13 julho 2012

Uma clara sensação de fim de era


Parece que tudo se desmorona. Os cidadãos, que acordam da letargia e se dão conta que, afinal, não o são; que poderes ocultos nos arcanos por eles decidem; que tudo está viciado; que nada parece sob controlo das leis; que os magistrados, os ministros e demais governantes, os deputados e os polícias estão lá para enriquecer, para se locupletarem e guardarem privilégios; que a Constituição não passa de uma velharia esfarrapada digna do caixote de lixo; que a tropa é uma ficção; que não há nem escola, nem saúde; que corporações amesendadas fincam as garras e mordem quem delas se aproximar com a candeia do bom senso; que os jornalistas são mujiques em batalhas de lama, servindo que lhes paga e não a verdade; que o país foi rapinado até ao osso com requintes de selvajaria por verdadeiras cliques predatórias - inimigos internos mais insensíveis que janízaros - e absolutamente, inconscientemente, criminosas; que os portugueses, roubados, cuspidos, empobrecidos, ameaçados e chantageados, são agora espoliados nos seus últimos haveres, ou convidados a sair do seu próprio país por um regime que inscrevera no seu frontão de promessas "a paz, o pão, a educação, a saúde e a habitação" (lembram-se da cantilena?); que tudo foi feito em nome do "bem-estar", da "liberdade", da "democracia" e da "Europa"; que socialistas, comunistas, mrpêpistas de ontem, "democratas-cristãos", "conservadores" e "liberais" eram e são-no, todos, nomes diversos para o mesmo flagelo; que a palavra de um ministro, de um director-geral, de um bispo, de um sindicalista ou de um juiz valem menos que as juras de uma prostituta ou de um assaltante de estradas...
Quando isto acontece e a esperança morreu, uma clara sensação de fim de era pode convidar ao suicídio. Porém, os povos não morrem assim. Estamos, meus amigos, à beira de algo que vai acontecer mais cedo do que pensávamos. Disso estou tão certo como a inelutável marcha dos ponteiros de um relógio.
Que vergonha estarmos desterrados na nossa própria terra.
Compreendem agora, ó senhores canários, porque razão pedimos a monarquia? Ou preferem antes uma ditadura brutal ?

2 comentários:

Duarte Meira disse...

A mudança de regime teria de ser a mudança de regime de vida. Como seria possível, mesmo que não estivéssemos ligados de pés e mãos ao Império Eurásico em formação ?

Que grupos, movimentos ou instituições sociais temos capazes disso ?

As Forças Armadas? Intelectuais ? Grupos políticos?...

Só vejo entre nós uma instituição capaz de reservas para a resistência possível, e com armas para a nova e decisiva espécie de combate que já se está a travar.

O Miguel não tenha quaisquer ilusões sobre o velho mundo da Política. A coisa desbordará completamente esse domínio.

Unknown disse...

Seremos uma mera consequência do deflagrar da tempestade em preparação "aqui ao lado" .
Com os Pirenéus funcionar como barreira "profolàctica"...