17 agosto 2012

O começo do fim da hipnose



A presente situação na Síria - pese tudo o que distingue a matriz cultural, étnica e religiosa dominante  nesse país do Médio-Oriente - lembra-me a violência que irrompeu nas ruas de Bangkok há mais de dois anos. Então, dei-me conta da cobardia, da cegueira, do comodismo, da irresponsabilidade e até da mais chã estupidez de alguns "diplomatas", assim como da rica, ociosa e devassa comunidade "farang" que ali vive com privilégios que fariam corar um sultão das mil e uma noites, todos bem pensantes, todos colonizadores arrogantes, todos com carteira e cartões de crédito bem municiados para comprar carne branca a preços de saldo.
Foi na acareação do que via nas ruas e do que ouvia pela noite nos noticiários internacionais, que avaliei a extensão dos estragos à verdade causados por essas máquinas de condicionamento global que são as CNN's e as al jazeera's da plutocracia imperialista. Trata-se, amiúde, de gente adestrada na arte da mentira, da manipulação, alvar e semi-analfabeta repetindo slogans, frases-feitas, espalhando boatos, torcendo verdades, esticando mentiras.
Os ocidentais foram educados a tomar partido por quem faz protestos. Se esses protestatários se afirmarem paladinos da revolução - qualquer revolução - se exibirem uns trapos vermelhos, se se arrogarem a freedom fighters (até podem ser maoístas ou salafistas), têm garantido o aplauso dos burguesinhos europeus e norte-americanos enterrados nas poltronas de salas aclimatizadas algures em Londres, na Avenue Foch ou num penthouse de Manhattan. 
Desde sexta ou sábado passados que se começou a manifestar o fim da hipnose a respeito da Síria. Surgem vozes, comentários marcados pelo espanto de quem foi ensinado a dividir o conflito entre lutadores pela liberdade e opressores. Afinal, os libertadores assassinam ,violam, raptam e matam jornalistas, destroem igrejas, praticam execuções e massacres em frente das câmaras, atiram pessoas vivas de prédios, irrompem por cidades, vilas e aldeias e matam que se lhes opuser ou quem por eles não tomar partido. Eu sei que, na generalidade, as pessoas são crédulas, que vivem num pequeno mundo de banalidades e daí só saem se empurradas para a realidade. Nunca como hoje, tanto homem e mulher que se consideram livres foram alvo de tanta manipulação; nunca como hoje, tão poucos manobram, condicionam e gerem os sentimentos de tantos; nunca como hoje, grupos criminosos dominam tão largas extensões de poder, usando-o para praticar o mal absoluto.

2 comentários:

João Amorim disse...

Nunca como hoje tantos se julgam "livres" embora não passem de carneiros.

mujahedin مجاهدين disse...

Até o Miguel não é tão livre como pensa que é. O condicionamento e a gestão do sentimento são mais profundos do que até os mais cínicos pensam.

O século XX é o século da infâmia, como ontem V. deu exemplo com o Vietnam. É necessário questionar tudo, revirar tudo do avesso, escrutinar o mais evidente facto, para que se tenha a mínima hipótese de vislumbrar a realidade com um mínimo de lucidez.

Mas a base para isto está bem enraízada já nas pessoas. Já foi aceite como indisputável. Tudo isto não passa de ramagem. A raíz da manipulação continua quase intocada. Até que seja destruída, ou melhor, arrancada e trazida para a luz do Sol, nunca seremos verdadeiramente livres.

Vivemos cada vez mais numa quimera feita de 1984 e Brave New World...