31 julho 2012

A madonna dos "jovens"



A figura é insignificante do ponto de vista artístico. Sendo epítome da cultura de plástico da globalização - as chamadas "indústrias culturais" - objecto de insistentes campanhas promocionais - foram-lhe atribuídas recentemente funções de mâitresse à penser (antes diria, à non penser)  dos chamados "jovens". Os "jovens" constituem uma categoria imprecisa do mercado em que se incluem todos quantos se recusam reconhecer a respectiva idade biológica a partir dos 30 anos mas, sobretudo, aqueles nascidos nas décadas de 80 e 90 do século passado, filhos por excelência da parvalhização planetária, sem referências e deseducados no culto do dinheiro. 
Madonna, milionária e lóbista, exprime o horizonte da santidade laica ; logo, de campeã de "causas justas" desta gente que pensa como os empresários, quer ser rica e reclama o direito a um coupet do pior gosto do dinheiro novo, mas tem na boca o blá-blá das preocupações pelo ambiente, pelas pedofilias, pelas escravaturas sexuais e também, porque não, das guerras justas.
Está a dita Madonna, com as Angelinas Jolies e suas adopções-espectáculo, as ONG's milionárias e os caçadores de Joseph Kony, na fila da frente do analfabetismo arrogante que fez em vinte e poucos anos aquilo que não teriam conseguido, juntos, o impacto de um cometa, a peste negra e um Átila. Mas teimam, insistem em ter algo a ensinar. A dita foi a Paris, e em vez de exibir as nádegas, apresentou-se como educadora. Cobrou 400 Euros, dançaricou 5 minutos, cantarolou outros dez e discorreu por meia hora, pretendendo dar lições de "nova ordem mundial" aos meninos e meninas de 30 e 40 anos aos quais foi dito e redito mil vezes serem "a geração mais bem preparada" que o Ocidente produziu. O produto foi rejeitado entre pateadas e palavrório ao gosto do senhor Gil Vicente. Maus tempos para a cultura da aldeia global. A coisa está por um fio. 

1 comentário:

Isabel Metello disse...

Miguel, de facto, por uma biografia que vi algures, não se pode dizer que Madonna tenha subido "a pulso", pelo menos, no ínício da sua carreira, o que nunca é dignificante, nem que seja uma alma pura (aliás, qualquer pessoa com o mínimo de sensibilidade percebe que está ali um bulldozer, um ego elefântico, uma máquina de fazer dinheiro!), mas nunca o afirmou ser, o que até tem uma certa congruência, pelo menos não é uma sonsa como muitos ladies and gentlemen no palco das ilusões mundanas que para aí se dão como tal quando, perscrutando objectivamente os bastidores, estes não cheiram lá muito bem, para recorrer tb a outro eufemismo! Mas, pelas razões expostas, talvez por isso, não aprecie muito o seu percurso artístico, em termos subjectivos, para ser outra vez eufemística, apesar de, em termos objectivos, considerar que Mandona, ai!, Madonna soube sempre criar uma imagem de marca e um posicionamento estratégico revelador de uma inteligência pragmática muito anglo-saxónica, até estudada convenientemente no âmbito dos Cultural Studies. Não se pode combater a matriz do palco das aparências sem se saber desconstruí-la sem preconceitos (são sempre mecanismos tão redutores que sempre resvalam na ignorância, o pasto ideal para a modelação seja da Nova Ordem Mundial, seja da Cientologia, seja do que for que esteja no backstage!:) Ora, mas há em Portugal um preconceito que se me revela não só misógino (por que não desconstruir o percurso artístico do The Voice, Frank Sinatra ou de outros? Acha que chegaram aos holofotes da fama como? Com muito esforço e trabalho???!!!! :) como provinciano, longe da mentalidade arejada do Moçambique dos anos 60-70. De facto, esta matriz metropolitana é tão forte que já converteu muita gente de lá vinda, o que é sempre uma tristeza! Agora, voltando ao epíteto "salope" (SLUT em Inglês :) por que será que as mulheres e os homens portugueses adoram epitetar mulheres bonitas e bem sucedidas como tal? Eu, em termos psicanalíticos só tenho uma explicação: dor de cotovelo e recalcamentos! Alguma vez assistiu a alguma mulher feia e desinteressante a ser chamada de "salope"? E quando a beleza se junta à inteligência? Ui, é um festim! Não será que estão a projectar-se em espelho? Qual a necessidade de ofender alguém nestes termos? As maiores "salopes" que conheci parecia(e)m meninas de coro; do género masculino tb! Nem imagina! Uma hipocrisia tão ridícula quanto risível, quando basta um olhar clínico para lhes desconstruir a máscara! É que a Dignidade não se compra com fatos muito low profile ou cuidadadmente descuidados e óculos de massa pretos nem com modos muito discretos! Cuidado com os low profile- têm sempre muito a esconder nos armários, estantes, sótãos e caves! Claro que este é um raciocínio indutivo, face a casos que vi ou desconstruí, como S. Tomé e até face a profiles do FBI e de psicquiatras forenses com visão periférica! :) Por falar nisso- como é que o Miguel pode defender um psicopata que usou Crianças como escudos humanos esquartejando-as? Eu sei que à "máquina de guerra norte-americana" interessa o derrube de certos regimes, anteriormente, muito friendly para lá porem os fundamentalistas, para terem mais um motivo para escoar armamento e quem são os mártires de tudo isto são sempre os Inocentes, mas defender um psycho???!!!!