03 agosto 2012

Mitomanias


O país tem andado a correr de miragem em miragem, esbracejando para afugentar fantasmas, falando sem parar, evitando o silêncio da reflexão. É a segunda crise neste verão. Primeiro foi o futebol, a gritaria e as cãibras de estômago sempre que se abeirava o "jogo decisivo", aquele que nos catapultaria de novo para a condição de potência. Agora, os jogos olímpicos, com um estendal de logros, desistências e desclassificações fragorosas. O respeito de um país e o auto-respeito não se fazem com o pé na bola, a mão na raqueta, as sapatilhas no tartan. Não há jogo, medalha ou taça que substituam uma patente científica, uma nova empresa de excelência, a subida de uma posição no podium das estatísticas de produtividade, competitividade, escolarização e literacia. Parece que pusemos tudo de pernas para o ar.

1 comentário:

jorge.oraetlabora disse...

Muito bem, Miguel. Mais uma vez um comentário sensato e pleno de verdade.