06 agosto 2012

Hiroxima, 67 anos



160.000 pessoas pulverizadas em 10 segundos. Mais que a morte em escala industrializada - o maior crime de guerra de toda a história - a indiferença de quem exibe estatísticas e recorre aos "ses" de futuríveis que não passam disso. O presidente deu a ordem de matar uma humanidade por atacado e foi-se deitar. Quando o acordaram,  levantou-se a custo e disse que lhe fizessem o relato pormenorizado após o jantar, pois estava com fome e nada se podia interpor entre a sua fome e um bife mal passado. Esse Eichmann de além-Atlântico era, como o cinzento burocrata, um homem igualmente pacato, eterno número dois, meticuloso, quase-insignificante. Afinal, talvez acreditasse em castigos colectivos e nunca mostrou o mínimo remorso. Um fê-lo em nome do racismo instituído em doutrina de Estado; o outro, invocou a liberdade e a democracia para conquistar a paz. Na axiologia dos homens de poder, a verdade é sempre a primeira vítima.

1 comentário:

Duarte Meira disse...

A "invocação da liberdade e da democracia" eram mera hipocrisia.
Do que se tratou foi de uma aplicação coerente com o utilitarismo "moral" dominante na cultura anglo-saxónica: a continuação da guerra por meios convencionais acarretaria um custo demasiado elevado.

Não esquecer, porém, os custos que a experimentação em Los Alamos com o Projecto Manhattan acarretou para milhares de civis (e militares) americanos expostos - deliberadamente - a doses sobrelevadas de radiações. Se esta gente nem com os seus tem escrúpulos...