29 setembro 2012

A matinée das tv's


O comício da CGTP, do qual se disse faria três ou quatro vezes a Praça do Comércio, mas não chegou a uma, acabou como começou: em nada. Foi o comício das novas matinées das tv's em busca de programa grátis, não teve a alimentá-la a "classe média" da manif de há quinze dias. Se por ali passou a "classe média", depressa arrepiou caminho, pois a CGTP é um mundo antediluviano. Fala Arménio Carlos em tom de falsete. Estilo pobre, tiques e frases-feitas,velhas de décadas, enroladas nas mesmas banalidades, demagogia que espanta pelo primarismo, ausência de uma solução, exploração do sentimentalismo, ódio de classe,  inveja de cervejaria, tinta de bolchevismo envergonhado. Tudo terminou com a convocação de uma greve geral, o mais estafado dos mitos oitocentistas.
Arménio fez um grande favor ao governo e terá feito arrefecer os entusiastas dos messianismos burgueses que se expandiram ao longo das últimas semanas em boas-novas e flores de miosótis, pedindo novos 25's de Abris e novos 1.º's de Maios que terminariam inapelavelmente em novos PREC's.
O ajuntamento da CGTP, punho cerrado e Internacional, demonstra a que extremos de indigência chegou o "movimento sindical", reduzido ao funcionalismo público, às câmaras empregadoras, aos reformados e aos estivadores que vencem 3 e 4 000 Euros por mês. Para quantos pensavam ainda num golpe de Estado - definitivamente inviabilizado na reunião do Conselho de Estado - este ajuntamento terá sido suficientemente eloquente. Lembrou que, em Portugal, tudo começa e acaba com a ligeira distância que separa o sublime do ridículo. O governo pode voltar ao trabalho.

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