10 julho 2012

Miserabilismo e idolatria mortal


Um tremendo sururu, mescla de inveja e de estupidez, pelos 40.000 Euro que Assunção Cristas terá gasto com a representação portuguesa na Cimeira Rio+20. É evidente que essas reuniões, para além de imenso cartaz do mundialismo e das chamadas boas-causas, não levam a nada. Os graves problemas do planeta resumem-se, apenas, a dois ídolos em que ninguém quer tocar: o modelo económico e o excesso de população. O chamado "desenvolvimento", sinónimo de industrialização, e a incontrolável expansão da espécie humana - uma verdadeira praga, na acepção ecológica do termo - são, todos o vêem, a ruína do futuro. Talvez fizessem falta um novo discurso malthusiano e uma alternativa ao dito crescimento. Talvez fizessem falta modelos alternativos de sociedade - não na acepção dos utopismos regressivos, mas da recusa daqueles oito pecados mortais da civilização a que aludia Konrad Lorenz - assim como o crescimento zero da natalidade, tal como a China o conseguiu.
Quanto aos 40.000 Euro, é uma bagatela. Um ministro português não pode ir a cimeiras destas e instalar-se numa espeluncazinha, nem pode por lá aparecer de táxi, com mala de cartão, sapatos cambados e senhas para a cantina. Para sair do país, um ministro de Portugal deve estar à altura dos seus homólogos, mas só deve ir se assumir uma atitude desafiante e revolucionária. Os 40.000 Euro que Assunção despendeu só teriam sido absolutamente justificados se a nossa ministra - que é mulher de armas - tive feito uma intervenção radical, partindo os vidros dos florentinismos e da hipocrisia neo-gauche que faz as maravilhas dos barbichas sorridentes do ecologismo milionário.

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