17 julho 2012

Januário, mas não mártir


Já me cansa ouvir Januário e as suas prédicas tão incendiárias como desonestas. O Padre Malagrida, esse, que era um justo, corria perigos mortais e imolou-se pela verdade denunciando o nefando Sebastião José e respectiva comandita de corruptos, assim como o temerário Dom António Barroso, que pagou com o exílio não genuflectir perante os desmandos e prepotências da cáfila do Costa. Este Januário - que nada é a São Januário de Benevento, mártir da Igreja - vem de uma linha mais chã, aparentado do frade Melícias e do Martins de Setúbal. Aquela grosseria desabafo-de-taxista, a linguagem soez de cocheiro ou de moço de estrebaria, o facciosismo partidário de que dá provas - nunca o ouvi indignar-se com matérias atinentes ao seu múnus sacerdotal  - oferece sobejas provas da nova santa aliança entre o altar e as curibecas.
Januário acusa o governo de corrupção; acusação grave, merecedora de acção imediata do Primeiro-Ministro, que deve levar o assunto às instâncias judiciais competentes e exigir do bispo apresentação fundamentada de tais acusações. O governo não pode ficar impassível e fingir que nada foi dito. Januário pode ser mais um dos muitos manuelinhos que por aí andam a espalhar a boataria que os fabricantes de calúnias - cobardes e silenciosos - endossam a estes Savonarolas sem miolos. Por outro lado, deixando a calúnia cair de forma indiferenciada sobre todos os titulares de pastas ministeriais, cabe a cada ministro ferido pela insinuação exigir ao batinado desculpas públicas.
NB: Recebi mais de dez comentários impublicáveis. Todos se diziam "católicos". É-me indiferente que o sejam. Aprendi há muito a não respeitar um padre pelo mero facto de o ser. Tem de dar provas - talvez uma levitaçãozinha me convença da sua superioridade espiritual - mas no caso do díscolo Januário, não me convencem os argumentos. Aliás, já nada me convence desde que vi o Patriarca a fumar e de copo de whisky on the rocks numa cerimónia pública. 

10 comentários:

jorge.oraetlabora disse...

Belo texto, Miguel!
De facto, já não paciência para ouvir o batinado Januário! O homem tresanda!
Quais serão os objectivos deste nababo - "general" das FA (a que título?!) - com tais críticas?
Enquanto Sócrates e a sua súcia praticaram os maiores desmandos, o preclaro bispo esteve sempre caladinho...

Gigi disse...

Caro Castelo-Branco,

Sou um anónimo apreciador da sua prosa. Gabo-lhe o estilo e a deliciosa expressão «povo chão». Já a teria lido ou ouvido algures mas nunca antes a tinha visto utilizada tão frequente e apropriadamente. A si me dirijo não p/ comentar este ou qualquer outro dos seus «posts», mas para, pese a imodéstia, lhe fazer duas sugestões. Referem-se estas à construção dinâmica do seu site.
Primo: Nos seus posts a criação de «links» é útil dá enquadramento ao «post» e mais contexto ao utilizador então porque não utilizar a opção de «link» p/ «nova página»? Nas suas configurações actuais o «link» cria-se na mesma página o que torna a navegabilidade mais complicada. (espero estar a fazer-me entender)acontece o mesmo com os links na secção blogs «outros mundos, se se clicar num deles sai-se da página «combustões»; existe a opção de ao clicar-se num link este criar uma nova página no seu browser permanecendo a página de entrada, neste caso «combustões», também visível. Facilitaria imenso a navegabilidade e consulta do seu blog.
Secundo: A banda sonora!!! Permita-nos usufruir da qualidade da sua prosa sem nos torturar com a sua estética musical. Concedo-lhe o cunho pessoal da actividade blogueira mas uma opção GRANDE e VISÍVEL p/ eliminar ou reduzir o volume é um bem pelo qual o povo chão já clama!
Bem haja

Liceu Aristotélico disse...

E a exploração da dialéctica marxista entre ricos e pobres que esse energúmeno disfarçado de padre fez às escâncaras? Faz-me lembrar um episódio aquando da minha passagem rocambolesca pela Faculdade de Tretas de Lisboa, num alegado Curso de Filosofia – outra vigarice a juntar às demais – em que me deparei com um chimpanzé do partido comunista, um tal de Eduardo Chitas. O animal universitário pergunta-me então quem eram os ricos e os pobres na Antiguidade Clássica com base no livro “A Cidade Antiga”, de Fustel de Coulanges. Resposta: não diga disparates, porque uma tal questão ideologicamente enviesada não teria qualquer sentido para os homens da Antiguidade.

Quanto muito, o que se pode dizer é que, em Roma, por exemplo, chegou a existir uma situação em que as multidões da plebe, os “proletarii”, chegaram a viver sustentados pelos patrícios. Trata-se, portanto, de uma situação em que os proletários - os que só se sabiam reproduzir -, viviam à custa da República. Hoje, curiosamente, é a República plutocrática e socialista que vive à custa dos “pobres”.

Não é, pois, de admirar que frades e padres malandrecos venham pregar, por meio de uma comunicação social envenenada e prostituída, o que aprenderam nos seminários e nas universidades cabalmente responsáveis pelo criptocomunismo invasor.

Lionheart disse...

Os Januários e os bispos vermelhos são apenas um exemplo da (histórica) falta de qualidade intelectual e teológica do Clero português.

Liceu Aristotélico disse...

Junte-se ainda este trecho de Camilo Castelo Branco, extraído da sua obra “Perfil do Marquês de Pombal”:

«O deplorável louco [o padre Malagrida] tinha dois intervalos lúcidos. Um, quando pela primeira vez foi levado à presença dos juízes, e disse: - “Peço que me abreviem a minha causa e me castiguem como quiserem. Se procuram um réu, aqui estou; mas, se querem um criminoso, não o encontram em mim”. O outro, foi no momento em que se entregava às mãos do algoz: - “Depois que pus os pés em terra portuguesa servi sempre Sua Majestade fidelíssima como bom e leal súbdito; todavia, se, contra a minha vontade, a ofendi levemente, peço humilde e sinceramente perdão”.

Depois, inclinando a cabeça à corda da estrangulação, disse: - "Meu Deus, havei piedade de mim; em vossas mãos deponho a minha alma".

Acabado o espectáculo pelo incêndio do cadáver de Malagrida e da estátua de Francisco Xavier de Oliveira houve um lauto jantar no palácio da Inquisição, oferecido por Paulo de Mendonça e presidido por seu mano Sebastião José de Carvalho.

Hurra! Pelo marquês de Pombal!».

Combustões disse...

GIGI
A cada peça sua música. Sempre gostei da possibilidade da "arte total". Infelizmente, aqui não se pode dar um passo de dança =)

Isabel Metello disse...

Miguel, esta é uma orquestra que começou como aquele anúncio da Optimus com um sempre protégé do regime pós-74 :) o Maestro Vitorino de Almeida- a Filhá, a Inês foi aquela do escândalo das viagens à custa do estado não foi? Ah! E a outra foi a realizadora daqyela obra de ficção, não foi? Ah! Todos uns génios! No Festival da Canção, assim como noutras áreas, tb havia muitos que legaram a essência genial aos rebentos :) i.e., é uma campanha de erosão deste Governo por fases e em várias vertentes (é como picar um touro numa arena em váris sítios corporais e locais da mesma até este se esvair em sangue, para gaúdio dos Imperadores que se babam com a baba da marabunta alienada!:), para parecer casual, quando está bem delineada :) 1º o escândalo das Secretas, quando qualquer pessoa esclarecida sabe que JS tinha uma obsessão compulsiva pelo controlo dos media (só no seu regime autocrático grandes saneamentos de media e jornalistas a sério se verificaram :) TVI (JEM e MMG); SOL (JAS); Público (JMF)et caetera, enquanto outros... E, numa análise psicanalítica objectiva tal perfil não a teria no que toca aos Serviços Secretos? Até porque, vejamos- por que é que os Ministros da Administração Interna, tendencialmente, neste país, tiveram sempre tanto poder, durante e após a sua estadia? Por aquele ministério ter uma estrelinha dourada em cima do telhado?! Duvido!; 2º, a suposta coacçãozita à jornalista do Público que até se revela aviltante, perante os casos acima referidos e perante outros pretéritos, como no caso de Vera Lagoa, que aturou ameças de morte e atentados à bomba no seu jornal- terá sido por alguma mulher despeitada por VL associar Beleza a Uma Inteligência Açuçada???!!! Duvido, embora as emoções da vingança face a vozes lúcidas incómodas e do despeito sejam similares na essência!!!; 3ª a Licenciatura de Relvas num país plenos de virgens ofendidas que sabem e como os meandros de que se vale a grande praga dominante da mediocridade sistémica, pela qual via sobem, com Raras e Digníssimas Excepções Que As Há, Graças ao Cosmos, mas para lá chegarem...- a cunha, que não dos sapatos, actualizada por variantes a priori efectivadas; 4º a exploração até à exaustão de tais key media events nos media e contaminação às redes siociais do like, dislike! :); 5º o reforço pelo "Bispo Vermelho" cuja pensão ou salário faz um Cristão que se preze corar de vergonha!; E tudo isto por 2 motivações estruturais muito prosaicas, para além da queda de um Governo eleito há um ano que herdou a batata quente de quem nos levou à hecatombe e se pisgou para hibernar, contando com a Síndroma da Memória Curta de um povo alienado por tantos F que, tendencialmente, "não se inscreve", como diria o Professor José Gil :) (a) a privatização da RTP; (b) a diminuição de tantos feudos locais, autênticos vampiros do Erário Público por sacos de tantas cores que mais parece estarmos num país colorido,, quando é o cinzentismo a matriz!

Eduardo Saraiva disse...

A propósito de mais uma "coisinha" do Bispo das FA,lembro o provérbio popular:
"Lá cai o sino e o sacristão"

Lionheart disse...

E de caminho, enquanto se ocupa o espaço mediático com o caso Relvas, o Ministério Público (um antro de agentes do PS) prepara-se para arquivar pela calada o caso Freeport, antes que os ingleses ainda falem mais. Esta MÁFIA sabe bem o que faz e nós a ver...

Lionheart disse...

E de caminho, enquanto se ocupa o espaço mediático com o caso Relvas, o Ministério Público (um antro de agentes do PS) prepara-se para arquivar pela calada o caso Freeport, antes que os ingleses ainda falem mais. Esta MÁFIA sabe bem o que faz e nós a ver...