01 julho 2012

O duplo mistério do bolchevismo



Embora tratando-se de uma simples fita para a televisão, e porque quase tudo o que se faz para a tv nasce sob o signo do péssimo (com exclusão, datada, das saudosas séries britânicas dos anos 70 e 80), o Stalin interpretado por Robert Duvall enche o ecrã. O locus horrendus  das distopias criadas pelo bolchevismo exerce sobre qualquer um a mesma atracção que Nero, Átila e Hitler. Mas pior, bem pior. De facto, mais que o nazismo - que durou 12 anos, morreu de morte macaca, nunca escondeu os seus propósitos e exerceu o seu poder sobre uma fracção mínima da geografia planetária - o comunismo foi quase centenário, chegou a dominar metade da população mundial, teve e tem defensores e nunca foi submetido a julgamento.
O bolchevismo foi um salto sem fase intermédia do individualismo para o colectivismo; da economia de mercado para o primitivismo dos regimes da mais recuada antiguidade pré-clássica; o ódio quase selvagem ao espírito e à cultura; o total desprezo pelas pequenas e grandes coisas que fazem a felicidade e a honra das pessoas; a atracção pela violência e a moralização do extermínio.
O mistério que envolve esta crença primitiva que impôs uma regressão tolerada e aplaudida centra-se, afinal, no carácter da gentalha que o animou. Como foi possível que um gang de facínoras, gente absolutamente falha de formação recrutada entre o lumpen de desocupados, revoltados e inúteis, se pudesse apossar do Estado russo, e logo no poder, montasse um regime que não passava de ampliação de um reles grupo de criminosos? Mas mais preocupante - o mistério dos mistérios - por que razão não se exigiu que os seus dirigentes e colaboradores não pagassem por tantas dezenas de milhões de crimes, quando as estatísticas mais sólidas apontam para mais de 100 milhões de mortes causadas por tal flagelo.

4 comentários:

swedenborg disse...

Fugindo do assunto, só uma notícia que poderia inspirar um pouco nossos movimentos monárquicos:

http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/bbc/2012-07-01/liechtenstein-rejeita-diminuir-poderes-da-monarquia.html

Lionheart disse...

"O mistério que envolve esta crença primitiva que impôs uma regressão tolerada e aplaudida centra-se, afinal, no carácter da gentalha que o animou."

E no carácter da gente que os apoiou, todos movidos pela INVEJA. O comunista é essencialmente um invejoso que não pode ver nada nos outros que não deseje apoderar, porque o outro não pode nem merece ter, mas o comunista, o "high and mighty" comunista, o "justiceiro" de pacotilha, merece tudo. Mas há ideologia mais hipócrita do que esta? A igualdade é para os outros, pá, porque o comunista "abotoa-se" com o que tira aos que "não" merecem nada. Está-se mesmo a ver como esta peste caiu cá que nem ginjas para a gentalha tuga. Foi só decorar a cartilha ideológica.

Liceu Aristotélico disse...

O "mistério" a que aludes é esclarecido, em grande medida, por autores como Antony Sutton, sobretudo em "Wall Street and the Bolshevik Revolution". É também autor de "Wall Street and FDR" e de "Wall Street and the Rise of Hitler". Uma trilogia a não perder, até porque praticamente desconhecida na cultura inculta das universidades dominantes.

Justiniano disse...

Caro Castelo Branco, custa-me ler-lhe estas linhas afinadas em desdito desdém àqueles que se animaram de um misticismo apoteótico, procurando fazer outros mundos que não os mundos das suas condições de miseráveis!!
Não ler naquele evangelho, que como disse, o caro Castelo Branco, converteu mais de meio mundo à descoberta do possível para além do possível e que os animou a tomarem nas suas mãos os detinos das suas misérias, a mais profunda espiritualidade que se pode alguma vez ler é simplesmente cegueira!!
É não compreender que, por vezes, os miseráveis anseiam em dominar a miséria!! Que odeiam e amam a Deus como se amam e odeiam a si próprios!!
Aquele mundo está longe do vazio insano a que o caro Castelo Branco se refere, aquele mundo está repleto de humanidade macaca que é a única que, verdadeiramente, se conhece!! Não me louvo naqueles miseráveis que falharam e sucumbiram à sua miserável tirania mas naqueloutros miseráveis que se entendiam no direito de ser quem eram e que sucumbiram à miséria que tomaram nas suas mãos mas que era todavia muito diferente de outra miséria a que já tinham sido entregues!!
Quanto aos factos da história deixo ao meu caro que é bem competente nessa matéria!!