21 junho 2012

Portugueses e espanhóis


Adquiri há anos as Mémoires du Général Baron de Marbot, três estupendos volumes editados em finais do século XIX pela Plon contendo belíssimas rotogravuras desse oficial general de Napoleão que esteve em Portugal durante as três invasões francesas.  No segundo volume, uma homenagem aos portugueses, que Marbot separava dos espanhóis. "(...) Menos cruéis [que os espanhóis], muito mais disciplinados que os espanhóis e de uma coragem mais calma (...), nada ficavam a dever aos soldados ingleses; mas menos gabarolas que os espanhóis, falaram pouco das suas façanhas, pelo que o seu valor é menos celebrado". Tudo isto me lembra a actual crise, que o povo português - povo antigo e sofrido - tem sustentado sem grandes manifestações de histeria. Há, certo disso estou há muito, desde os tempos em que comandei, uma quase natural inclinação no português para a aceitação da fatalidade. Não se trata apenas de resignação, mas de uma forma de orgulho, tímido é certo, que nos impede de trazer para as ruas do mundo os nossos tormentos. 

3 comentários:

Nuno Castelo-Branco disse...

Totalmente de acordo. Há umas semanas, num canal da televisão francesa, um painel de comentadores falava da crise europeia e comparava os acontecimentos da Grécia com a calma em Portugal. Um deles disse que ..."Portugal é algo de muito sólido, esse país tem quase 900 anos e cumpriu uma grande missão no mundo. Os portugueses sabem quem são e conhecem o perigo da actual situação".
Foi mais ou menos isto

Nuno Castelo-Branco disse...

Totalmente de acordo. Há umas semanas, num canal da televisão francesa, um painel de comentadores falava da crise europeia e comparava os acontecimentos da Grécia com a calma em Portugal. Um deles disse que ..."Portugal é algo de muito sólido, esse país tem quase 900 anos e cumpriu uma grande missão no mundo. Os portugueses sabem quem são e conhecem o perigo da actual situação. Não pode ser comparado à Grécia e a outros países inventados há pouco mais de um século".
Foi mais ou menos isto

Isabel Metello disse...

Não creio nos "brandos costumes", a Vida e os choques culturais constantes comprovaram-me que os adjectivos adequados são "cobardes" e "vis". Eu concordo em absoluto com José Gil- este povo "não se inscreve", a não ser em todos os concursos e mais alguns, nem quando se deparam com a maior Dor de todas- a Morte- são poucas as Pessoas que A Respeitam comme il faut- matam por um nesgo de terra, destroem famílias e Vidas por tijolos e heranças, não Honrando a Memória Dos que Partiram, no dia seguinte ao velório/ funeral (onde alguns choram e outros fazem corpo presente, quando não estão na galhofa e em conversas de café ignóbeis...), continuam a fazer as maldades costumeiras sem se terem apercebido de que estiveram perante Um dos Momentos Sagrados da existência de qualquer ser, que os deveria aproximar dos Princípios Éticos Transversais a Qualquer Texto Sagrado! Só são muito bonzinhos quando estão nos hospitais, mal saem cá para fora, continuam nas maldades corriqueiras, como a marabunta, nem os ossos das galinhas deixando...E tudo isto porquê? Porque não existe, na maioria da população, uma capacidade crítica individual activa, como tal, são facilmente modeláveis pelas corjas reticulares que levaram este país à hecatombe...prova disso é que só se passam por causa do F opiáceo, mas são incapazes de ir para a rua lutar por Causas Justas, dando o peito à bala, como os Gregos- eu vejo o cenário ao contrário, ainda que não seja apologista da violência, quando se aceitam passivamente violências muito maiores por parte dos intocáveis, por vezes, há que combatê-los com as mesmas armas...como disse hoje algures :) "na Sicília pensa como os sicilianos" para os poderes derrotar...´re mais ou menos como quando estamos a lidar com vampiros emocionais e psicopatas- temos de os conhecer, identificar os padrões de comportamento e actuar...