tranquila possível.

O Portugal rapidamente volta a atrair investimento estrangeiro se estiver disponível para fazer o que é preciso. Fazer uma constituição em condições.

O português está sempre À espera que lhe resolvam os problemas, que seja o Estado a tomar conta de tudo, e este a não ter de trabalhar(nem todos), mas depois sai de Portugal emigra, sem saber a lingua estrangeira e consegue no estrangeiro ter a vida que não tinha cá, porquê ?

Lá trabalha, lá aguenta o que aqui não estava disponível, dirão lá ganha se muito mais, verdade mas não é só isso.

Faz me recordar uma história.

Certa vez sai há noite com um grupo de pessoas fora de onde vivia na altura (a uns 200km de onde vivia) e alguns do grupo se comportavam de forma diferente do normal, perguntei o que se devia tamanha maluqueira resposta da jovem, "Aqui ninguém me conhece". Passa se um pouco com os emigrantes, por lá sujeitam se a trabalhos e condições que aqui não o fariam porque por lá "ninguém os conhece".