29 agosto 2012

A raiva silenciosa


A raiva silenciosa dos adeptos do quanto pior, melhor, deve ter hoje conhecido um episódio de dores estomacais . Portugal vai no bom caminho e o povo não se queixa. Ao contrário dos profissionais do protesto - todos derrancados em empregos para a vida inteira nas indústrias do protesto e da crítica verrinosa que são os sindicatos e os partidos - a população tem aguentado as mais duras provações. Este é um povo que carrega, infusa no seu génio nacional, a arte de sobreviver. O país tem sido maltratado, roubado e enganado ao longo de décadas, mas demonstra uma quase heroicidade muda. Barroso fugiu, como fugiram Guterres e Sócrates. Passos ficou e lá está, fazendo o que outros, por medo ou por demagogia, se recusaram fazer. O choque financeiro está a dar resultados. Passos Coelho está de parabéns. Agora só falta uma política económica, não a dos maníacos do vende-tudo da colonização plutocrática, mas a da reconstituição da malha empresarial destruída por sucessivos decretos de Bruxelas. 

9 comentários:

Isabel Metello disse...

Ah sim, as cúpulas dos sindicatos são do pior! Ui (ego vidi)! Se nesse campo gastronómico fôssemos pelos tachos ainda faríamos mais dois pares não de sandálias da Joana Vasconcellos, mas de botas de tacones lejanos e de cano alto que até poderiam estar expostos no Museu da Resistência ou então nas sedes todas pomposas, como a da UGT...Por falar nisso "Onde está o Torres Couto?", que não o Wally- alguma vez aquela coisa dos fundos e tal foi esclarecida? Se estiver errada que me esclareçam. Bem, ver o Proença, antes da grande greve, estirado, a fumar charuto, numa das chaises longues do Hotel Polana (a diária do Hotel Polana deve ser média deve! Talvez com cada diária pudesse alimentar uma família num mês!) foi de partir o côco! Miguel-é o que eu julgo- Eça de Queiroz foi mais do que um escritor, foi um áugure misturado com sociólogo, pois conhecia muito bem o passado, perscrutava fabulosamente o presente e previu na perfeição o futuro...Se formos por aí até poderemos dizer que há aqui um fenómeno qualquer que nos mantém na mesma dimensão, apenas mudando a forma das personagens (as fatiotas e tal...:). O Governo está a ir de quiantal em quintal e é esse o m.o. eficaz- daí a histeria dos tais que só são muito humanos para a objectiva!

Lionheart disse...

Portugal não está no bom caminho. Uma coisa é a avaliação internacional, outra bem diferente é o estado da economia real, que é MUITO GRAVE. Aceito que o governo faz o que pode, mas não tenha dúvidas que no próximo ano a situação pode escapar rápidamente ao seu controlo. Haverá um agravamento fiscal significativo devido ao aumento do IMI e ao fim dos benefícios e deduções fiscais no IRS. Muitos contribuintes que até agora recebiam IRS vão passar a pagar.

Do lado das empresas assistimos ao colapso de sectores económicos inteiros. A construção está num descalabro por falta de liquidez. Ninguém paga a ninguém e assim, mesmo empresas que têm trabalho encostam porque não recebem e deixam de poder pagar a fornecedores e funcionários. Ninguém pede que se lancem obras para dar trabalho a empreiteiros. Exige-se apenas que se cumpra o que está contratualizado. Que o Estado pague o que deve e que a banca cumpra com o que se comprometeu (o caso Roquette-Alqueva é uma gota no oceano, muito mais casos há e com consequências mais graves para a economia), em vez de gastar o dinheiro todo a comprar a dívida do Estado. Apenas 2% da dívida portuguesa de curto-prazo é detida por estrangeiros, o que significa que é à custa dos portugueses (banca) que os juros da dívida portuguesa têm baixado nos mercados. Mas depois continuamos com o mesmo sufoco na economia privada que havia no tempo de Sócrates. Ou seja, temos melhor imprensa, mas os resultados práticos são uma economia privada cada vez mais insolvente.

Por isso não partilho do seu optimismo. Enquanto o país não conseguir sensibilizar os credores de que não se pode destruir a economia nacional para pagar a dívida externa, não vai baixar o défice orçamental ou a dívida pública, e muito menos gerar crescimento económico.

jorge.oraetlabora disse...

Caro Miguel,
peço desculpa mas divirjo da sua opinião.
Só vejo ataques profundos - em termos de impostos - à classe média. E a classe média é a que tem sustentado sempre o País (e as regalias dos políticos).
E ainda não vi serem postas em prática as alardeadas medidas de contenção das despesas do Estado, bem como os cortes que se impõem a tantos "executivos" que vivem faustosamente, num dolce far niente (pior, quando fazem algo sai prejuízo...), nem a extinção completa de organismos supérfluos (ou duplicados).
Por outro lado, não se vislumbram políticas que originem condições para os jovens poderem singrar no seu País.
Parece-me que o Dr. Passo Coelho e seus ministros deveriam percorrer o País real para se aperceberem como vivem as pessoas, e das dificuldades que atravessam.
As dificuldades extremas e o ir ao bolso sempre dos mesmos, empobrecendo cada vez mais aqueles que sustentam o País, pode vir a ocasionar sérios problemas... Não se pode "castigar" em demasia estes verdadeiros escravos do regime...!

Combustões disse...

Caros Lionheart e Jorge:
Eu digo isso, pois falta uma política económica. O governo que não cumpra as disposições anti-nacionais da União, que feche os olhos à produção agrícola, às limitações à pesca, aos regulamentos feitos por burocratas tarados de Bruxelas. Podemos fazer tudo. Eles não interferirão.

Duarte Meira disse...


«Podemos fazer tudo. Eles não interferirão.» ???

Como é que o estimado autor deste blogue, habitualmente tão realista a tantos respeitos, pode dizer coisas destas? Receio que esteja a ser vítima dalgum exasperado investimento sentimental-sebastianista, que a qualidade medíocre das pessoas deste governo de maneira nenhuma justifica. (Parece que os exemplos de austeridade, que nos primeiros dias até dispensavam a classe vip nos aerotransportes, acabam agora a aumentar as “despesas de representação” nos ordenados mensais...) Mais provável é o Miguel ver satisfeitas as suas esperanças na prospecção do petróleo que se está a fazer a poucos metros do mosteiro de Alcobaça!...

Não podemos fazer nada, porque não temos nada! O que temos é de ir pagando, os pagantes do costume, não os comissariados da UE e gestores da nossa penúria, – e pagando por décadas -, uma mantida subsistência com denominação de origem “Portugal”.

Receio que o comentador Jorge Beneditino tenha toda a razão, e Miguel Castelo Branco nenhuma. Antes fosse ao invés.

Combustões disse...

Duarte
Para a reconstituição da economia é necessário capital que ninguém nos emprestará. A solução conhecemo-la todos, mas ninguém a pode aplicar: moeda própria, fronteira económica, saída da UE e AU-TAR-CIA. Quer experimentar ?

Álvaro Queirós disse...

porque não.

grandes males, grandes remédios.

Mário Rodrigues disse...

Infelizmente, parece que vai prevalecer a "política económica dos maníacos do vende-tudo da colonização plutocrática", dos Borges, & Cia.

Filipe Silva disse...


A realidade é que o que o Miguel defende esta a ser realizado na Argentina, e os resultados estão a ser um empobrecimento ainda maior do que o nosso, a inflação está fora do controlo, e existe escassez de produtos que até as industrias do país necessitam para produzir.

O proteccionismo nada resolve, é uma forma de beneficiar uns quantos à custa da sociedade como um todo, nomeadamente os políticos.
Para não falar que hoje a Argentina já está a sofrer represálias dos outros países.

O regresso ao Escudo, seria uma boa ideia, 1º se os portugueses estiverem dispostos a aceitar que no curto prazo as coisas vão ficar muito piores do que hoje estão. 2º Se se romper com o sistema actual de banco central, em que os políticos (apesar da independencia destes no Papel, a realidade é bem diferente), tem o poder de mexer no valor da moeda.
3º Reformas estruturais dignas desse nome, e não operações de cosmética para inglês ver, como as levadas a cabo pelo governo.

Penso que assim no espaço de 5anos estaríamos em condições de regressar a crescimentos sustentáveis



Para não falar que o que certamente ocorreria era, como de resto passou na Argentina, fome e desta vez seria a Classe média a experienciar este fenómeno.

Agora essa treta da Autarcia, só ia levar a inflação galopante, e a uma pobreza ainda maior.
David Ricardo já demonstrou com a sua teoria da Especialização do trabalho a vantagem do comércio internacional bem como a asneira que é a tentativa de se viver em Autarcia, mais uma vez estudar caso da Argentina de hoje.
.

Mais se todos começam nessa treta do proteccionismo, basta lembrar que foi isso que levou aos conflitos da 2GM

O que está a defender é outra modalidade do que temos vivido sempre e que tem sempre levado a mão porto, o Planeamento Central.

Einstein dizia "insanidade é fazer a mesma coisa várias vezes e esperar resultados diferentes"

Tenho de concordar que este caminho que a UE está a seguir não é o correcto, ao criar regulamentações a torto e a direito, cria desemprego, principalmente em países como o nosso.

A criação do mega estado europeu é de meter medo, é que se Barroso e o Constâncio conseguiram chegar a lugares chave, dá vontade de fugir.

A única forma de rasgarmos com estas amarras é romper com o planeamento central, e deixar o mercado resolver os problemas, deixar de regular toda e qualquer actividade de acção economica, os últimos 10anos foram de lição, o keynesianismo não funciona, e o socialismo nunca funcionou, porque não aprender isso e dar um hipotesse a algo que nunca foi posto em prática em Portugal o capitalismo de mercado livre?