06 julho 2012

Universidadezecas

As privadas, desde que existem, têm sido justamente apontadas como maus exemplos. Foi a Livre, depois a Moderna, logo de seguida a Independente e a Internacional. Com sinceridade digo que, sempre que confrontado com um currículo, o primeiro olhar certificador detém-se na instituição de origem. Até prova em contrário, desconfio da competência académica dos produtos dessas para-universidades.
As universidadezinhas e as suas negociatas, os atrevimentos impantes e conúbios que as caracterizam, a desclassificação da maioria dos seus corpos sociais dirigentes, os acordos internacionais que estabelecem para garantir turbo-doutoramentos; tudo isso é suficiente para as subalternizar. Sinto, até, algum acanhamento e vergonha naquelas pessoas que por lá estudaram. Motivos vários concorrem para essa diminuição. Lembro-me de uma certa universidade, onde se constituiu uma "Associação dos Antigos Alunos da L..." duas semanas após homologação ministerial. Não é a excitação das praxes violentas, os coros, o trajo, as queimas e a bênção das pastas que fazem uma universidade. Há-as sem biblioteca, entregues a sapateiros e famílias (pai, filho, filha, mulher), há-as instaladas em apartamentos sem quaisquer condições; há-as com centos de licenciaturas, pós-graduações e mestrados absolutamente absurdos. A culpa não é dos atrevidos que se meteram no negócio, mas dos titulares ministeriais que as aprovaram. A promiscuidade das universidades soit-disant com os partidos, com os jornalistas, os sindicatos e até com organizações secretas-discretas; tudo isso, de tão estranho, seria suficiente para que narinas mais sensíveis se afastassem. Mas há dinheiro, saguates, recompensas em género ou diplomas, favores. Tudo isso me enoja.

4 comentários:

Lionheart disse...

E as fundações para lavar dinheiro? E a promiscuidade entre "professores" e estudantes, os quais faltam às aulas para que os "doutores" apanhem os caloiros nas salas de aula e não poderem fugir às praxes (esse "avanço" que foi recuperado pelas privadas nos anos 80); ou se fazem convidar para as festas dos estudantes, para ver se papam umas alunas? Então e o carradão de licenciados em Direito que dá aulas nas privadas e depois é preciso meter cadeiras relacionadas com Direito em tudo o que é licenciatura de ciências sociais? E os professores com licenciaturas tiradas no estrangeiro que não são reconhecidas em Portugal e mesmo assim são regentes de cadeiras? E o assédio sexual despudorado sobre alunas, até lhes pedindo o número de telefone durante a realização de exames orais? É uma festa!

Liceu Aristotélico disse...

Quem diria: da universidade pombalina passámos à universidade pornocrática!!!

scheeko™ disse...

A culpa do tráfico de droga é dos policias e inspectores não fazerem devidamente o seu trabalho?

A comparação talvez não seja a melhor, pois o estado tem o dever de ser o regulador e o fiscal, e abrir uma universidade não é actividade ilícita, mas não se pode descartar as culpas aos tais "atrevidos".

Salvo raras excepções, as universidades privadas não foram constituídas com objectivos de qualidade, mas sim para predar sobre o boom de alunos que existiu no final do séc. XX. Raros eram os casos em que pretendiam atrair os alunos prometendo qualidade; ora era por explorarem a "doutorice", ora para apanhar os que não tinham média e pensavam (por ilusão ou deliberadamente) que aquela seria a única alternativa.

A.F disse...

Num País em que toda a gente é engenheiro ou doutor, quem quer um canalizador, um carpinteiro, ou um técnico intermédio de qq coisa..já se vê á rasca...
é isto o estado a que chegamos. Todos são licenciados..mas depois a maioria descobre que fez um curso que não serve para nada,e que por outro lado durante esse tempo esse curso não o preparou para outras opções na sua vida. ou seja, acaba por valer zero.

A petulância e o chico espertismo do português ( temos muitas qualidades, mas com o tempo fomos perdendo a maioria, e ganhando defeitos ) construiram esta realidade, após 50 anos em que o povo na sua generalidade era oprimido, todos quiseram subir para o anteriormente inacessivel « poleiro do doutor ». E claro que alguem começou a explorar financeiramente essa situação, fazendo brotar univeridades falsas aos montes, como couves. Ninhos de fraudes e vendedores de sonhos ( e de licenciaturas )

Mais um dos muitos pregos que fomos cravando na nossa sepultura ao longo dos anos.

André