27 junho 2012

Quando os monárquicos lideraram a libertação da Faculdade de Letras

O Dia, 11 de Novembro de 1985

Em 1985, a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa era um cortiço do PC, que ali produzia os seus  intelectuais orgânicos e acorrentava milhares de alunos à mais estrita pedagogia marxista. Haviam passado dez anos sobre a revolução. A FLL fora campeã das paralizações, das assembleias gerais, dos saneamentos e do terror - das chamadas anónimas, dos abaixo-assinados, do processo de escolha dos professores pelos alunos, da recusa em permitir a avaliação "não negociada", das ameaças físicas constantes, da participação obrigatória em sessões - mas em 1985 persistia o mais férreo controleirismo. Fiéis à divisa de Monnerot de "desmarxizar a universidade", o núcleo da Nova Monarquia, estudantes centristas e do PSD iniciaram uma escalada desafiante que provocou a breve trecho incidentes de natureza vária e conduziu à formação de uma lista de unidade anti-totalitária encabeçada por monárquicos. Foi o começo do fim do feudo comunista. Em finais desse ano, nas eleições para a Assembleia de Representantes, a NM e seus aliados obtinham quase 40% dos representantes. O PREC durara 11 anos e foi a Nova Monarquia que o terminou no mais fossilizado dos bastiões da anti-cultura.

3 comentários:

HNO disse...

Este texto permite supor que o CDS e o PSD participaram na lista D, enquanto estruturas organizadas, o que não é verdade (pelos menos o PSD concorreu organizadamente contra a lista D, o CDS creio que não mas já não me consigo recordar...). Desde o ano anterior que apenas alguns independentes dessa área colaboraram e, para além deles, estudantes declaradamente de "direita" integravam a lista D.

António Bettencourt disse...

Foi uma vitória importante, mas que durou pouco. No ano em que entrei para a FLUL o PC tornou a tomar o poder

Nuno Castelo-Branco disse...

Pois... o PSD e o CDS estavam numa lista que obteve 4%. Fomos sós e obtivemos mais de 30% dos votos. A minha memória é boa e ainda me recordo da estupefacção da AE na contagem dos votos. No dia seguinte, o ambiente era quase revolucionário! ;))))