12 julho 2012

Mais e mais autarcia



Portugal conseguiu, pela primeira vez desde 1943, apresentar uma balança comercial favorável aos interesses do país. A auto-suficiência económica constituiu um anátema para os exaltados liberalões, ou seja, aqueles que estão sempre a torcer pelo sucesso das empresas estrangeiras, das marcas estrangeiras, dos produtos e do trabalho estrangeiros. Quem perde? Portugal. Pois, que venham de novo a manteiga portuguesa, as bolachas portuguesas, as conservas portuguesas, as peúgas e sabonetes portugueses. Serão inferiores que os outros ? Talvez, mas são portugueses, dão trabalho a portugueses, geram receitas a empresas portuguesas. A isto chama-se auto-suficiência, que rima com desenvolvimento tecnológico, formação técnica da mão-de-obra, acumulação de capital português. Gostaria até de mais: de uma fronteira económica portuguesa e, se possível, de uma moeda portuguesa. Já tinha aqui chamado a atenção dos caros leitores para as teses há muito defendidas por SM o Rei da Tailândia, campeão da auto-suficiência em matéria económica.

2 comentários:

Nuno Castelo-Branco disse...

Tens o livro? Gostava de lê-lo. Quanto às bolachas, peúgas e manteiga, eram inferiores como? As marcas internacionais recorriam aos têxteis feitos em Portugal. O nosso pão é incomparavelmente melhor ao dos nossos vizinhos e as bolachas Triunfo e Nacional eram muito boas. Para nem sequer falarmos do resto. Não tínhamos aquilo em que os outros investiam: promoção. Ah!, ainda falta dizer que durante a IIGM, as nossas conversas deram de comer a milhões e milhões de alemães, ingleses e outros beligerantes. Onde andam elas?

João Pedro disse...

Não sou partidário da globalização e talvez por isso concordo com a ideia essencial que o Miguel defende. Claro que o grau de possibilidade da auto-suficiência varia de pais para pais, no caso de Portugal não sei se seria mais vantajoso adoptar este modelo.

Por outro lado convém lembrar que muitos países socialistas/comunistas também defendiam a auto-suficiência com os resultados que se viram.