30 junho 2012

Um bom ministro não pode descer à ralé



Álvaro Santos Pereira tem manifestado em todas as ocasiões traços de um carácter decente. De discreta elegância, uma timidez simpática e sempre disposto a explicar de forma cordata as decisões do governo, revelou ontem a rara característica da coragem física. Contudo, Álvaro Santos Pereira, na sua boníssima ingenuidade, esqueceu-se que os bandos que acodem a estas cobardes esperas não vão para dialogar, mas para  cevarem instintos homicidas a que a hipocrisia comunista chama de "justiça popular", que nunca foi justiça, nem nunca foi popular, por que realizada pela caudilhagem local dos partidos e dessa coisa a que se dá o nome de sindicatos. Não se fala nem negoceia na rua com a ralé. Conta-se que um dia, numa estalagem de muda, o autor do Contrato Social, quis explicar ao povo da aldeola alguns aspectos do seu trabalho, confiando que aqueles rústicos sem mácula de letras - logo, próximos do bom selvagem - o acolheriam com simpatia. Qual quê, foi agredido e quase chacinado pela plebe, tendo de fugir para a carruagem sempre perseguido pela ira da turbamulta.
Os governantes devem falar com o povo, devem colher informações que os relatórios não mencionam, devem ouvir testemunhos para depois os avaliarem no quadro de uma racionalidade que está para além do grito, da lágrima, do caso isolado.
Quanto ao autarca do PSD, demonstra à saciedade que o "poder local" é uma regressão histórica sem precedentes, com a agravante de os "homens bons" de outrora - o chamado Estado intermédio - terem dado lugar a pequenos caciques oportunistas. O PSD, se tivesse um pingo da coragem do ministro Santos Pereira, devia começar por expulsar de imediato tal autarca. Mas não vai, porque em Portugal falta a todos aquilo que Álvaro mostrou ontem. um pingo de coragem.

3 comentários:

Nuno Castelo-Branco disse...

Imaginem os fulanos que ontem ladraram, que por infelicidade o seu "partido" conquistasse o poder. Era vê-los a "dar o salto", a penarem nas masmorras espalhadas por todo o país. Amontoados em 2 assoalhadas, familiares e estranhos que se revezariam nas filas para o pão, leite, arroz, sabão, peixe (qual peixe?), batatas, nabos e pó para limpar dentes. Bordoada à farta, denúncias de amigos, colegas e familiares. Que paraíso dos trabalhadores seria o Portugal pós-Vasco Gonçalves e com um Cunhal qualquer em S. Bento.

Isabel Metello disse...

Eu tb aprecio muito este ministro- é educadíssimo, simplicíssimo, tem uma mentalidade arejada e é corajoso, não o vi fugir da marabunta alienada num mini-auto-de-fé, simplesmente há um momento em que a pachorra se acaba e a pesssoa retira-se!
O autarca foi cobarde! Lá está- estão fulos, pois estão com medo de perder os feudozinhos que são os seus quintais!
Ora, esta gente não tem memória? Quem é que destruiu o país? O PS e o Governo De José Sócrates! Então, por que é que não apanham um autocarro até Paris e tiram contas com ele e com os da sua trupe da sucata?

Bmonteiro disse...

Creio que o PCC não foi devidamente explicito quando quis fazer 'humor'
com a tirada sobre VascoG.
Tal como aqui no post, ao interpretarem-no como fazem.