05 julho 2012

Delenda est Universitas ou Anita quer um canudo sem estudar


Ouvi ontem o Damásio pai e o Moutinho da Lusófona e fiquei siderado. Digo que foi com um quase sentimento de revindicta que assisti àqueles terríveis instantâneos. Os dois homens expuseram em dois minutos aquilo que centos de páginas não o fariam. Mostrou-se o amadorismo, a impreparação, o postiço, a negociata em que vão essas coisas chamadas pomposamente de "universidades".
O bruá em torno de Relvas e Sócrates (e, porque não, em torno dos milhares de licenciados, mestres e doutores produzidos pelas universidades privadas) obriga-nos à aceitação de um velho princípio de prudência, segundo o qual há áreas demasiado sensíveis para ficarem entregues aos privados. A escola é uma delas. Em nome de uma fábula libertadora, transformou-se o ensino num negócio. Em nome da confiança na capacidade empreeendedora dos cidadãos, o ensino privado converteu-se em sórdido negócio de merceeiros. Eu sei do que falo. Num desses tugúrios de negociatas, golpes, negócios e tráfico de influências, perdi doze preciosos anos da minha actividade profissional como docente e bibliotecário, fui testemunha e vítima das mais espantosas entorses e perdi para todo o sempre o mais leve vislumbre de respeito pelos ratoneiros que transformaram a velha universidade em pantomima. 
No que ao ensino respeita sou, aberta, convitcta e resolutamente defensor do sistema francês. Ensino concordatário, tudo bem; ensino privado, nos moldes daquele que vigora em Portugal, não.
Se neste país houvesse Estado, as universidades privadas - todas, sem excepção - seriam nacionalizadas sem demora, os seus bens centuriados pelos campus universitários públicos, o corpo docente e respectivos títulos esmiuçados, os negócios e investimentos a que se dedicam esses cortiços submetidos a auditorias.
Sei que o escândalo Relvas não tem a ver com a universidade, nem com a licenciatura. É uma história outra, de uma guerra entre maçonarias, mas, sobretudo, uma guerra contra Relvas, porque Relvas está a querer mudar coisas que dão dinheiro a muita gente poderosa (autarquias, televisão).

2 comentários:

José Hermínio da Costa Machado disse...

Ó Miguel, explique mais detalhadamente, se faz favor, a sua últim tirada: «porque Relvas está a querer mudar coisas que dão dinheiro a muita gente poderosa (autarquias, televisão).» Um ano depois você acredita que ele está a querer mudar o qu~e e como e para onde?

Duarte Meira disse...

Caro Miguel:

Está gastar cera com ruins defuntos.

O ministro Relvas a querer mudar alguma coisa ? Eis um exemplo.- Em Agosto (ou Julho) do ano passado esse sr. compareceu numa comissão parlamentar a prestar "informações erradas" sobre o encerramento des emissões radiofónicas de onda curta para os nossos portugueses no estrangeiro. Tal "encerramento temporário" tinha sido aprovado pela tutela no anterior governo do labroste Pinto de Sousa e foi mantido pelo actual na pessoa do sr. Relvas. Os nossos emigrantes - tantos dos nossos melhores portugueses ! - foram mais uma vez maltratados e abandonados, neste vergonhoso caso.

Eis a mudança.