10 agosto 2012

A questão dos ares condicionados


Polémica acesa sobre a espionagem supostamente desenvolvida pelo PC através dos aparelhos de ar condicionado que a FNAC colocava "durante a guerra fria" em ministérios. Uma boa rábula portuguesa, em versão 003 ou 004 - para mais não dá a paródia que tem sido Portugal desde os idos da revolução - quando se pretende transformar uma pilhéria de verão em assunto de Estado. É evidente que o PC - que sempre funcionou como seita, com segredos, omertà, castigos e arcanos - seria capaz disso e muito mais. Mas há duas coisas que me surpreendem. Zita Seabra estava lá e só saiu após a Guerra Fria.Se participava na engrenagem de uma organização que subtraía segredos de Estado e calou, devia (se tais crimes são imprescritíveis) ter denunciado a espiolhite. Não o fazendo, foi e ainda deve ser objecto de investigação. Porém, nada disto parece ultrapassar o nível chineleiro das coisas da terra.
Quanto ao PC e a Portugal, deixaram verdadeiramente de interessar após Novembro de 1975. O PC fez o que a internacional a que se submetia lhe exigira. Após a independência de Angola, Portugal era pouco mais que nada, estava terminado, reduzido a montão de escombros. Foi para isso que se fez o PREC: para desagregar por atacado um país que dava cartas no tabulado internacional. Que magnas informações podia retirar a URSS e a RDA de um país ananizado e onde, para mais, pelo menos metade da massa de funcionários públicos podia debitar todo o tipo de informações às células do PC ? Aliás, que segredos teria portugal a revelar à URSS? A fórmula do caldo verde? O segredo dos enchidos de Murça? Há que ter o sentido do ridículo, o último traço de dignidade a que as pessoas se devem manter fiéis.
Desconfio que por detrás desta algazarra de miúdos há coisa vil: há dinheiro. Não haverá por aí medo pela reentrada em cena do homem que fez da velha e portuguesíssima FNAC um potentado nas europas e Áfricas, o barão vermelho Alexandre Alves, que agora quer transformar Portugal num dos maiores produtores mundiais de colectores solares? A inveja, para mais a traição anti-nacional, tem entusiastas da esquerda à direita.

1 comentário:

Duarte Meira disse...

« Foi para isso que se fez o PREC: para desagregar por atacado um país que dava cartas no tabulado internacional. »

Isto do lado da comunagem. Do lado sa súcia soaresca faltava o resto: - amarrarem-nos de pés e mãos à gamela da "Europa". Aqui estamos, reduzidoa a cevados.

Mas a questão, caro Miguel Castelo Branco, não estava só em "dar cartas". Estava, desde o XV, em garantir as condições da autonomia política. A raça dos cevados, contudo, pensava que nós andávamos em África apenas a "explorar os pretos". E pensavam mais, se pensavam nalguma coisa: que uma nação constituída em Estado num território europeu tinha de se confinar emparedada nesse território, entre o resto da Espanha e o mar. Ou abdicar.