29 julho 2012

Defender Assad ou defender a mais antiga cristandade do mundo ?



Têm-me perguntado vezes sem conta por que razão tem esta tribuna oferecido, por argumentos e testemunhos, uma perspectiva que outros blogues - sobretudo a comunicação social acéfala e teledirigida -  se recusam facultar. Mil e um argumentos abonaria em defesa da manutenção do regime sírio, o único regime laico do Médio Oriente, o único que inscreve na constituição a igualdade das religiões perante o Estado; o único que garante plena cidadania sem diferenciação de origem religiosa. Defender a Síria perante as arremetidas do salafismo apoiado pela mesma gente que destruiu o Iraque e a Líbia, estriba-se na adesão a um conjunto elementar de princípios que regem as relações internacionais, tais como o respeito pela soberania dos estados, a não ingerência, a cooperação e diálogo conducente à paz, mas mais importante que isso, a defesa da mais antiga cristandade do planeta. Os cristão árabes estão em risco de desaparição. Foram expulsos da Turquia de Mustafá Kemal, fugiram de Israel e do Líbano. Desde a queda de Saddam Hussein, os cristãos iraquianos têm sido alvo prioritário do terrorismo islâmico, tendo-se deslocado muitas dezenas de milhares para a Síria de Assad. Na Síria, os cristão têm sido protegidos e compõem um dos grupos mais dinâmicos de uma sociedade onde ocupam relevantes postos no aparelho do Estado, na vida empresarial, na vida cultural e no sistema educativo. 
Nesta batalha de vida e morte pela sua identidade, têm-se batido na primeira linha contra a imposição da sharia e de um regime teocrático. Se a perderem, acaba-se o núcleo fundador do cristianismo no Médio Oriente. Compreende-se, assim, a posição do Vaticano em contrariar a grosseira propaganda de americanos e seus aliados sauditas na abordagem ao problema sírio.

1 comentário:

José disse...

Existiam três países árabes, de maioria muçulmana, onde os cristãos gozavam de uma liberdade relativa até há pouco: Iraque, Egipto e Síria. Sabemos o que aconteceu nos dois primeiros; sabe-se o que está a suceder no último. O ódio velho de certas forças "laicas" ao Cristianismo não descansa também aqui...