05 junho 2012

Vamos sair desta


A sondagem hoje divulgada merece alguns - breves - comentários. A fazer fé no inquérito, os partidos que apoiam o governo mantêm a maioria absoluta, mesmo que tangencial. É um feito, uma façanha, que um executivo chamado na 25ª hora a assumir responsabilidades governativas num país à beira do abismo, tolhido na sua acção por tantas contingências e mesmo limitação do exercício por força de um acordo de resgate, continue a merecer o apoio da maioria da população. Portugal é um país antigo e tem, infusa, a percepção de grandes perigos. Tem, também, queiram ou não os pregoeiros da rendição, inculcado um grande amor-próprio. Os portugueses perceberam a dimensão do desastre de quase 40 anos de demagogia. Se o governo, por hora, pouco mais pode fazer que aguentar o transe, tem por si um argumento invejável. Que se saiba, o governo não está em mãos de criminosos, locupletadores e aventureiros. O Primeiro-Ministro mantém inalterada a imagem de um homem de boa vontade. É pouco, num país que se habituou a ter em S. Bento angariadores de negociatas e promotores de fortunas furtadas ao erário público?
Ainda não passou um ano e já muito se fez. Deixou este governo obra material? Não, mas limpou - disso estou certo - o proverbial ferrete que entre os europeus corria de ser Portugal um caso clínico incurável.
Apenas uma nota marginal. Como em todas as sondagens, os 6% do CDS corresponderiam, em eleições, a 9 ou 10%. Somando resultados, a maioria teria, não 46 ou 47%. Uma façanha !

3 comentários:

Isabel Metello disse...

Miguel, eu não acredito em sondagens- como alguns autores creio que são formas de condicionar resultados, modelando sublimanrmente a marabunta alienada- normalmente, para se beneficiar alguém que está quase a ganhar à tangente...andam mesmo assanhados, principalmente depois do escândalo das Secretas! por que será???!!!! :)))

Pável Rodrigues disse...

Para um leitor deste Blog, como é o meu caso, habituado a aplaudir a objectividade com que o seu autor sempre soube sempre distinguir o trigo do joio, relativamente ao apoio que, em nome do interesse Nacional, era devido, apesar de tudo, aos partidos da denominada "direita democrática", permito-me questionar:
-"Vamos sair desta" para onde?
Depois disto: http://visao.sapo.pt/ex-empresa-de-relvas-sob-suspeita=f668518, este Governo está ferido de morte. Ou o Primeiro Ministro corre de imediato com o Sr. Relvas do Governo e com todos os ministros que ele indigitou ou, para mal do interesse Nacional, teremos mais do mesmo:
-Corrupção generalizada e descrédito total das instituições democráticas.

Isabel Metello disse...

Pela Santa e pela objectividade e isenção, Pável Rodrigues! Então como é que Sócrates controlava tudo e todos???!!! Era medium ou teria avançados bem artilhados???!!! "Virgens ofendidas" com tantos anos de rodagem a mim soam-me a falso e tudo o que é falso é anti-Princípios e pró-interesses particulares!!! Por isso montaram este show off todo, não foi???!!! É o que eu digo:
...ouvem-se os lobos na Serra de Sintra a uivar de sangue sedentos, gostam de trucidar quem os pode desarmar e revelar-lhes os escondidos excrementos... saiu fraquito, mas creio que foi explícito!
...ai, seria tão bom que houvesse um hacker genial que transferisse todas as contas particulares e organizacionais offshore que foram construídas à custa de falcratruas e da hecatombe de Portugal para o Banco de Portugal! Justiça era feita sem que pudessem mugir nem tugir! Aos que, pelo caminho, deixassem vítimas, o tratamento poderia ser outro...